Enquanto isso, a Jô Moraes...


O candidato Márcio Lacerda (PSB) se mantém na liderança pela disputa da Prefeitura de Belo Horizonte, informa pesquisa Datafolha divulgada hoje pela Globo. Lacerda, que tem o apoio do governador de Minas, Aécio Neves (PSDB) e do prefeito de Belo Horizonte, Fernando Pimentel (PT), aparece com 41% das intenções de voto.


Leonardo Quintão (PMDB) aparece em seguida, com 17% das intenções de voto. Com isso ficou tecnicamente empatado com Jô Moraes (PC do B), com 12%. A margem de erro da pesquisa é de três pontos para mais ou para menos.


Na comparação com a pesquisa anterior --realizada nos dias 4 e 5 de setembro--, Lacerda oscilou um ponto para baixo: ele tinha 42%. Quintão subiu cinco pontos --aparecia com 12% das preferências. E Jô oscilou negativamente um ponto --tinha 13%.


Sérgio Miranda (PDT) oscilou um ponto para baixo, de 4% para 3%. Gustavo Valadares (DEM) também, passando de 3% para 2%.


Os candidatos Vanessa Portugal (PSTU), André (PT do B) e Jorge Periquito (PRTB) têm 1% cada. Pepê (PCO) não atingiu 1%.


A pesquisa foi feita entre ontem e hoje e ouviu 861 eleitores. A pesquisa foi registrada no TRE-MG (Tribunal Regional Eleitoral) de Minas sob número 67175/2008. (Folha)


Em constante queda nas pesquisas para a Prefeitura de Belo Horizonte, Jô Moraes, candidata do partido comunista, está levando mensagens do vice-presidente José de Alencar para a sua campanha na TV e no rádio, visando conseguir ir para o segundo turno nas eleições. Ela anda afirmando que a verdadeira união por BH é a sua aliança com o governo federal.


Outra medida feita pela Jô Moraes para barrar o crescimento de Lacerda nas pesquisas é dissociar a imagem do candidato ao do governador Aécio Neves. A coligação “BH é Você” já entrou com dois recurso especiais no TSE pedindo a proibição da participação do governador do Estado na propaganda eleitoral do candidato do PSB.


Por 5 votos a 1, a Corte do TRE de Minas Gerais decidiu na última sexta-feira manter o governador nos programas da propaganda eleitoral no rádio e TV de Lacerda. Essa foi a primeira decisão da Corte sobre o assunto. Até então só havia decisões, também favoráveis ao governador, da primeira instância.


O Ministério Público Eleitoral era contra a presença de Aécio nos programas, argumentando principalmente que, embora o PSDB não participe da eleição para prefeito (majoritária), participa da proporcional (vereador), sendo adversário do PT e do PSB. (Folha)


A campanha da Jô Moraes está se mostrando totalmente equivocada ao aplicar tais medidas. Como associar sua campanha ao governo Federal, se o próprio PT e o presidente Lula demostraram apoio ao candidato da situação? Não tem lógica trazer José de Alencar para as propagandas políticas, uma vez que a aliança dele com o Lula representou um divisor de águas na política petista. O PT passou a se afastar da esquerda quando firmou um acordo para lançar Alencar como vice-presidente. Porque insistir em retirar o governador do Estado da propaganda do Lacerda, já que tal situação representa uma vergonha nacional?

E viva a liberdade!

Estava pensando no que escrever neste blog sobre a crise financeira que abalou os mercados mundiais na última semana e me deparei com este comentário do Noam Chomsky:

"Os mercados têm ineficiências conhecidas e inerentes. Um fator é a falha para calcular os custos de quem não participa destas transações. Estas "externalidades" podem ser gigantes. Isso é particularmente verdade no caso de instituições financeiras. A tarefa deles é assumir riscos, calculando custos potenciais para si mesmos. Mas eles não levam em consideração as conseqüências das suas perdas para a economia como um todo.

Logo o mercado financeiro "subestima o risco" e é "sistematicamente ineficiente", como escreveram John Eatwell e Lance Taylor há uma década, alertando para os perigos extremos da liberalização financeira e revendo os custos substanciais que estão implicados - e também propondo soluções, que foram ignoradas.

A intervenção sem precedentes do Federal Reserve (o banco central americano) pode ser justificável ou não em termos estreitos, mas revela, mais uma vez, o caráter profundamente antidemocrático das instituições capitalistas, feitas em grande medida para socializar o custo e o risco e privatizar os lucros, sem uma voz pública.

Isso não é, é claro, limitado ao mercado financeiro. A economia avançada como um todo se ampara pesadamente no dinâmico setor estatal, com a mesma conseqüência em relação ao risco, custo, lucro e decisões - características cruciais dos sistemas político e econômico."

Eu assino embaixo. A atual crise se difere da maioria das outras grandes crises da história - como a depressão de 1929 e a alta do petróleo em 1973 - por ter suas origens exclusivamente no sistema financeiro e em nenhum outro fator externo, como guerras ou embargos. Além disso, ao contrário de outras turbulências do tipo - como a queda das bolsas asiáticas no final da década de 90 - essa aconteceu bem no seio do templo maior do capitalismo moderno: os Estados Unidos.


Essa é então uma das maiores provas reais de que a economia livre sem controle estatal pode ser muito mais instável e insegura do que se pensava. E se a economia americana continuar desregulada do jeito que é hoje, a situação vira uma bomba-relógio: é só questão de tempo pra próxima quebra. E o poder de fogo dessa bomba assusta: meia dúzia de americanos deixam de pagar a hipoteca por alguns meses e bolsas quebram ao redor do globo, da Armênia ao Zimbábue.


Agora o presidente americano acaba de levar ao congresso uma proposta de ajuda às instituições financeiras em crise de cerca de 700 bilhões de dólares. Somada com as ajudas anteriores, são mais de 1 trilhão de dólares que saírão do bolso dos contribuintes americanos para minimizar os danos causado pela inconsequência dos grandes banqueiros. E o que não deixa de ser irônico é que a solução para a crise no maior reduto neoliberal do mundo é exatamente a intervenção estatal; sem ela, o buraco seria muito mais embaixo.


É o Estado nacionalizando o patrimônio privado, mas ao invés de Bolívia, estamos falando de Estados Unidos, a terra da liberdade. Seria cômico, não fosse tão trágico.

"Chora, não vou ligar..."

Pimentel chora e diz que paga "alto custo" por aliança com Aécio

(Folha Online)

O prefeito de Belo Horizonte, Fernando Pimentel (PT), chorou após discurso em que disse estar pagando "alto custo político-pessoal" por sua aliança com o governador tucano Aécio Neves em torno da candidatura de Marcio Lacerda (PSB). Sem citar nomes, disse que alguns não compreenderam o sentido disso.

No discurso feito no lançamento do programa de governo de Lacerda, com cerca de 400 pessoas, ele criticou as pessoas de Brasília e São Paulo que resistiram à aliança.

Ao final, ele não quis dar mais explicações. Foi Aécio quem disse que Pimentel se referia a um "setor da direção nacional [do PT], um pouco mais míope, um pouco mais imediatista".

No discurso, Pimentel disse que Aécio também paga pela aliança, e lhe rendeu homenagem pela "ousadia de caminhar" com ele. O prefeito, que afirmou se orgulhar do PT, disse q
ue a aliança não foi feita "em nome de nenhum dos partidos" que a compõem, mas pela população.
"Foi por isso que caminhamos juntos e pagamos o preço que temos pago, vocês todos sabem", afirmou Pimentel.

Pimentel chorou após o discurso, o que levou Aécio a iniciar o seu dizendo que aquele era um "momento especial" da política e fez uma saudação à "legítima e verdadeira emoção do prefeito". Disse que sua "coragem" ficará registrada na história política de Minas.


Apenas um comentário:

"Você pagou com traição
A quem sempre lhe deu a mão!"
(
Beth Carvalho, Vou Festejar. Nada mais oportuno, né não?)

Quando a democracia vira um jogo - José Luiz Quadros de Magalhães

Em uma democracia representativa baseada em partidos políticos ideológicos, com programa definido e coerência, o que implica em fidelidade partidária, poderíamos desejar que o eleitor votasse não em nomes mas em propostas e em um grupo de pessoas integrantes dos partidos políticos capazes de aprovar estas propostas, transformá-las em leis (se no parlamento) e de implementá-las (se no executivo).


Coerentes com as propostas e o programa de seu partido, os seus membros filiados ocupando cargos ou funções no executivo e no legislativo, teriam suas atuações pautadas pela fidelidade às propostas e às diretrizes político-ideológicas de seu partido político. Sabemos entretanto da dificuldade contemporânea de se implementar políticas, principalmente na área econômica, que sejam dissonantes da vontade e dos interesses de quem efetivamente detêm o grande poder que é o poder econômico, nas mãos das grandes corporações capitalistas, o grande capital conservador, especialmente no setor financeiro. Portanto, a dificuldade maior para que o governo e os legisladores tenham coerência com suas propostas reside no leque político-ideológico de esquerda, uma vez que as políticas conservadoras do grande poder econômico encontram respaldo em boa parte da direita mais conservadora.


Do que dissemos acima decorre um primeiro problema que temos verificado nas democracias contemporâneas, especialmente na Europa, fenômeno que está chegando entre nós. A grande insatisfação com os governos tem levado a um desinteresse com a democracia representativa, com índices de abstenção cada vez maiores nas eleições. Este fenômeno pode ser conectado a dois aspectos interessantes: a) as políticas de direita se vinculam aos interesses do capital financeiro conservador que tem levado à exclusão, desemprego, desigualdade e logo à insegurança, criminalidade crescente e violência. Interessante que era justamente a direita que baseava as suas campanhas eleitorais em construção de políticas de segurança. Ou seja: gera violência com políticas econômicas excludentes e promete mais direito penal e mais polícia para oferecer segurança. Hoje, como não há praticamente mais políticas de esquerda moderada ou centro-esquerda, pois esta abandonou a busca de modelos econômicos alternativos (o que sempre foi sua característica essencial), a esquerda também assumiu o discurso policial repressor, ainda com algum pudor em algumas circunstancias; b) as políticas de esquerda têm cada vez menor espaço para a construção de modelos alternativos, especialmente porque diante das políticas econômicas globais neo-conservadoras (chamadas de neoliberais) ditadas pelo grande capital corporativo, a esquerda perde sua razão de ser, oferecendo no máximo algum tipo de assistencialismo com um discurso um pouco mais charmoso (por vezes), mas sem poder ou sem querer desafiar o grande poder econômico, modificando o modelo econômico, proposta histórica de todos os partidos de esquerda.


O pano de fundo ideológico que começou a ser construído a partir da década de 1970 foi da criação da ideologia do fim da história, pelo menos na área econômica, onde coloca-se o modelo econômico neo-conservador (chamado para efeito de marketing de neoliberal), como o grande modelo vitorioso, o único modelo possível, discurso este que veio ser fortalecido com o fim da União Soviética e simbolicamente com a queda do muro de Berlim.


A idéia que se constrói a partir de então, é de que a economia é uma ciência que mostra respostas técnicas exatas aos problemas diários de produção, consumo, emprego, desenvolvimento, inflação, tecnologia e bem-estar, e, sendo este discurso técnico-científico, quase matemático, não podem os políticos e os juristas se insurgirem contra ele. Ora, a grande conquista do século XX consistiu na construção do Estado de bem-estar social que surge como resposta a miséria e à crise gerada pelo liberalismo atacado pelo capital conservador. O Estado de bem-estar social, fundado na democracia representativa e na garantia de direitos sociais, individuais, políticos e econômicos, tinha (ou tem, pois embora em crise ainda existe, e em alguns casos até se fortalece) como principal característica a existência de uma Constituição que deve conter uma ordem econômica que se submete aos imperativos de justiça social e econômica. Logo, temos a economia (que é uma ciência social), se subordinando aos imperativos do Direito e da Política. Esta lógica do Estado Social decorre do pensamento de esquerda do século XIX e XX e que sustenta, com mudanças mais radicais, o pensamento socialista nos Estados Socialistas, no século XX, que buscam justamente um novo modelo econômico, capaz de eliminar as desigualdades socio-econômicas, levando justiça, emprego, saúde, educação e portanto bem-estar a todos.


Com a ascensão dos neo-conservadores ao poder (1980 com Reagan, Tatcher e Kohl como suas maiores expressões) afirma-se o discurso único econômico e transforma-se a economia, para o senso comum, em um ciência exata, por intermédio de maciça propaganda na grande mídia. Agora a economia é uma questão técnica e seus problemas devem ser resolvidos por técnicos e não por políticos ou juristas. Existe um modelo técnico infalível, que garante o sucesso (vejam os Estados Unidos e vejam o fim da União Soviética diziam repetidamente em nossas cabeças), e todos devem adotá-lo. O falso discurso batido em nossas cabeças durante mais de vinte anos diariamente nos diz que "não devemos permitir que os políticos e os juristas atrapalhem a construção de um modelo econômico de sucesso, pois este modelo trará riquezas, desenvolvimento, com acesso a toda a parafernália tecnológica, com carros que falam e celulares que tiram fotos e passam filmes, nos fazendo felizes".


No momento que aceitamos a mentira de que a economia não pode ser subordinada ao Direito e seus imperativos de justiça social e econômica, e logo à política, que produz o Direito na instância parlamentar, desautorizamos a democracia, que agora nada pode diante dos (pseudo) imperativos econômicos. Desautorizamos o Direito (que não deve regulamentar a economia) e a política (feita por não técnicos). Assistimos o comprometimento da democracia, quando governos eleitos se abstêm de modificar o modelo econômico, assistimos o comprometimento ou o suicídio da esquerda, que ao chegar ao poder mantém os mesmos modelos econômicos conservadores excludentes. Ora se a esquerda não mais representa uma alternativa econômica no poder, não há mais esquerda, mas sim um grupo de homens que se dizem bons e bem intencionados, geralmente honestos e sensíveis, que infelizmente não podem fazer nada para mudar o perverso quadro que nos cerca, decorrente de um modelo econômico não menos perverso, mas complexo e poderoso. Enfim assistimos também ao comprometimento do Estado de Direito, quando os Juízes e Tribunais não aplicam a lei e a Constituição pois estas podem comprometer a estabilidade econômica.


Esta séria situação pode ser retratada por dois episódios recentes ocorridos na Itália e na França. Na Itália, após a primeira experiência de dois anos de um governo neo-fascista de Berlusconi, os italianos escolheram uma aliança de centro-esquerda para governá-los. Esperavam mudanças, principalmente no modelo econômico excludente. Veio o governo Prodi que nada mudou substancialmente, seguido do governo Massimo Dalema, este com grande alarde da imprensa mundial, pois tratava-se de um ex-comunista no poder. Entretanto, novamente não ocorreram mudanças econômicas. O desencanto com a política fez com que o eleitorado de centro-esquerda em boa parte se abstivesse nas eleições seguintes, o que permitiu o retorno do projeto neo-fascista, autoritário e corrupto com Berlusconi. Na França um fenômeno semelhante. Depois de um governo de direita conservador, que começou a privatizar empresas, permitindo a concentração de riquezas e a eliminação de postos de trabalhos (Jupé e Chirac), os franceses escolhem uma maioria de esquerda para governá-los, maioria parlamentar esta que impõe ao Presidente conservador (Chirac) a escolha de um primeiro ministro socialista, com apoio do parlamento (Jospin). Com Jospin e os socialistas no poder, entretanto, não houve grandes mudanças, sendo que o modelo econômico de privatização pouco mudou. Mudou o ritmo, mudou o discurso (em parte, pois Jospin fez por vezes um discurso de direito penal e de polícia típico da direita), mas a política econômica substancialmente continuou a mesma. Findo quatro anos como primeiro ministro Jospin se candidata a Presidente da República e sequer consegue ir para o segundo turno, perdendo para o fascista Le Pen e para Chirac, que se candidatou para a reeleição. O que aconteceu foi que o eleitorado de centro-esquerda, mais politizado se recusou a votar, desencantado com a ausência de uma política de esquerda na área econômica, cedendo espaço para a direita, e como em todo o momento de crise, para os fascistas que apelam para um discurso emocional fácil, fundado no carisma pessoal de um líder e em apelos racistas simplificadores como explicação dos problemas.


Este é o quadro de uma democracia representativa em crise em boa parte do mundo. Quadro este perigoso pois leva ao descredito a política, e logo a democracia, e o Direito, e logo o Estado de Direito e tudo o que isto representa: a Constituição como limitadora do poder e dos Direitos Humanos como garantia de dignidade. O nó da questão consiste na transformação da economia em um espaço para técnicos, onde a política e o Direito não entram. É fundamental desconstruir esta ideologia para que visualizemos os problemas concretos: a) o antagonismo vertical entre capitalismo conservador e a possibilidade de dignidade e inclusão; b) o antagonismo vertical entre fundamentalismo religioso cristão conservador que sustenta ideologicamente o projeto econômico conservador e a tolerância, a diversidade horizontal e a democracia; c) finalmente visualizar com clareza a manipulação ideológica das massas pelo meios de comunicação em mãos do capital conservador ou a serviço deste.


O que resta de uma democracia representativa em crise são espetáculos patéticos como o que se vê no episódio do salário mínimo no Brasil: um governo de um partido historicamente de esquerda, adota políticas de direita (especialmente na economia), e negando toda a coerência com o passado, talvez percebendo que o governo de direita que o antecedeu estivesse "tecnicamente correto" propõe um aumento de salário mínimo excessivamente modesto, mas "tecnicamente" adequado.


Era de se supor que a direita, que sempre promoveu aumentos modestos, mas "tecnicamente corretos" segundo seu modelo, apoiasse esta política "responsável"(ser responsável hoje é ser de direita!?) do governo de esquerda com políticas de direita (aliás a direita para ser coerente tinha que apoiar o governo em quase tudo). Entretanto, para "espanto" de muitos, a direita faz oposição a sua própria política, defendendo um salário mínimo maior, "mais justo", mesmo que tecnicamente irresponsável. Irresponsáveis são todos. O governo por não ser o que dizia ser e a direita por não ser o que é. O governo é irresponsável no momento que não é o que prometeu ser, comprometendo a democracia e o Estado de Direito, adotando o discurso conservador de políticas responsáveis, porque tecnicamente adequadas, e a direita é irresponsável por brincar de ser oposição não apoiando o que sempre defendeu mostrando que nunca acreditou no que fez e nem no que faz. O mais patético foi a comemoração mostrada pela imprensa. Comemoraram o novo salário mínimo, que mesmo sendo de R$275,00 continua ridículo, como se comemora um gol na copa do mundo. De volta ao poder a direita vai fazer o que sempre fez, e o salário para eles, vai voltar a ser o tecnicamente responsável, como a esquerda faz agora. Transformaram a política em um jogo irresponsável de concorrência pelo poder. Lembremos que a irresponsabilidade não está no fato de descumprir o tecnicamente indicado, a irresponsabilidade esta no fato de terem abandonado a política democrática transformando-a em um jogo por poder à direita ou em uma negativa de exercício de poder político à esquerda. Quanto aos que se auto proclamam radicais de esquerda se aliando a direita na comemoração do novo salário mínimo, estes parecem que estão continuando a ajudar na legitimação de algo que eles querem combater: a democracia burguesa, pois bem sabem que jamais vão alcançar o que querem através do jogo parlamentar. Lembremos as palavras do filósofo esloveno Salavoj Zizek em dois momentos: "Na vida diária fingimos desejar coisas que não desejamos, e assim, ao final o pior que nos pode acontecer é conseguir o que ‘oficialmente’ desejamos." Citando parte da esquerda européia que joga um jogo no qual não acredita afirma e insiste em meros discursos inflamados mas inconsistentes: "é claro que sabem (que seu discurso é inviável ou inconsistente) mas contam com o fato de que suas exigências não serão atentidas – e assim eles continuam hipocritamente a manter limpa sua consciência radical sem perder sua posição privilegiada."


Slavoj Zizek, um dos importantes interlocutores sobre o debate do pensamento político da esquerda contemporânea, nos lembra que não devemos embarcar no convite da direita conservadora que nos diz que devemos simplesmente escolher um dos dois lados na guerra contra o terrorismo. Existem vários lados e o mundo é extremamente mais complexo do que o maniqueismo simplificador do pensamento fundamentalista conservador. Segundo Zizek, "quando as escolhas são muito claras a ideologia se encontra em seu estado mais puro e as verdadeiras alternativas se tornam obscuras." A democracia liberal não é a alternativa ao fundamentalismo. Não devemos abandonar a busca por uma sociedade onde outros valores que não o consumo, o dinheiro, o materialismo e a concorrência sejam preponderantes. A busca da utopia nos faz realizar coisas aparentemente impossíveis, principalmente quando o que se deve transformar somos nós mesmos.

É proibido fumar



Ih, vai demorar...

Sobre Márcio Lacerda, candidato da "Aliança" (parte 4)

Está estranho. Está muito estranho. O Márcio Lacerda não quer aparecer nos debates. Como é que pode haver diálogo entre as propostas dos candidatos se eles não aparecem?

Acho que é porque ele poderá se exaltar - como se exaltou com a Jô, quando esta perguntou, sobre a empresa Construtel (de propriedade de Lacerda) se a "fábrica" devia impostos à prefeitura. Ah, pra quê! O candidato da "Aliança" saiu do salto, perdendo a pose de executivo equilibrado.


Pois bem. E, a cada dia que passa, percebo que esse "camagada" não entende lhufas da cidade. Por quê?

Eu ouvi hoje de manhã o Horário Eleitoral - sim, eu escuto. E o primeiro programa foi o do Márcio. Enquanto tomava café, ouvia aquela ladainha de sempre. Até o momento no qual ele disse que vai criar um tal de "Corta-Caminho". Uma espécie de via de atalho entre duas avenidas grandes.

No programa, Lacerda diz que o plano dele é unir Cristiano Machado com Andradas, sem ter que passar pelo Centro. Subentende-se que, hoje, para você fazer esse caminho, você tem que ir obrigatoriamente para o Centro. Acorda, Zona Leste! A Av. Silviano Brandão tá lá fazendo o quê? Servindo de enfeite???


Ideologias





Patinhas ou Metralha?

Do blog do Massote:


Agora falta saber quem são os Irmãos Metralha nessa história...

"com lula tudo bem..."


O blog constantemente relata a falta de escrúpulos de certos políticos. Esses utilizam-se do poder de persuasão de seus marqueteiros para criar imagens politicamente favoráveis. Se apoiar Judas e criticar Jesus é popularmente bem visto, os políticos aderem à medida sem quaisquer constrangimentos. Caso contrário, mudam de opinião. Não importa mais a ideologia política.


Um bom exemplo dessa falta de coerência é a atual campanha do Geraldo Alckmin para a Prefeitura de São Paulo. A fim de ganhar o eleitor anti-petista e não perder os lulistas, Alckmin colocou um jovem negro (tinha que ser negro) em seu programa político afirmando: “Com Lula tudo bem, o problema é o PT”. Tal método não é novo na campanha do tucano. Para se mostrar como uma pessoa próxima das camadas populares nas eleições de 2006, ele ser era chamado de Geraldo nas propagandas e aparecia constantemente em público fazendo coisas considerados como da população carente. Comer buchada de bode no nordeste foi uma delas.


O mesmo Alckmin que criticava o Lula por sua falta de preparo para a presidência da República em 2006, agora afirma que ele merece crédito. Será que a sua opinião mudou tão rápido em dois anos? Ele se referia muito à falta de estudos do petista e à falta de competência para gerir assuntos internacionais.


Com 64% de aprovação, o governo Lula a cada dia perde oposição. Não se preocupam mais em criticar o governo, uma vez que tal ação pode atrapalhar a imagem do político que a praticar. Estão se voltando contra o PT e desassociando a imagem do partido com a do presidente. Já não vêem mais o presidente como forte ameaça, uma vez que não vai mais poder se candidatar e se mostrou flexível a alianças eticamente suspeitas.


Fazendo uma análise da pesquisa Data Folha para Prefeitura de São Paulo podemos perceber porque o candidato tucano está agindo dessa maneira. A intenção do político é ganhar votos da Suplicy nas regiões mais carentes da cidade e tirar votos do candidato do Kassab, que, provavelmente, são votos anti-petistas.

Sobre Márcio Lacerda, candidato da "Aliança" (parte 3)

Trago a todos e todas que nos acompanham um texto postado no blog do Caio César. A reflexão que ele faz a seguir é bem pertinente com o que defendemos aqui neste diário. Posto alguns excertos. O texto na íntegra pode ser lido neste link.


Eleições Municipais em BH 2008

Estamos a algumas semanas do pleito municipal e o cenário que se desenha é preocupante: um candidato que ninguém conhece está liderando as pesquisas, graças - numa análise bem simplista - a duas coisas: 1) Este candidato tem muito mais tempo na TV e no rádio do que seus oponentes; 2) O candidato recebe o apoio do atual prefeito (que é do PT) e do atual governador (que é do PSDB), numa anomalia que nenhuma liderança nacional dos dois partidos aprovou. Isso só acontece em BH.

Sobre a questão do tempo no rádio, não cabe muito comentário, pois é a lei. E lei se cumpre, mesmo que nosso presidente fale o contrário.

Agora, sobre a questão do apoio e do que parece estar acontecendo com a cidade, não posso deixar de me manifestar para, num esforço quase inútil, tentar evitar que se repita em BH o que aconteceu no Brasil em 1989. Na ocasião, foi eleito um camarada que ninguém conhecia e que foi pintado como a salvação. A realidade e as conseqüências, todos sabemos, foram bem distintas do que as boas intenções dos eleitores imaginavam. Por isso, peço a todos que reflitam um pouco sobre isso antes de votar e tentem fazer esta reflexão propagar para que não fiquemos presos por oito anos a uma situação de desconforto.

Vamos prestar atenção, então, em algumas coisas sobre o Márcio Lacerda:


1. A frase que ilustra este post foi destacada na revista Época da semana passada [29 de agosto de 2008]. O Patrus, todos os belo-horizontinos conhecem e respeitam, mesmo que não sejam partidários do PT (eu não sou). O Patrus é, para BH uma referência - apesar de ter subido em palanque no ano de 2006 ao lado de Newton Cardoso (como bem me lembrou a Cristina por e-mail - obrigado!). Se ele fala uma coisa dessas sobre o candidato, certamente, temos que observar e anotar.

Pense bem. O Márcio Lacerda é descrito como alguém que se envolve há um bom tempo com as questões de interesse da coletividade. Entretanto, ninguém o conhecia em BH (estranho, né?); tanto que seus primeiros programas na TV e no rádio foram dedicados a apresentá-lo. Algo que se fez muito mais necessário com ele do que com o Gustavo Valadares e o Leonardo Quintão - seus adversários - por exemplo. Com estes, esta apresentação foi mais curta pois a população já os conhecia (peguei estes dois como exemplo pois o Sergio Miranda e a Jô Morais todos já conhecem de longa data).

Então, gente. Se o Márcio Lacerda é o arauto da luta pela liberdade como clamam Pimentel e Aécio, por qual motivo ninguém o conhecia até hoje? Por que ele nunca apareceu? Suspeitem disso!


2. O Márcio Lacerda engorda a lista de gente que se beneficiou com o mensalão (procure o número 39 da lista). Isso não pode passar batido! Por mais que ele “tenha sido inocentado” após investigação, vamos nos lembrar da indignação da população com relação a apuração destes fatos! Todos sabemos que houve marmelada e tudo acabou em pizza. Agora este cara, que fez parte de um dos maiores escândalos do país está prestes a ser eleito. Gente do céu. Pensem nisso! Queremos um mensaleiro como prefeito de BH? Mesmo?

Mais uma vez peço a todos que reflitam um pouco: Ele não foi acusado injustamente. Há alguém naquela lista por acaso? Onde há fumaça, há fogo. Uma das estratégias usadas em sua campanha para a prefeitura é falar da trajetória pública no ministério da integração nacional (então pasta do Ciro Gomes) e na secretaria estadual de desenvolvimento econômico do governo Aécio Neves. Pois bem, basta procurar um pouco para ver que ele foi um dos principais doadores da campanha de Ciro para a presidência em 2002. Em 2003 ele foi chamado pelo então ministro Ciro para um cargo bem importante. Coincidência? Claro que não!

Ele foi desligado do ministério em função do escândalo do mensalão. Mas isso ninguém comenta. Depois do desligamento, assumiu a secretaria de desenvolvimento econômico do estado, atendendo chamado do governador Aécio, que já planejava montar um cenário favorável para a prefeitura de BH e precisava de um nome. Márcio se encaixou no perfil como uma luva. Todo cuidado é pouco.


3. Por último, dedico-me a explicar o motivo pelo qual sempre me refiro a um futuro de oito anos de sofrimento em BH se a cidade escolher o Márcio Lacerda como seu prefeito. Embora o mandato seja de quatro anos, se ele for o escolhido, a cidade estará fadada a sofrer por dois mandatos. Explico: a campanha do candidato tem usado como um de seus pilares de sustentação as obras do governo e da prefeitura, sob o argumento de que “se ele não for eleito, isso não vai continuar”. Bem, devo confessar que isso me deixa especialmente chateado. Em primeiro lugar por tratar o eleitor como imbecil (as pesquisas parecem mostrar que eles são mesmo): será que todos os outros candidatos interromperão as obras? Será que o diálogo entre a prefeitura e o governo acabará se o prefeito não for o Márcio? Será mesmo? É lógico que não! Acordem!

Antes de elogiar este candidato, percebam que no último ano, a prefeitura realizou obras de recapeamento de vias na av. Amazonas e Pedro II e vem arrastando as obras da duplicação da Av. Antônio Carlos numa lentidão que só quem passa por lá todo dia sabe. Qual o motivo disso? Bem, parece claro que é mostrar para todo mundo na cidade que a prefeitura trabalha (no Brasil, infelizmente, trabalho do poder público é confundido com obras)…

Outra obra grandiosa que é associada ao Márcio Lacerda é a Linha Verde. Bem, em primeiro lugar, tente achar o cronograma da obra. Eu não consegui. O máximo que pude chegar perto foi este depoimento (que replico aqui - em tempos de censura em Minas (mais), sabe-se lá onde isso vai parar, né?) que relata que a obra estaria pronta em 2006/2007. Já é 2008, pessoal. E a linha verde nunca amadurece.

Enquanto isso, as pessoas sofrem no trânsito diariamente enquanto o canteiro de obras é mostrado amplamente na campanha do Márcio Lacerda. Aí eu pergunto: se estas obras citadas, somadas à “reorganização” do complexo de viadutos da Lagoinha não são eleitoreiras, o que é?
E mais: se isso é prática agora, para eleger um desconhecido mensaleiro, o que este mensaleiro não fará quando for a sua vez de se reeleger? Por isso temo pelos próximos oito anos em BH.

(...)

Mas antes de decidir por anular seu voto, conheça os candidatos (os que eu encontrei site foram referenciados em seus sites de campanha; os outros foram referenciados em seus perfis no site do Uai):
  1. Jô Morais
  2. Sergio Miranda
  3. Leonardo Quintão
  4. Jorge Periquito
  5. Gustavo Valadares
  6. Vanessa Portugal
  7. Pedro Paulo
  8. André Alves
  9. Márcio Lacerda (este clonou seu site do Barack Obama. Nem pra fazer um site honesto ele presta)

Adicionalmente, recomendo a todos acompanhar os portais Transparência Brasil e Excelências (afinal, vários dos candidatos são deputados) e também as informações do TSE a respeito dos candidatos.

Por fim, nunca é demais reforçar: Informe-se! Não faça besteira com seu voto!

Enquanto isso, na Bolívia...

Acabei de ler a notícia de que a oposição boliviana finalmente pôs fim aos bloqueios de estradas que deixaram incomunicáveis por semanas os cinco departamentos mais rebeldes da Bolívia: Pando, Beni, Chuquisaca, Tarija e Santa Cruz. Agora, o governo deverá ceder e cumprir algumas exigências dos líder oposicionistas (como a restituição do imposto do gás que havia sido desviado para o aumento da pensão para idosos) para recolocar a situação de volta ao eixo.

Fui à Bolívia há poucos meses, e o que vi foi um país extremamente dividido, econômica, politica e socialmente. Tudo meio que gira em torno da altitude: nas terras altas do oeste no chamado altiplano boliviano, a maioria da população é descendente de índios pré-colombianos andinos e as línguas quechua e aymará (falada com fluência pelo presidente Evo Morales) ainda são largamente utilizadas nesta que é a parte mais pobre da Bolívia. Fazem parte dessa região várias cidades politicamente importantes do país, como La Paz, Cochabamba e Oruro.

Já na outra metade ocidental, que corresponde às terras baixas da Amazônia, Pantanal e do Chaco, a população se assemelha mais com os brasileiros do que com os bolivianos das terras altas. A migração européia para essa parte foi muito maior, e graças aos solos férteis das planícies os grandes latifúndios altamente produtivos são responsáveis (junto com a exportação do gás natural, que é abundante nessas áreas) pelo maior desenvolvimento econômico da região. A cidade de Santa Cruz de La Sierra é de longe a mais importante desse grupo.

Sabendo disso, fica fácil entender essa eterna inimizade entre La Paz e Santa Cruz, que tomou destaque internacional em junho passado após a realização do peblicisto pela autonomia departamental organizado pelos governadores da oposição nos departamentos do leste e não reconhecido pelo governo federal. A motivação do movimento foi simples: os departamentos mais ricos queriam que os impostos vindos da exportação do gás sejam investidos lá mesmo, enquanto Evo destina a maior parte dos recursos para o altiplano, parte mais populosa e pobre do país.

Mas talvez o buraco ainda esteja mais embaixo. Durante minha viagem, enquanto fotografava o Clube Social de Santa Cruz de La Sierra na Praça 24 de Setembro, fui abordado por um simpático senhor chamado Miguel. Ele me disse ser sócio do clube há longa data, e me convidou para conhecer a área interna do edifício. Fui, e começamos a conversar sobre a autonomia. Quase meia hora depois, saí de lá completamente convencido que o xis da questão não imposto, dinheiro, taxa ou nada do tipo. É racismo, puro.

"Nós aqui somos muito diferente daqueles kollas", me explicou pacientemente o velhinho. "Nós somos felizes, gostamos de fazer festa, como os brasileiros. Eles são pão-duros, não sabem viver bem e são preguiçosos. São uma raça maldita", disse, e enumerou por mais alguns minutos todas as diferenças físicas, mentais e psicológicas entre essas duas supostas sub-espécies do gênero humano. Mas a conclusão final ficou para um outro senhor do Clube Social, que se animou com a conversa e, pensando que eu era gringo, se aproximou e começou a gritar, gesticulando como se segurasse um revólver imaginário: "They're a fucking race! A fucking race!".

Eu, claro, fiquei chocado, e ainda estou um pouco. Me pergunto o que a humanidade aprendeu depois de Hitler, do apartheid e da guerra dos Balcãs, mas me apavora ainda mais imaginar o que será de um país como a Bolívia, extremamente pobre, envolto em conflitos civis e dividido ao meio pela mesquinhez irracional do racismo.

Nessas horas e com o pré-sal bombando, todo aquele bafafá da Petrobrás-Bolívia parece briga de Davi e Golias, não é?


Señor Miguel: "São uma raça maldita"

Heavy metal do senhor



Heavy Metal do Senhor - Zeca Baleiro

O cara mais underground
Que eu conheço é o diabo
Que no inferno toca cover
Das canções celestiais
Com sua banda formada
Só por anjos decaídos
A platéia pega fogo
Quando rolam os festivais...

Enquanto isso Deus brinca
De gangorra no playground
Do céu com santos
Que já foram homens de pecado
De repente os santos falam
"Toca Deus um som maneiro"
E Deus fala
"Agüenta vou rolar
Um som pesado"

(...)


"Uma igreja no subúrbio de Bogotá, na Colômbia, está atraindo fiéis unindo religião com heavy metal. A igreja se chama Pantokrator, que significa "todo poderoso" em grego. Veja o vídeo.

As missas, que são realizadas duas vezes por semana, começam de maneira tradicional, com a comunhão com pão e vinho. Mas terminam com um show da banda de heavy metal da igreja, que toca músicas com letras bíblicas.

Apesar de seguir ritos tradicionais, a Pantokrator não é reconhecida pela Igreja Pentecostal, a qual diz ser filiada."

(fonte: FSP)


Vale a pena assistir.

Aula de Direito. zzzzzzzzzzzzzzzzz


Sexta Feira, 7:40. Aula de Direito das Obrigações.

O Mundo está acabando e eu na aula de Direito das Obrigações fazendo um esforço tremendo para entender o significado da palavra plúrima. Enquanto milhares de pessoas morrem de AIDS na África, outras praticam trabalho escravo na China ou no Brasil, e muitas são discriminadas nos EUA, estou tentando entender o significado da palavra plúrima.

Plúrina?! Qual o valor dessa palavra? Qual é o sentido de entender o Direito das Obrigações, já que o Direito só atende a uma classe socialmente privilegiada, que, mesmo sem perceber (ou percebendo), esmaga as classes mais pobres, explora de quem nada tem para satisfazer seus caprichos, seus desejos incessantes por consumir. Conseguem, por meio da alienação do trabalho, alimentar uma sociedade individualista, com pessoas egoístas, capazes de fazer o mal com o intuito apenas de alimentar o próprio ego.

Para que perder tanto tempo estudando o Direito, já que o Direito à diferença só existe nos livros? Negros são diariamente discriminados por nossos olhos sedentos por afirmação, por violência. As mulheres são tratadas como objetos, da mesma forma em que se dão as relações entre pessoas em nossa sociedade descartável. Os Judeus, os mesmo que foram massacrados em campos de concentração nazistas, agora humilham Palestinos em suas próprias casas, ignorando a humanidade desse povo sofrido.

Possuímos uma Constituição que se diz democrática, que preza por Direitos Fundamentais. Contudo, dentro desses Direitos possui o de Propriedade, que é um dos responsáveis pelas grandes desigualdades em nosso país. Temos uma Constituição que é dita como do povo, mas que, tampouco, pode ser modificada ou substituída por esse mesmo povo.

Devemos esperar por mudanças? O que a sociedade melhor nos impõe é a espera. A espera pelo vestibular, pelo primeiro emprego, pelo primeiro salário digno, pelo casamento, pelo primeiro filho, pela aposentadoria, pela morte. Será que vale a pena? Estamos no mundo apenas para satisfazer nossos desejos egoístas? Ainda não descobri a resposta. A única certeza que tenho é que a aula acabou e ainda não descobri o significado da palavra plúrima.

Cheiro estranho



Não entendeu? Clique aqui e depois aqui.

Justiça Eleitoral proíbe uso de efeitos gráficos na propaganda de Marta e do Kassab


A justiça Eleitoral proibiu a candidata Marta Suplicy e o Gilberto Kassab a utilizarem efeitos de computação gráfica em suas propagandas políticas. Ambas as campanhas acataram a decisão judicial e não vão recorrer ao TER-SP. As leis eleitorais proíbem “a utilização em inserções de computação gráfica, desenhos animados e efeitos especiais.”(Folha)

É lamentável o fato de nossas eleições estarem seguindo o exemplo da “democracia” americana. Lá, como aqui, os marqueteiros possuem mais importância do que os próprios políticos. O mais relevante não é ser honesto, ter coerência e ideologia políticas ou ter um histórico de luta pelo bem-estar social. É de grande valia se ter uma imagem que agrade ao imaginário do eleitor. Procuram-se candidatos que pareçam inteligentes, possuam boa aparência (sinônimo de ser branco e bem vestido), tenham boa retórica e carisma. A nosso presidente só conseguiu se eleger quando começou a agir como um homem comedido, elegante, convincente. Ele conseguiu criar uma imagem de mártir, um herói inabalável, incorruptível.


O que se vê nas eleições são propagandas carregadas de músicas, efeitos especiais, qualidade de imagem e emoções fortes. Eu quase choro quando vejo o quão é bonita a amizade entre o Aécio, Pimentel e o Lacerda (que é chamado de Márcio). O que mais me chateia é o fato de o programa Chaves ter mudado de horário. Não consigo mais assisti-lo. Aguardo ansiosamente pelo fim dessas eleições.

Sobre Márcio Lacerda, candidato da "Aliança" (parte 2)

Eu podia tá matando, eu podia tá estuprando, eu podia tá latrocinando, mas eu estou escrevendo. E eu vou pedir cinco minutos da sua atenção.

Como todos sabem, a "Aliança por BH", chapa do Márcio Lacerda, está sendo deveras questionada. Não pela grande imprensa, que está completamente alinhada ao governador Aécio Neves por força de censura remunerada. Mas por nós, cidadãos/internautas, que não sabem de onde vem esse cara - e o pior, ninguém sabe para onde vai.

Bom, saber para onde vai, acho que dá pra saber. Pelo menos depois de ler o texto abaixo, publicado no Vermelho. O texto não é pequeno, mas vale lê-lo. Qualquer semelhança não é mera coincidência.



BH: candidatura de Lacerda faz lembrar dobradinha Maluf-Pitta

A disputa eleitoral pela prefeitura de Belo Horizonte vive uma situação em que um político desconhecido, sacado dos escaninhos da burocracia administrativa, lidera a corrida eleitoral graças ao apoio ostensivo de seus poderosos padrinhos políticos. Esta situação não é uma novidade no histórico das recentes eleições municipais. Em 1996, na capital paulista, um personagem semelhante disputou e ganhou a eleição graças ao apadrinhamento político e uma campanha milionária. O personagem era Celso Pitta e o padrinho político Paulo Maluf. O resultado deste arranjo foi trágico para os paulistanos e Pitta ficou marcado como um dos piores prefeitos que São Paulo já teve.

por Cláudio Gonzalez


O ano de 1996 vai ficar registrado na história das eleições municipais como o ano em que o marketing político conseguiu realmente ''eleger um poste''. O ''poste'', no caso, era o economista carioca Celso Pitta, então secretário de finanças da prefeitura de São Paulo, comandada por Paulo Maluf. Na época, Maluf gozava de grande popularidade. Graças a um ostensivo --e descobriu-se depois, oneroso e cercado de ilegalidades-- programa de grandes obras, seu governo era avaliado com um ótimo índice de aprovação entre mais de 50% dos paulistanos. Mas a reeleição não era permitida e Maluf não poderia ser candidato novamente.

Eis então que surge da cartola do marqueteiro Duda Mendonça a proposta de lançar o desconhecido Celso Pitta como candidato a prefeito pelo PPB (atual PP) --partido de Maluf-- em coligação com o PFL (atual DEM).

Celso Roberto Pitta do Nascimento, na época com 50 anos, era apenas mais um integrante do secretariado de Maluf. Por ser negro e economista com mestrado na universidade de Leeds (Inglaterra) e na de Harvard (EUA), ele concentrava o perfil do homem que ''estudou e venceu na vida''. Era o perfil que Duda Mendonça acreditava ser o ideal para dar continuidade à gestão de Maluf. A crença no cacife político do malufismo e no poder do marketing era tão grande que Duda Mendonça chegou a dizer que conseguiria ''eleger um poste'' e Maluf, por sua vez, botou tanta fé na estratégia que arriscou-se a ir para a TV e dizer: ''votem no Pitta, e se ele não for um bom prefeito, nunca mais votem em mim''.

Assim como está ocorrendo atualmente em Belo Horizonte com a candidatura de Márcio Lacerda, Pitta também viu sua campanha deslanchar com o início da campanha eleitoral no rádio e na TV. Admiravelmente, com menos de quinze dias de veiculação das propagandas dos candidatos, conforme mostra a pesquisa realizada em 14 de agosto de 1996, Pitta já conquistava a liderança das intenções de voto com 28,6%, deixando para trás a ex-prefeita Luiza Erundina e o ex-prefeito Francisco Rossi, que haviam saído na frente da corrida, cada um angariando quase um terço das preferências dos eleitores.

O próprio Duda Mendonça reconhece que a eleição de Pitta foi possível, entre outros fatores, pelo fato do PT ter caído na armadilha de tentar atacar Pitta dizendo que ele era igual ao Maluf. Segundo Duda Mendonça, as pesquisas qualitativas mostravam que era justamente isso que o eleitorado buscava, um ''novo Maluf''. Assim, o PT acabou ajudando a reforçar a campanha de Pitta que, no segundo turno, venceu a eleição com 62,3% dos votos contra 37,7% da petista Luiza Erundina.

Mas a frase de Maluf sobre Pitta acabou sendo usada contra o próprio Maluf em todas as eleições seguintes que disputou. Motivo: Pitta não foi um bom prefeito. Pelo contrário: sua gestão ficou marcada como uma das piores administrações que São Paulo já teve.

O economista formado em Harvard revelou-se um péssimo administrador. Sua principal promessa de campanha, o Fura Fila (uma espécie de trem de superfície) só foi parcialmente finalizado dez anos depois, ao custo total de 1,2 bilhão de reais. Do ''fazedor de obras'' Paulo Maluf, Pitta herdou apenas a prática de mau uso do dinheiro público.

A administração Pitta foi cercada de denúncias de corrupção, entre elas a de que uma máfia de fiscais atuava na prefeitura com a cumplicidade do prefeito e da base governista de vereadores na Câmara Municipal. O escândalo acabou custando o mandato de Pitta, que foi afastado da prefeitura por ordem judicial. Depois Pitta entrou com recurso e recuperou o mandato. Ao terminar seu mandato, o ex-prefeito era réu em treze ações civis públicas, acusando-o de ilegalidades. O valor das denúncias somadas alcançou 3,8 bilhões de reais, equivalente a quase metade do orçamento do município na época. A dívida paulistana passou na sua gestão de 8,6 bilhões de reais em 1997 para 18,1 bilhões de reais. Sua popularidade foi a mais baixa já registrada por institutos de pesquisa: 83% dos paulistanos consideravam a sua gestão ruim ou péssima no fim de 2000. Tendo se candidatado a deputado federal nas eleições de 2002 e nas de 2006, não foi eleito.

Recentemente, Pitta voltou à berlinda após ser preso na Operação Satiagraha da Polícia Federal, junto com o banqueiro Daniel Dantas e o especulador Naji Nahas, sob a a cusação de participar de uma quadrilha que cometia crimes contra o sistema financeiro.


Lacerda: o mais rico
O leitor deve estar se perguntando: o que Márcio Lacerda tem a ver com isso? Como disse Marx, a história pode se repetir duas vezes: na primeira vez em forma de tragédia e na segunda como farsa.

A candidatura de Márcio Lacerda guarda muitas semelhanças com a de Pitta. Além de contar com uma campanha milionária, com os mais modernos truques do marketing eleitoral, Lacerda também foi ungido candidato por padrinhos políticos. Só que desta vez, não foi apenas o prefeito de plantão (o petista Fernando Pimentel) quem deu aval para a candidatura, mas também o governador tucano Aécio Neves. Pimentel e Aécio trocaram juras de apoio para 2010 em troca do certame. Assim como Maluf fez em 1996, Aécio também sacou de sua lista de secretários um nome para ser o candidato da continuidade. O empresário Márcio Lacerda foi secretário de Desenvolvimento Econômico do Estado de Minas Gerais.

Assim como Pitta, Lacerda carrega o perfil do homem que ''venceu na vida''. Tanto que hoje, com um patrimônio declarado de R$ 55 milhões, é o candidato mais rico a disputar a prefeitura de uma capital. Depois dele, vem Maluf com um patrimônio de R$ 39 milhões.

Curiosamente, Lacerda, assim como Maluf, começou a fazer fortuna durante o regime militar. O mesmo regime que Lacerda diz ter combatido. Aliás, esta é justamente a bandeira que Lacerda tem erguido para se apresentar ao eleitorado mais resistente à influência dos padrinhos políticos. Enquanto Pitta brandia a condição de ser um candidato negro para conquistar o voto dos eleitores mais progressistas, Lacerda acena com seu passado de militante de esquerda.

Mas mesmo esta trajetória tem sido questionada. Matéria recente da Folha de S. Paulo diz que ''a vida empresarial de Lacerda é marcada pelo regime militar (1964-1985): inicialmente uma vítima da ditadura, depois passou a receber ajuda dos militares e, em 1973, se tornou empresário do ramo de telecomunicações com a colaboração de oficiais ligados ao Exército''.

Questionamentos surgem também em relação ao comportamento ético de Lacerda. Uma das denúncias dá conta de que o patrimônio de Márcio Lacerda aumentou, e muito, quando era dono das empresas de telecomunicações Batik e Construtel, nos anos 80 e 90.

Lacerda tinha como importante contato o diretor da Telemig na época, Roberto Lamoglia. Em 1998, a Construtel chegou a faturar 255 milhões de dólares! Após a privatização das companhias telefônicas, ambas Construtel e Batik sofreram queda vertiginosa no faturamento. A Batik foi vendida e a Construtel desativada. O site “novojornal” apresentou documentos que comprovavam o superfaturamento de Lacerda no fornecimento de serviços por parte de suas empresas às estatais Telemig e Telebrás. O ''lucro'' era dividido com Roberto Lamoglia, diretor das estatais.

Em 2005, quando era secretário-executivo do Ministério da Integração Nacional, ele apareceu na célebre lista do publicitário Marcos Valério, de sacadores de dinheiro do ''mensalão'', e teve de se demitir por isso.

A imprensa mineira tem praticamente ignorado as denúncias e o passado de Lacerda. Apresenta-o apenas como um empresário bem sucedido, o afilhado político de Aécio e Pimentel e o novo ''fenômeno'' da política mineira. Também dão como certa sua vitória no primeiro turno das eleições. Resta saber se, neste caso, a ''profecia'' de Marx sobre a repetição da história irá se concretizar.

Por via das dúvidas, os eleitores de Belo Horizonte têm nas mãos, literalmente, o poder do voto e, portanto, o poder de impedir que Belo Horizonte passe por uma experiência tão danosa quanto a que São Paulo experimentou com a eleição de Celso Pitta.

E cadê o Lacerda?

Até tu, Folha?

E o debate, o que é?

Um palco bizarro!

Semana passada houve o debate na UFMG entre os candidatos à prefeitura de BH. Para variar, Marcio Lacerda não foi, mandando seu vice, Roberto de Carvalho, como representante da chapa da Aliança.

Bom, até aí, tudo bem. Até o momento no qual um estudante de Engenharia perguntou para o Roberto como é que ele aceitou o convite de entrar numa chapa liderada por um mensaleiro. A resposta foi não tão curta, mas muito grossa.

Vide vídeo.

Sobre Márcio Lacerda, candidato da "Aliança"


Eu tenho que falar daquilo que eu fiquei sabendo a respeito de Márcio Lacerda, candidato à Prefeitura de Belo Horizonte (MG) pela coligação Aliança por BH (PT-PSB e, informalmente, Aécio e PSDB). Não deixe de clicar nos links abaixo!

Acho que todo mundo já sabe que o Márcio Lacerda era um dos envolvidos no esquema do Mensalão (leia na Folha Online sobre o fato em si, e no UOL sobre a ausência deles nos jornais no período pré-eleitoral; aqui, o site do relatório parcial da CPI dos Correios). O que eu (pelo menos) sempre quis saber é como o referido candidato conseguiu formar o seu patrimônio declarado de R$ 55 milhões.

A matéria abaixo foi publicada no Novo Jornal (leia sobre a publicação no Observatório da Imprensa). Curiosamente, dois dias depois, o Ministério Público, (boatos dizem que por "solicitação" de Aécio Neves) conseguiu tirar o site do ar (leia aqui e aqui sobre o referido embate).
Acho que vale a pena ler e REPASSAR A TODOS! E se Márcio Lacerda tem a TV, nós temos a internet!


QUEM É MÁRCIO LACERDA?

Com a aprovação de seu nome como candidato do PSB, em aliança com o PT, para a sucessão municipal em Belo Horizonte, começa a vir à tona denúncia envolvendo o atual secretário de Estado de Desenvolvimento Econômico, Marcio Lacerda (PSB).

Segundo uma das denúncias, o crescimento patrimonial de Marcio Lacerda ocorreu quando o mesmo comandava as empresas de telecomunicações Construtel e Batik, de sua propriedade, nos anos 80 e 90.

Neste período, seu principal contato era Roberto Lamoglia, que esteve na direção da Telemig, posteriormente, na da Telebrás.

À época, a Telemig esteve entregue a Saulo Coelho.

A Polícia Federal abriu, no período, inquéritos para apurar irregularidades que envolvia diversos personagens do PSDB e outros que migraram para o PTB.

A Construtel chegou a faturar em 1998 US$ 255 milhões. Com a privatização das empresas do setor de telefonia, os negócios de Marcio Lacerda começaram a cair.

Os lucros despencaram abruptamente. Em 2004, o faturamento da Construtel foi de R$ 2,4 milhões. Logo depois, ele vendeu a Batik e desativou a Construtel.

A correspondência encaminhada ao Novojornal, acompanhada de documentação, comprova o superfaturamento no fornecimento das centrais telefônicas de suas empresas à Telemig e à Telebrás, demonstrando ainda que Marcio Lacerda dividia parte dos "lucros" com o então diretor das estatais, Roberto Lamoglia.

A documentação é extensa e envolve outros políticos e ex-políticos mineiros do PSDB, PTB e PP. As informações são tão graves que antes de divulgar o nome dos envolvidos Novojornal decidiu por solicitar pareceres e certidões.

O esquema montado por Marcio Lacerda chegou, inclusive, a ser questionado pelo Tribunal de Contas da União e por entidades representativas dos setores patronal e sindical.

Subscritores da denúncia, à época, e atuais integrantes do grupo que encaminhou a documentação para o Novojornal alegam que o fazem na defesa do patrimônio público, acrescentando: "Lacerda, naquela época, não ocupava nenhum cargo público. No entanto, conseguiu se enriquecer fazendo negociatas com empresas públicas. Imaginem este senhor no cargo de prefeito de Belo Horizonte! Não vai sobrar para ninguém."

Doações

Preferido do governador tucano de Minas Gerais e do prefeito de BH, Fernando Pimentel (PT), para ser candidato da pretendida aliança eleitoral PSDB-PT na capital mineira, Marcio Lacerda doou para campanhas eleitorais o valor de R$ 1,15 milhão em 2002.

As doações foram feitas em nome de Marcio Lacerda (R$ 750 mil) e da Construtel Projetos e Construções (R$ 400 mil).

Em 2002, o generoso Marcio Lacerda doou a Ciro Gomes, candidato a presidente pelo PPS, a quantia de R$ 950 mil – 82% do total arrecadado.

Não por outro motivo, ele foi escolhido por Ciro para ocupar o cargo de secretário-executivo do Ministério da Integração Nacional.

O segundo maior beneficiado, com R$ 100 mil, foi o presidente do PPS, Roberto Freire (PE), candidato a deputado federal naquela ocasião.

Também receberam doações os candidatos a deputado federal pelo PPS-MG, Juarez Amorim, atual diretor da Copasa, e Ronaldo Gontijo, R$ 20 mil cada um, além de Sérgio Miranda, R$ 10 mil.

O candidato a deputado estadual pelo PT-MT Gilney Amorim Viana recebeu R$ 50 mil.

Mensaleiro

Em 2005, Lacerda deixou o Ministério da Integração Nacional após seu nome aparecer como suposto beneficiário de R$ 457 mil do esquema do mensalão.

De acordo com o publicitário Marcos Valério, o dinheiro teria sido pago em duas parcelas, em 2003.

Na ocasião, o então secretário-executivo da Integração Nacional confirmou três encontros com o publicitário.

Valério registra um primeiro pagamento a Lacerda, no valor de R$ 300 mil, em 16 de abril de 2003. O segundo pagamento, de R$ 157 mil, teria sido feito dois meses depois, em 17 de junho.

Em abril de 2007, Lacerda aceitou o convite do governador mineiro para ser secretário. Cinco meses depois, ele foi filiado ao PSB pelo tucano, que já pensava em um nome de um partido neutro para uma aliança PSDB-PT.

O deputado federal e presidenciável Ciro Gomes (PSB-CE) é um dos que trabalha pela aliança.

Publico X Privado, a invenão do Direito Neoliberal


Há no direito, uma antiga divisão técnica entre direito público e direito privado. Sendo que a grosso modo, na primeira esfera, o Estado estaria em um status acima de qualquer outra parte, ou seja, o seu interesse prevaleceria, em tese. Já na esfera do direito privado, o Estado estaria em "pé de igualdade" com a parte contrária, seu interesse jurídico se confronta mas não se sobrepõe ao interesse da contraparte. Meu interesse não é me aprofundar em ladainhas e em velhas liturgias através das quais o direito se auto sacraliza. Mas raciocinemos. A nata do direito privado, o direito civil, na questão de contratos, se esse for portador de cláusulas abusivas, é passível de nulidade, ou anulação, seja o bendito termo que for! Então o Estado interfere. Interefere até no mais privado dos direitos, o de família. Então aonde essa divisão se situaria exatamente? Ora, o direito, estátua de pesestais bambos, como diria Boaventura de Sousa Santos, estátua porque se encontra estanque nos seus própios rituais e tradições, e de pedestais bambos, porque não encotra fundamento social e nem mesmo jurídico para justificar seus costumes empoeirados e perdidos no tempo, bem como seus abusos e o ínfimo ou nenhum retorno social que proporciona à sociedade. Me parece que essa divisão, não passa de uma aberração dualista do Estado Neoliberal para justificar seus desmandos e sua ausência, um estado mínimo para os ricos e máximo para os pobres que adiquirem o status de fodidos por herança genética. O Estado neoliberal e a doutrina do direito por ele desenvolvida, nos adestra ao silêncio e ao medo, e reproduz a própria ladainha nos tribunais e nas academias. Esse mesmo Estado e a doutrina jurídica por ele reproduzida nos diz que é de seu direito cobrar, seja o que for, e o nosso dever reside basicamente onde ele se omite. Esse é o mesmo estado que nos passa a ilusão de que a injustiça social cravado no seio da civlização será resolvida por algumas migalhas de caridade, não dele, mas da própria sociedade. Dos pobres que cuidem vocês mesmo ou Deus se ele não estiver ocupado. Esse é o mesmo Estado que confere aos Bancos direitos infinitos que só a imganinação é capaz de alcançar, e aos fodidos, deveres que só o desespero é capaz de sentir. É o mesmo estado que diz pela lei 7.913/89, que reconhece legitimidade ativa ao Ministério Público para propor de ofício ou a pedido da Comissão de Valores Mobiliários, ação civil pública para evitar prejuízos ou obter ressarcimentos de danos causados aos titulares de valores mobiliários e aos ivestidores de mercado decorrentes de práticas irregulares. Seja lá o que se quer dizer com "práticas irregulares". O Estado, através do seu capacho, o dirreito, que perpetua suas injustiças, diz "público", onde quer prevalecer, e se diz "privado" onde prefere se omitir, a não ser que seja vantajoso "meter o bedelho".

Meu nome é Enéas! - O retorno

É cada macaco que aparece nesse galho... Depois de lançarem um candidato que é apadrinhado político de dois nomes de peso em MG, a moda agora é imitar aqueles que já foram. Desta para uma outra melhor - ou pior, conforme seu ponto de vista.

Em São Paulo, aconteceu de o caboclo se proclamar o filho do Mestre. Não Jesus, seu besta, o Enéas! Veja nota abaixo:


Justiça proíbe imitação de Enéas por candidato de SP

O juiz auxiliar da propaganda da 1ª Zona Eleitoral de São Paulo Claudio Luiz Bueno de Godoy proibiu o candidato a vereador Luciano Enéas Martinez Nantes Soares (PTN) de usar a imagem do falecido deputado federal Enéas Carneiro de forma irregular.

Segundo a decisão, o candidato também não poderá utilizar em sua propaganda a fala, o bordão ou a referência gestual do deputado. Em propaganda do horário eleitoral gratuito, o candidato diz que pretende prosseguir com o trabalho do Dr. Enéas e se apresenta como sendo seu filho.

Apesar de Enéas Filho alegar em sua defesa que seu pai se chamava Osvaldo Enéas e era vereador, Godoy entendeu que houve imitação com o objetivo de "infundir no eleitor a crença em um elo que não existe". O candidato "veste-se, fala, imposta a voz em óbvia imitação de político notório e já falecido, não o vereador Osvaldo Enéas, mas o deputado federal Enéas Carneiro", concluiu o juiz, segundo a assessoria de imprensa do Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP).



Você duvida, ó incrédulo Tomé? Eis o vídeo no Youtube.

Novo Jornal e a censura à imprensa em Minas

Muito se tem discutido nos bastidores da imprensa sob o fechamento do site Novo Jornal pela Justiça mineira no último dia 14 de setembro. De um lado, está Marco Aurélio Carone, o proprietário do site e figurinha política mineira há longa data (segundo o próprio, ele mesmo foi quem iniciou Aécio Neves na juventude do PMDB graças à boa amizade que mantinha com o avô) e simpatizantes. Do outro, meia dúzias de jornalistas que insistem em dizer que Carone não passa de um charlatão, e que o Novo Jornal nunca foi de fato jornalismo sério.


Pra quem tá por fora, vou esboçar um relato resumido do ocorrido. O Novo Jornal, de acordo com Carone, era o único veículo em Minas Gerais que publicava denúncias de corrupção envolvendo membros e empresas do Governo e de capital privado (inclusive relacionadas a telecomunicações, como no bizarríssimo caso da Rede Globo e da CEMIG). O site já havia sido processado algumas vezes por alguns dos denunciados, mas – também de acordo com a versão do proprietário – mostrou provas e evidências relacionadas às matérias publicadas e conseguiu ser absolvido de todos os processos nos quais havia sido acusado.


Mas as coisas mudaram a partir do momento em que o jornal endereçou o tema da campanha do Ministério Público "O que você tem a ver com a corrupção?" ao procurador-geral de Justiça do estado Jarbas Soares. Jarbas, segundo Carone, andava travando várias investigações sobre casos de corrupção nos três poderes e em grandes empresas, privadas e públicas. Mas o procurador levou a ironia a sério; abriu um inquérito contra o Novo Jornal que foi rapidamente acatado por um juiz, que sentenciou uma decisão favorável à retirada do site do ar indefinidamente, “enquanto durarem as investigações”. E assim está até hoje.


O outro lado argumenta que, na verdade, o Novo Jornal publicava denúncias sem pé nem cabeça só para favorecer amigos e parentes de Carone, mas de maneira alguma esse raciocínio justifica a retirada do site do ar. É como se um homem fosse acusado de assassinato e preso antes do julgamento só porque alguém disse que ele era de má índole. E aonde fica a presunção da inocência, direito garantido pela Constituição?


O que aconteceu com o Novo Jornal só pode ser chamado de censura prévia, já que o direito de liberdade de expressão – também presente em nossa carta magna – foi completamente ignorado pelo MP e pelo juiz que expediu a sentença de retirada do site do ar. Além do mais, se denúncias sem pé nem cabeça fossem motivos pra fechar um veículo de comunicação, todos hão de convir que Veja já teria sido fechada há muito tempo.


Fica assim registrado então mais um caso de censura à imprensa em Minas Gerais, prática que, após a demissão do Cajuru e a divulgação dos vídeos no Youtube que tratam do assunto, já está claro que virou praxe.


E depois ainda perguntam ao Massote porque o Aécio foi reeleito com 70% dos votos. Isso e todo o resto ficam meio óbvios agora, né?




Dia do Não à Alca

Aconteceu em
1º de setembro



2002 - Dia do Não à Alca

Começa (até 7/9) o Plebiscito não oficial sobre a participação do Brasil na Alca (Área de Livre Comércio das Américas): 98,32% dos 10.234.143 votantes (em 41.758 urnas) votam que o Brasil não deve assinar o Tratado desejado por Washington.

Imagem usada
na campanha
pela internet



1920:
O censo demográfico passa a ser nesta data: o país tem 30 milhões de habs. Em 1940 é medida a taxa de urbanização: 31%. Em 1970 a população urbana passa a maioria (55%). Em 1990 Collor corta a verba do IBGE e atrasa o censo em 1 ano.


1939:
A Alemanha invade a Polônia; começa a 2ª Guerra Mundial (o Brasil participa após 2/7/44).


1952:
Os sindicalistas já não precisam tirar atestado de ideologia.


1971:
Plebiscito no Egito, Síria e Líbia aprova a criação da Federação das Republicas. Árabes.


1978:
1ª greve geral dos bancários de São Paulo pós-1964.


1978:
Escolha dos governadores (só o do Rio de Janeiro é da oposição, adesista) e dos senadores "biônicos".


1981:
A CPT denuncia a prisão dos pes franceses Camio e Gouriou, por apoiarem posseiros do sul do Paraná.
Os religiosos
presos


1981:
Golpe na Republica Centro-Africana.


1986:
Greve dos ônibus pára São Paulo.


1992:
OAB e ABI pedem o impeachment de Collor ao pres da Câmara.

Chamando para o debate

Pessoas,

amanhã, no campus Pampulha da UFMG, teremos debate entre os candidatos à Prefeitura de BH.

Apareça:
11h30, na Praça de Serviços.

Completamente gratuito e aberto.