Sobre Márcio Lacerda, candidato da "Aliança"

Eu tenho que falar daquilo que eu fiquei sabendo a respeito de Márcio Lacerda, candidato à Prefeitura de Belo Horizonte (MG) pela coligação Aliança por BH (PT-PSB e, informalmente, Aécio e PSDB). Não deixe de clicar nos links abaixo!
A matéria abaixo foi publicada no Novo Jornal (leia sobre a publicação no Observatório da Imprensa). Curiosamente, dois dias depois, o Ministério Público, (boatos dizem que por "solicitação" de Aécio Neves) conseguiu tirar o site do ar (leia aqui e aqui sobre o referido embate).
QUEM É MÁRCIO LACERDA?
Com a aprovação de seu nome como candidato do PSB, em aliança com o PT, para a sucessão municipal em Belo Horizonte, começa a vir à tona denúncia envolvendo o atual secretário de Estado de Desenvolvimento Econômico, Marcio Lacerda (PSB).
Segundo uma das denúncias, o crescimento patrimonial de Marcio Lacerda ocorreu quando o mesmo comandava as empresas de telecomunicações Construtel e Batik, de sua propriedade, nos anos 80 e 90.
Neste período, seu principal contato era Roberto Lamoglia, que esteve na direção da Telemig, posteriormente, na da Telebrás.
À época, a Telemig esteve entregue a Saulo Coelho.
A Polícia Federal abriu, no período, inquéritos para apurar irregularidades que envolvia diversos personagens do PSDB e outros que migraram para o PTB.
A Construtel chegou a faturar em 1998 US$ 255 milhões. Com a privatização das empresas do setor de telefonia, os negócios de Marcio Lacerda começaram a cair.
Os lucros despencaram abruptamente. Em 2004, o faturamento da Construtel foi de R$ 2,4 milhões. Logo depois, ele vendeu a Batik e desativou a Construtel.
A correspondência encaminhada ao Novojornal, acompanhada de documentação, comprova o superfaturamento no fornecimento das centrais telefônicas de suas empresas à Telemig e à Telebrás, demonstrando ainda que Marcio Lacerda dividia parte dos "lucros" com o então diretor das estatais, Roberto Lamoglia.
A documentação é extensa e envolve outros políticos e ex-políticos mineiros do PSDB, PTB e PP. As informações são tão graves que antes de divulgar o nome dos envolvidos Novojornal decidiu por solicitar pareceres e certidões.
O esquema montado por Marcio Lacerda chegou, inclusive, a ser questionado pelo Tribunal de Contas da União e por entidades representativas dos setores patronal e sindical.
Subscritores da denúncia, à época, e atuais integrantes do grupo que encaminhou a documentação para o Novojornal alegam que o fazem na defesa do patrimônio público, acrescentando: "Lacerda, naquela época, não ocupava nenhum cargo público. No entanto, conseguiu se enriquecer fazendo negociatas com empresas públicas. Imaginem este senhor no cargo de prefeito de Belo Horizonte! Não vai sobrar para ninguém."
Preferido do governador tucano de Minas Gerais e do prefeito de BH, Fernando Pimentel (PT), para ser candidato da pretendida aliança eleitoral PSDB-PT na capital mineira, Marcio Lacerda doou para campanhas eleitorais o valor de R$ 1,15 milhão em 2002.
As doações foram feitas em nome de Marcio Lacerda (R$ 750 mil) e da Construtel Projetos e Construções (R$ 400 mil).
Em 2002, o generoso Marcio Lacerda doou a Ciro Gomes, candidato a presidente pelo PPS, a quantia de R$ 950 mil – 82% do total arrecadado.
Não por outro motivo, ele foi escolhido por Ciro para ocupar o cargo de secretário-executivo do Ministério da Integração Nacional.
O segundo maior beneficiado, com R$ 100 mil, foi o presidente do PPS, Roberto Freire (PE), candidato a deputado federal naquela ocasião.
Também receberam doações os candidatos a deputado federal pelo PPS-MG, Juarez Amorim, atual diretor da Copasa, e Ronaldo Gontijo, R$ 20 mil cada um, além de Sérgio Miranda, R$ 10 mil.
O candidato a deputado estadual pelo PT-MT Gilney Amorim Viana recebeu R$ 50 mil.
Em 2005, Lacerda deixou o Ministério da Integração Nacional após seu nome aparecer como suposto beneficiário de R$ 457 mil do esquema do mensalão.
De acordo com o publicitário Marcos Valério, o dinheiro teria sido pago em duas parcelas, em 2003.
Na ocasião, o então secretário-executivo da Integração Nacional confirmou três encontros com o publicitário.
Valério registra um primeiro pagamento a Lacerda, no valor de R$ 300 mil, em 16 de abril de 2003. O segundo pagamento, de R$ 157 mil, teria sido feito dois meses depois, em 17 de junho.
Em abril de 2007, Lacerda aceitou o convite do governador mineiro para ser secretário. Cinco meses depois, ele foi filiado ao PSB pelo tucano, que já pensava em um nome de um partido neutro para uma aliança PSDB-PT.
O deputado federal e presidenciável Ciro Gomes (PSB-CE) é um dos que trabalha pela aliança.Empate entre Jô Moraes e Aécio...ops...Márcio Lacerda
“A primeira pesquisa Datafolha realizada após o início do horário eleitoral gratuito no rádio e na televisão, divulgada neste sábado (23), mostra que o candidato do PSB à Prefeitura de Belo Horizonte (MG), Márcio Lacerda, subiu 15 pontos percentuais em relação à pesquisa divulgada em 24 de julho e alcança 21% das intenções de voto.” (Portal Vermelho)
Como Jô Moraes oscilou de 20% para 17%, os dois candidatos estão tecnicamente empatados.
“O instituto fez 829 entrevistas nos dias 21 e 22 de agosto. O levantamento, encomendado pela TV Globo e pela Folha de S.Paulo, foi registrado no Tribunal Regional Eleitoral (TRE) de Minas Gerais com o número 56616/2008.”
“O total de eleitores que disseram que votariam branco ou nulo caiu de 22% para 14%. O percentual dos que ainda não sabem como vão votar passou de 26% para 24%.”
Os candidatos, numa simulação de segundo turno, também ficariam empatados. A candidata do PC do B ficaria com 34% dos votos contra 33% do candidato da aliança pimentécio.
Nem bem começou o horário político e a população já está aceitando a farsa imposta pela aliança entre a ala majoritária do PT e o PSDB. Esse é o resultado de uma política baseada na manipulação dos meios de comunicação. Ninguém conhece direito o Márcio Lacerda. Estão aceitando passivamente um candidato imposto de cima para baixo. O problema maior é a passividade dos próprios candidatos. Eles estão evitando temas como mensalão, ideologia política, manipulação da mídia, Aécio Neves e Pimentel.
Não acredito que a Jô Moraes seja a candidata ideal para assumir um cargo de tamanha responsabilidade, mas deixar a nossa cidade nas mãos dessa vergonhosa aliança não vai ser uma boa opção.
O pior é ter que assistir a um show de falsidade na campanha política do Márcio Lacerda.
"O acordo em Minas [em torno de Marcio Lacerda] é uma coisa plenamente aceitável, viável e importante. Eu terei imenso prazer de participar de comício em Belo Horizonte, vou participar pouco das eleições municipais, mas BH é uma cidade onde eu quero ir. Até porque acho que é importante a continuidade do projeto de BH, que está dando certo. A relação do prefeito e do governador está dando certo, as divergências políticas têm de ser encaradas com certa naturalidade, porque é assim mesmo." (Da declaração feita em Itajubá, MG, em 30/06/2008)
Exemplo a (não) ser seguido
É. Parece que o Pimentécio (coligação do Aécio com o Pimentel) está dando mais gás à dicussão. Mais gás que o debate insosso de quinta. Vi algumas cenas e - qual decepção! - nem perguntaram como é que o nome do Márcio Lacerda foi parar na lista negra do Mensalão. Ah, manganão, você não sabia disso? Por que será, hein...
Bom, leiam o texto de Pedro Wenceslau, jornalista, editor-executivo da Revista Imprensa e apresentador do programa "Imprensa na TV", na ALL TV:
(...) Ao digitar o nome de Márcio Lacerda, uma surpresa: quase todas as primeiras vinte referências que surgem no site de busca remetem a um episódio que passou batido pela apuração dos cronistas mineiros. O nome do secretário de Aécio aparece em várias reportagens com o chapéu: "Escândalo do mensalão". Vamos refrescar a memória. Quando o publicitário Marcos Valério Fernandes de Souza leu para os parlamentares, durante a CPI, duas listas de pagamentos feitas por suas empresas, foram "revelados" os nomes das pessoas que sacaram recursos das suas contas em 2003 e 2004. Entre eles está Márcio Lacerda, então secretário-executivo do ministro Ciro Gomes, da Integração Nacional, que teria sacado R$ 457 mil.
Na ocasião, Ciro saiu em defesa de seu secretário e disse que houve um equívoco. Mas não teve jeito. Lacerda acabou tendo que deixar o cargo. Em nota lacônica, a assessoria do ministro informou: "Para assegurar a normalidade da missão institucional do Ministério da Integração Nacional e compreendendo que estaria em marcha uma tentativa de envolver esta pasta e seu titular no ambiente de escândalo por que passa o país, o sr. Márcio Lacerda solicitou seu afastamento do cargo."
Pode ser que Márcio Lacerda tenha sido vítima de mais um linchamento da mídia. Mas também pode ser que não. A novela do "mensalão", como sabemos, está em curso e ainda vai demorar para terminar. O que causa estranheza é que uma passagem relevante como essa não tenha sido sequer citada em nenhum jornal ou site mineiro. Amnésia? Preguiça? Duvido. Bastava acessar o Google antes de escrever.
Tá pensando que acabou? Não, tem mais. Este vem daqui:
Filiado a um partido socialista, Márcio Lacerda (...) tem em Ciro Gomes um exemplo a ser seguido¹. "Li uma entrevista do Ciro Gomes em 1997 e me encantei. A análise da economia que ele fazia coincidia com tudo o que eu pensava", diz ele. Lacerda quis conhecer Ciro, de quem acabou virando amigo e conselheiro. Em 2001, Ciro pediu que Lacerda participasse de sua campanha presidencial, como integrante do comitê financeiro do PPS. Derrotado no primeiro turno no ano seguinte, Ciro apoiou Lula no segundo turno contra José Serra. Em troca, o PT assumiu algumas dívidas de campanha do PPS, entre elas uma com a agência de publicidade New Trade. Ciro assumiu o Ministério da Integração Nacional do governo e indicou Lacerda como seu secretário-executivo.No escândalo do mensalão, o nome de Lacerda apareceu como um dos beneficiários do esquema de pagamentos clandestinos montado pelo PT. Em sua defesa, ele justificou que, como representante do comitê financeiro de Ciro, procurou Delúbio Soares, o tesoureiro petista, para resolver o problema da dívida com a agência de publicidade, ocasião em que foi orientado a buscar o dinheiro com o empresário Marcos Valério, o cofre do mensalão. "Não sabia que era dinheiro de caixa dois", explica Lacerda², ressaltando que nem sequer foi denunciado pelo Ministério Público. A experiência transgênica [de se unir PT e PSDB e criar um personagem político híbrido], ao que tudo indica, ainda carece de algum aperfeiçoamento, pois a ingenuidade está longe de ser característica genética dominante na selva da política.
¹ Exemplo a ser seguido. De promiscuidade política?
² O Lacerda não sabia do que estava se tratando...
(Não entendeu a piada? Clique aqui.)
Bom, já que em Minas nada disso tem valor de notícia, deixemos para os Homens de Preto.
