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Cagada homérica

Faltou tato político. Faltou senso. Faltou destreza. Faltou decência.

Desde o começo eu digo aqui: a indicação de Hélio Costa ao governo de Minas é FURADA. E, como realmente foi, os números traduzem isso bem.

Antônio Anastasia foi eleito com 62,7% dos votos válidos. Ele está com essa moral? Sim e não. Sim porque é apadrinhado de Aécio Neves; não, porque sua votação representou a indignação geral de o PT não ter indicado candidato próprio (vide BH em 2008) e os votos terem sido transferidos, como forma de protesto, ao Anastasia.

Só para se ter uma ideia da cagada que o PT fez, veja os números do TSE:

Antonio Anastasia - PSDB - 62,71% - 6.275.520 votos
Helio Costa - PMDB - 34,17% - 3.419.622 votos


Agora, olha os números para o Senado:


Aécio Neves - PSDB - 39,47% - 7.565.377 votos
Itamar Franco - PPS - 26,74% - 5.125.455 votos
Pimentel - PT - 23,98% - 4.595.351 votos

Ou seja, o Pimentel teve mais votos para o Senado que o Hélio Costa ao governo. Cagada digna de quem tem pouco senso de realidade local. Obrigado, PT de Minas entreguista. Obrigado, PT Nacional. Obrigado, Luís Inácio.

"Chora, não vou ligar..." (parte 2)

Tudo bem. Eu bem que não quis mencionar novamente esse título no post, visto que já o usei uma vez, quando Fernando Pimentel chorou, em 2008, dizendo que pagou "alto custo" pela aliança com Aécio para a Prefeitura de Belo Horizonte. Creio que, nos seus horizontes, ele vislumbrava um apoio recíproco para 2010, quando ele se candidataria Governador.

Só que não.

Ao se aliar com Aécio Neves, Pimentel traiu a confiança dos cidadãos de Belo Horizonte, que se viram num mato sem cachorro no segundo turno das eleições municipais de 2008. 

Deu as costas a Patrus Ananias, liderança petista histórica e deveras importante para o partido e para a capital. Foi ficar de fofoquinha com o neto do Tancredo.

E, recentemente, pediu arrego ao PT de Minas, entregando a sua provável disputa ao Palácio Tiradentes ao boneco global do Hélio Costa.
Agora, Fernando Damatta Pimentel recebe o que merece. Tudo é vai e volta.



Antes de começar a campanha eleitoral, o ex-prefeito de Belo Horizonte Fernando Pimentel (PT) andava nas nuvens:

  • Era o amigo predileto da candidata à Presidência por seu partido, Dilma Rousseff;
  • O todo-poderoso da campanha presidencial;
  • E pule de dez na corrida pelas vagas ao Senado por Minas Gerais.

Agora em plena campanha, com as pesquisas apontando Aécio Neves (PSDB) e Itamar Franco (PPS) nas primeiras colocações para o Senado por Minas Gerais, Pimentel vive um inferno astral:

  • Terá que fazer campanha mesmo, que era o que menos queria;
  • Perdeu influência sobre a equipe de Dilma Rousseff;
  • E corre sério risco de se ver derrotado as eleições.


É. O Pimentel está com medo. #ReginaDuarteFeelings.

É o Fernando Pimentel, que tinha TUDO para governar este Estado de Minas Gerais, deixando-se quedar pelo ostracismo e decadência política. Tudo, por ter se aliado em 2008 com Aécio Neves. Tudo, por um deslumbre de curto prazo.

Tudo é vai e volta. Pimentel pagou com traição a quem sempre lhe deu a mão. Então chora...



Pimentel, o flanelinha.

Hélio Costa, goela abaixo

Sim, caríssimos leitores. O PT finalmente mostrou a que veio. À venda, mas tinha que ser por um preço altíssimo. Senhoras e senhores, o pré-candidato da base aliada do Governo Lula é o senhor Hélio Calixto da Costa, 70 anos, natural de Barbacena, ex-Ministro das Comunicações e eterno pupilo da Rede Glóbulo.

Depois de muito bate-boca na mídia, entrevista na Itatiaia de cá, falação na Band News de lá, parecia ontem que Fernando Pimentel seria mesmo o candidato da base aliada. Ou que haveria palanque duplo - como haverá na Bahia. Mas nem tudo que parece é. Hoje, às 15h30, pelo Twitter já fiquei sabendo da imposição de Costa à chapa apoiadora de Dilma. E foi estarrecido que li o Portal Uai dizer que "presidentes nacionais do PT e PMDB vão anunciar o nome às 17h, em Brasília, passando por cima da decisão dos petistas mineiros".

Passou por cima, mesmo? Será que não era só maquiagem? Bom, las brujas...

Uma das alegações para a desistência do Pimentel, segundo o Jornal da Band de hoje e que pude confirmar nesta matéria do O Globo:

O afastamento do jornalista Luiz Lanzetta não será a única baixa no comando da campanha da pré-candidata petista Dilma Rousseff. Considerado um homem-problema não só por causa do episódio dos supostos dossiês contra o tucano José Serra e a vinculação com Lanzetta, mas também devido ao impasse na aliança com o PMDB mineiro, o ex-prefeito de Belo Horizonte Fernando Pimentel será isolado do núcleo duro da campanha. Com isso, se fortalecem no comando o presidente do PT, José Eduardo Dutra, e o deputado Antonio Palocci (SP), que desistiram de disputar a eleição para ter exclusividade na coordenação.

E tudo começou com o racha, quando da eleição municipal, que acabou elegendo o Márcio Lacerda, cria do Aécio Neves. Depois de 16 anos, o PT perde a prefeitura da quarta maior capital do país. (Não me venha com essa de que, sendo o vice Roberto de Carvalho petista, que o PT continua na liderança; ganhou Lacerda, ganhou o Aécio, ganhou o PSDB.)

É o PT mineiro cavando sua sepultura. Na verdade já cavou, só estão enterrando os defuntos. Um deles, o Patrus Ananias.

Helio Costa na liderança.

Depois de nos empurrar o Márcio Lacerda para a prefeitura de BH, o PT, do Fernando Pimentel, poderá nos obrigar a ter que digerir o Helio Costa também. As prévias do PT, pelo visto, foram apenas uma grande encenação. O que se percebe, pela movimentação nos passada pela imprensa mineira, é que o Helio Costa sairá como candidato único pela coligação PT/PMDB, devendo ter como vice algum político de um dos partidos nanicos aliados ou do próprio PT.

Em encontro na noite desta quarta-feira, líderes do PT e PMDB fizeram um acordo para indicar um único candidato ao governo de Minas Gerais. O candidato deve ser anunciado no dia 9 de maio, segundo informou o líder do PT-SP na Câmara, Cândido Vaccareza. (BAND)

Para piorar, o Helio Costa é o candidato mais bem posicionado nas pesquisas de opinião. Para se ter uma ideia, o pemedebista, se as eleições fossem hoje, ganharia com grande vantagem do tucano Anastasia. Veja o que diz os trechos retirados do Jornal O Tempo:

A corrida eleitoral ao Palácio da Liberdade é liderada pelo pré-candidato pelo PMDB, o ex-ministro das Comunicações Hélio Costa. É o que aponta pesquisa divulgada nesta terça-feira (18) pelo instituo Vox Populi. O levantamento mostra que o peemedebista tem 45% das intenções de voto no Estado. O atual governador Antônio Anastasia aparece em segundo lugar, com 17% dos votos. Neste cenário o nome do petista Fernando Pimentel não foi considerado.

(...)

Já no cenário em que o Fernando Pimentel aparece e o nome do ex-ministro Hélio Costa não entra, a pesquisa aponta vitória do petista também em primeiro turno, mas com uma margem de vantagem menor. Pimentel teria 35% dos votos contra 21% de Anastasia e 2% de Vanessa, João Batista e José Fernando. Os brancos e nulos somam 11% e, novamente, 27% dos entrevistados não souberam ou não quiseram responder.

Prévias PT-MG: vitória tucana


(foto: Branco Di Fátima) 

O ex-prefeito de Belo Horizonte, Fernando Pimentel, é o candidato do PT ao governo de Minas. Ele venceu com 52% (16.346) dos votos o ex-ministro do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Patrus Ananias, que alcançou a marca de 48% (15.093). O resultado foi divulgado no início da noite de hoje, dia 3, pelo presidente do PT mineiro, deputado federal Reginaldo Lopes e por membros da Executiva Estadual.

De acordo com os dados computados pela Comissão de Organização Eleitoral (COE-MG), 404 municípios (66,8%) dos 605 aptos realizaram a prévia. Foram registrados 31.439 votos válidos, 104 em branco e 167 nulos, em um universo de 108.525 filiados aptos a votar.

Agora, Pimentel tem o compromisso de intensificar o diálogo com os partidos da base aliada do governo federal e garantir palanque forte para a pré-candidata do PT à Presidência da República, Dilma Rousseff, em Minas.  O Encontro Estadual – que definirá a tática eleitoral do PT de Minas para 2010 –, nos dias 21, 22 e 23 de maio, homologará a candidatura do petista.


Bom, quanto a esse resultado - e com o precedente das eleições municipais de BH em 2008 - , já estou vendo o Anastasia ganhando. Isso, porque Pimentel deverá ser vice do Hélio Costa, que apesar de liderar as pesquisas não é lá muuuuuito popular com os mineiros, não.

E visto que o Pimentel já enfiou a faca uma vez em 2008, não duvido que ele poderá dar um tiro pela culatra em 2010.

Patrus Ananias, o PT não te merece mais. Depois de ser forçado a subir num palanque com Newton Cardoso, acho que foi demais pro coração do Ministro.

Veja os votos para cada pré-candidato por região. Precebam que na Região Metropolitana quem ganhou foi o Patrus - mesmo na Capital ganhando o Pimentel. Vamos acompanhar.


VOTOS POR REGIÃO

Vertente do Caparaó
Pimentel 80%
Patrus 20%

Campo das Vertentes
Pimentel 74%
Patrus 26%

Belo Horizonte
Pimentel 63%
Patrus 37%

Zona da Mata
Pimentel 62%
Patrus 38%

Norte/Nordeste
Pimentel 59%
Patrus 41%

Jequitinhonha
Pimentel 57%
Patrus 43%

Centro-Oeste
Pimentel 54%
Patrus 46%

Metropolitana
Pimentel 48%
Patrus 52%

Triângulo
Pimentel 39%
Patrus 61%

Rio Doce
Pimentel 32%
Patrus 68%

Vale do Aço
Pimentel 30%
Patrus 70%

Sul
Pimentel 26%
Patrus 74%

PT paulista articula candidatura de Alencar ao governo de Minas.

O PT não tem sido um partido muito democrático. A força que os paulistas têm sobre o PT no âmbito estadual é enorme. O que vimos foi uma intervenção intensa nos últimos anos, principalmente na era do governo Lula. Coisas bizarras já aconteceram em Minas para que os representantes locais seguissem a cartilha paulista. Um exemplo que jamais sairá da minha mente é o apoio desastroso do partido ao candidato Newton Cardoso. Quem diria que o Patrus Ananias iria subir no mesmo palanque que o Porcão. Tenho certeza que ele ficou desconfortável com essa situação.

Agora, lendo a Folha, vi mais uma notícia grotesca:

O presidente eleito do PT, José Eduardo Dutra, disse nesta sexta-feira que uma eventual candidatura do vice-presidente José Alencar (PRB) (sic) ao governo de Minas Gerais seria uma alternativa para unificar os pré-candidatos da base aliada governista que pretendem disputar o comando do Estado.

Dutra disse que Alencar será "aclamado" por todos os partidos --inclusive o PT-- se decidir disputar o governo de Minas. "Se o Zé Alencar colocar o nome para o governo, vai ser aclamado por todos os partidos. Eu não conversei com ele, mas há por enquanto dois pré-candidatos do PT e um do PMDB em Minas", afirmou.

Não é possível que vão intervir na atual disputa para candidato ao governo de Minas. A candidatura encabeçada pelo PT é tão natural quanto a candidatura do Anastasia. É algo que vem sendo discutido desde as últimas eleições governamentais. Não creio que o José de Alencar tenha mais força política em BH do que o Patrus, o Pimentel, e mesmo o Helio Costa. Seria uma insanidade retirar qualquer um dos três em favor do Alencar.

Patrus Ananias diz ser candidato ao governo de Minas Gerais

De acordo com a Folha, “o ministro do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Patrus Ananias, afirmou nesta quarta-feira ser "candidatíssimo" ao governo de Minas Gerais, mas que a corrida eleitoral, vai depender da "vontade de outros".”



"Quero governar Minas Gerais, me sinto preparado para isso, depois de seis anos no ministério. Gostaria de ser governador do meu Estado, mas tenho que ter o apoio do meu partido, resgatar os nossos parceiros, forças políticas e sociais", disse durante entrevista ao programa 3 a 1, da "TV Brasil".



Patrus está travando uma dura disputa com o ex-prefeito Fernando Pimentel para se tornar candidato pelo PT. Além da disputa interna, o PT mineiro também está disputando com o PMDB para ver qual partido lançará candidato próprio. Por recomendação das legendas nacionais, os partidos, no âmbito estadual, deverão evitar palanques diversos, a fim de viabilizar a aliança em favor da Dilma.

O Patrus Ananias é Mestre em Direito pela UFMG e Doutor em Filosofia pela Universidad Complutense de Madrid, além de ser professor licenciado da PUC e membro da Academia Mineira de Letras. Sua administração como prefeito de Belo Horizonte foi premiada pela ONU como modelo de gestão e, desde 2004, vem se destacando como Ministro do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, um dos ministérios mais elogiados pela crítica internacional.

Do outro lado, Fernando Pimentel é mestre em Ciência Política pela UFMG e professor assistente do Departamento de Economia da mesma universidade. Foi um dos principais articuladores do projeto do Orçamento Participativo e, em 2005, foi apontado pelo site inglês Worldmayor como o oitavo melhor prefeito do mundo. A gestão do Pimentel foi muito premiada internacionalmente, um dos prêmios que ganhou foi o Metropolis Awards, com o programa de urbanização Vila Viva.

Essa disputa promete...

Hélio Costa lidera as pesquisas em Minas.

O ministro das Comunicações, Hélio Costa (PMDB), lidera todos os cenários em que seu nome aparece na pesquisa Datafolha para a sucessão do governo de Minas Gerais. As intenções de voto de Costa variam de 31% a 37% — este último resultado atingido no cenário em que não há nenhum petista disputando o governo. Nesse caso, o atual vice-governador e candidato do tucano Aécio Neves, Antonio Anastasia (PSDB), fica com 13%. A taxa dos que não souberam dizer o seu candidato ficou em 26%. (Portal Vermelho)


COSTA, PIMENTEL E ANASTASIA
Hélio Costa (PMDB)
32
Fernando Pimentel (PT)
19
Antonio Anastasia (PSDB)
10
Vanessa Portugal (PSTU)
03
COSTA, PATRUS E ANASTASIA
Hélio Costa
32
Patrus Ananias (PT)
12
Antonio Anastasia
10
Vanessa Portugal
05
Maria da Consolação (PSTU)
03
COSTA E ANASTASIA
Helio Costa
37
Antonio Anastasia
13
Vanessa Portugal
05
Maria da Consolação
02
PIMENTEL E ANASTASIA
Fernando Pimentel
28
Antonio Anastasia
12
Vanessa Portugal
05
Maria da Consolação
02
COM PATRUS E ANASTASIA
Patrus Ananias
19
Antonio Anastasia
14
Vanessa Portugal
09
Maria da Consolação
03



De acordo com o Datafolha, 73% dos entrevistados não souberam dizer espontaneamente em quem vão votar. Para se ter uma idéia, o Aécio Neves lidera com 9% a pesquisa feita de forma espontânea, apesar de não ser candidato.

Está muito cedo para se fazer qualquer análise em Minas Gerais. O eleitor ainda está distante da disputa no estado. Provavelmente o Hélio Costa está com esses números expressivos por ser o político mais conhecido do eleitor. Vale lembrar que ele já foi outras vezes candidato. Uma conclusão que se pode chegar é que o partido que se coligar com o PMDB poderá iniciar a disputa com alguma vantagem.

Movimentações sorrateiras

Engraçado como a vida política é uma caixinha de supresas - que não de Pandora.

Sabem da mais nova? Andréa Neves, irmã do governador Aécio, poderá coordenar a campanha de Dilma Roussef em Minas.
#CUMÉQUIÉ?

É, isso mesmo que você leu. A Andréa, irmã do Aécio, que é do PSDB, cujo candidato à presidência deverá ser o Serra, vai coordenar a campanha da Dilma, que é a candidata do PT, arquirrival do PSDB, que vai indicar o Serra pra presidente, e do Lula. Grifos nossos.




"Há aproximadamente uma semana em um almoço em Brasília, onde participou o diretor do Novojornal e um dos mais próximos assessores de Lula, após o diretor comprometer que só divulgaria o fato após ele ocorrer, o assessor confidenciou: 'O Serra abusou. Aécio deverá desistir de ser candidato à presidência e sua irmã comandará a campanha de Dilma em Minas'.

(...)

"Nos bastidores por quase uma década, Andréa Neves entrará em cena. Sabidamente ela é o braço direito de seu irmão. Embora 'oficialmente' comande apenas a área assistencial do Governo de Minas através do Servas. Sua entrada modificará os rumos da sucessão estadual e federal em Minas Gerais.

"Na Assembléia Legislativa Mineira, este fato cairá como uma bomba assim como na Câmara Federal. Poucos sabem que Andréa tem sua
origem política no PT carioca, onde foi uma das fundadoras do partido antes da eleição de seu avô Tancredo para o governo de Minas Gerais.

"Segundo este mesmo assessor, esta movimentação viabilizaria a eleição do Ministro Patrus Ananias e de Aécio para o senado. Além da candidatura de Fernando Pimentel para governo de Minas, tendo como vice Anastasia. Hélio Costa seria o vice de Dilma.

(...)

"Segundo este mesmo assessor: 'Esta composição praticamente atenderá a todos os seguimentos da política mineira. Viabilizando desta forma a candidatura de Dilma à presidência em Minas Gerais'.

"Ao finalizar, o assessor de Lula antecipou-se até mesmo ao pronunciamento de José Alencar ao dizer: 'O único complicador seria a pretensão do vice-presidente em candidatar-se ao senado, porém ele estaria disposto a não concorrer em nome da unidade política mineira'.

"Andréa, procurada por Novojornal, negou tal possibilidade."

--


"Além da candidatura de Fernando Pimentel para governo de Minas, tendo como vice Anastasia." Aí está a prova de que a Aliança não morreu, e que poderá estar fadada ao sucesso. Como diz o poeta,
pisou na merda? Abre os dedos!

Assustado? Não se espante. Parece que em 2010 coisa pior há de vir. Não acredito, mas não duvido.



Fonte: Novojornal

Pimentécio na berlinda

TRE-MG reabre processo contra Aécio, Pimentel e Lacerda por abuso de poder eleitoral



O TRE-MG decidiu reabrir o processo contra o governador Aécio Neves, o ex-prefeito de Belo Horizonte, Fernando Pimentel, e também o atual, Márcio Lacerda, por abuso de poder econômico na campanha eleitoral do ano passado. Todos eles fizeram parte da mesma aliança.

A solicitação apresentada por promotores do Ministério Público foi extinta pelo juiz diretor do foro eleitoral de Belo Horizonte, Roberto Messano, em junho deste ano. Mas foi reaberta após nova avaliação do TRE.

O processo volta a tramitar em 1ª instância. Agora, entretanto, a definição do andamento do processo não estará mais nas mãos de Messano, que já se aposentou, e sim com a juíza Mariângela Faleiro, que está na direção do foro eleitoral.

A denúncia pode resultar em impugnação dos mandatos do governador Aécio Neves e do prefeito Márcio Lacerda, além da inelegibilidade de todos os envolvidos.
(grifo nosso)

Em resposta, o advogado dos envolvidos, José Sad Jr., minimizou a retomada do processo, e disse que a definição ainda deve demorar para ser divulgada. Mesmo assim, ele falou que acredita no não prosseguimento do inquérito.

--

O jornal Hoje em Dia, de Belo Horizonte, também traz uma notícia sobre a reabertura do processo. Engraçado um jornal mineiro conseguir expor denúncias do governador tão simples assim.

Fonte?
Rádio CBN e Rádio UFMG Educativa.

Alianças para 2010


As eleições de hoje serão decisivas para as de 2010. Dependendo dos resultados nas capitais, as alianças e os projetos para as próximas eleições presidências poderão ser totalmente diferentes.

Em São Paulo, uma vitória do Kassab vai representar uma vitória do José Serra em relação ao Alckmin e ao Aécio, grandes rivais ao posto de candidato à presidência. Kassab poderá definitivamente legitimar o nome do Serra como o candidato escolhido pela cidade para a disputa interna no PSDB. Uma vitória da Marta poderia enfraquecer o governador de São Paulo, e, como conseqüência, aumentar o espaço do Aécio ou do Alckmin. Por outro lado, uma vitória do DEM nas eleições paulistas poderá ser um golpe para as pretensões do Lula em alavancar uma candidatura do PT tendo o respaldo da cidade.


Em Minas Gerais, caso o Quintão vença, uma possível aliança proposta pelo Aécio com o PT para as eleições de 2010, com o seu nome para o cargo de presidente, seria prejudicada. Só das eleições terem ido para o segundo, já deu para mostrar como uma aliança desse tipo pode ser mal vista nacionalmente. O próprio PT nacional não viu com bons olhos o que foi feito em Minas. Para o presidente Lula, uma vitória do PMDB não o prejudicaria muito, já que o partido provavelmente irá ser um forte aliado do presidente em 2010.


Para o cargo de governador do Estado de Minas Gerais, provavelmente será lançada uma aliança PT-PSDB, lançando Fernando Pimentel ao cargo. Porém, uma vitória do PMDB na cidade poderá trazer grandes novidades. Uma possível candidatura do Patrus Ananias pode ser viabilizada, uma vez que ele está apoiando informalmente o Quintão nessas eleições. O PT poderá deixar o PSDB de lado e firmar uma aliança com o PMDB seguindo uma tendência nacional. Outro candidato que pode ser lançado por essa união é o Hélio Costa, que tem grande força com o presidente Lula. Não podemos ignorar também a possível candidatura do Newton Cardoso ou Itamar Franco, que são grandes caciques peemedebistas.

Questão de opinião

Uma coisa curiosa, que li no site do DATAFOLHA:

Sobre o momento em decidiram seu voto no primeiro turno, metade dos eleitores belorizontinos (50%) disseram ter decidido pelo menos um mês antes da eleição. Já 15% tomaram essa decisão 15 dias antes, assim como aqueles que decidiram no próprio dia da eleição. Os que decidiram na véspera da eleição são 10%, e 9% tomaram a decisão uma semana antes. Outras respostas somam 2%.


Será que o povo belorizontino já estava rejeitando o Pimentécio desde antes? Será que não? Eu, hein... Tá esquisito isso...

Provavelmente o presidente Lula não vai participar das eleições em BH.


Dificilmente o presidente Lula vai participar das eleições do segundo turno em BH. Visando manter o comando do governo nas mãos do PT após a sua gestão, o presidente vai manter neutralidade em diversas cidades onde existem disputas entre aliados.O seu apoio, a exemplo do que aconteceu em diversas cidades do nordeste, poderia ser decisivo nas eleições da nossa cidade.

Durante jantar com integrantes do PMDB nesta quarta-feira, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que não pretende participar de campanhas eleitorais em municípios onde candidatos da base aliada governista se enfrentam no segundo turno.

Lula sinalizou que vai acatar pedido da cúpula do PMDB para manter-se neutro nas disputas entre aliados, especialmente em Belo Horizonte (MG), Salvador (BA) e Porto Alegre (RS).

A Folha Online apurou que Lula não quer desgastar sua relação com o PMDB nos dois últimos anos de mandato. Além dos peemedebistas reunirem as maiores bancadas na Câmara e no Senado, Lula quer estreitar a relação com o PMDB já com vistas à disputa presidencial de 2010. O petista não descarta uma eventual chapa com o partido na corrida pelo Palácio do Planalto.

Em Belo Horizonte, a eleição coloca em palanques adversários os candidatos Márcio Lacerda (PSB) e Leonardo Quintão (PMDB). Lacerda tem apoio do governador de Minas Gerais, Aécio Neves (PSDB), e do prefeito de Belo Horizonte, Fernando Pimentel (PT), além do PSB. Já Quintão foi lançado por Costa e tem apoio incondicional do PMDB.

O candidato peemedebista disse nesta quarta-feira que o presidente Lula prometeu manter-se neutro na disputa, uma vez que Lacerda integra um partido da base aliada do governo federal. Quintão vai tentar atrair o vice-presidente José Alencar (PR) para a sua campanha, assim como o PC do B e o PDT. (FOLHA)

Sobre Márcio Lacerda, candidato da "Aliança" (parte 8)

É a minha última manifestação antes das eleições. Hei de me calar para que não haja interferência no "processo" "democrático". Porque, vocês sabem, o processo é lento...

Como considerações finais, depois de tanto post para evitar a eleição do Lacerda - haja vista que eu não estou sozinho nessa campanha -, fica a certeza de que haverá segundo turno. Eu creio nisso por dois motivos:

Primeiro: por mais que Aécio e Pimentel tenham apadrinhado o Márcio Lacerda, a cidade não conhece esse sujeito. E, como vocês bem sabem, mineiro é um bicho deveras desconfiado... Eu sou mineiro, sei cumé.

Segundo: o percentual de indecisos, segundo a última pesquisa do DataFolha, é de 8% - sendo que o candidato do Pimentécio tem 45% e a soma dos outros candidatos é de 40%. Votos brancos ou nulos totalizam 7%.


É isso. E vamos às urnas. Sem votar no Márcio Lacerda, com certeza! Podem votar em quaisquer outros candidatos, mas nele não. Eu não creio que ele merece meu voto. Nem o seu, nem de ninguém!

Não deixe Beagá na merda. Não vote no Márcio Lacerda!

FUDEU!

E eis que o meio de campo fica embolado em Belo Horizonte. As pesquisas oficiais, segundo os institutos IBOPE e DATAFOLHA, mostram Lacerda com mais de 40% das intenções de voto. Porém, pesquisando sobre isso e recebendo e-mails, parece que não é beeeeem assim.

Segue uma reportagem do NOVOJORNAL logo abaixo. E o pau quebra, e o circo pega fogo. Só falta o palhaço se f...


A rejeição de Marcio Lacerda, escondida em todas as pesquisas divulgadas, deverá ser o principal fator do segundo turno


Embolou a eleição em BH!
Depois da constatação através do cruzamento de diversas pesquisas encomendadas pela assessoria do candidato a prefeito de Belo Horizonte Marcio Lacerda para orientação na reta final da campanha, o pânico tomou conta de sua candidatura.

Frente a este novo quadro, a três dias da eleição, a estratégia terá que ser modificada, assim como as peças de sua campanha para o dia da eleição.

Tudo porque o percentual de indecisos era bem superior que o apresentado nas pesquisas registradas no TRE-MG. Segundo técnicos da área, os indecisos seriam eleitores que omitiam seu voto com receio de represálias.

Sociólogos consultados pelo Novojornal para explicar este fato informaram que possivelmente quase a totalidade destes “indecisos” seriam funcionários públicos estaduais e municipais. Desta forma, como dito, receosos de declararem seu voto.

O voto em branco, tido como voto de protesto, migrou para Leonardo Quintão através do conhecido voto útil, tendo em vista que seu crescimento nas pesquisas apontaria a possibilidade de segundo turno.

A grande insatisfação entre os que votariam em branco e migraram para Quintão está na participação ostensiva do governador de Minas e do prefeito de Belo Horizonte na campanha de Lacerda, além do enorme gasto financeiro.

A rejeição de Lacerda é enorme e a do governador e do prefeito, embora tida como pequena, existe, afirmam os mesmos.

Depois do cruzamento das pesquisas, constatou-se que mais da metade dos “indecisos” são eleitores de Jô, o restante de Quintão e Sérgio Miranda.

Este cenário, somado a uma queda de quase 11% de Lacerda ocorrida e omitida desde a primeira pesquisa divulgada e um crescimento de 6% de Jô, ocorridos nestas mesmas pesquisas, levaria o candidato apoiado pelo prefeito e pelo governador para o segundo turno.

Estes sociólogos prevêem que a movimentação de votos neste caso chegaria a 30% do total dos votos válidos.

Segundo os mesmos, tudo pode ocorrer diante desta situação.

Importante informar que, nos termos da lei, estas pesquisas não podem ser consideradas oficiais nem eleitorais, uma vez que não foram registradas no TRE-MG. (Em obediência ao Artigo 15, da Resolução nº. 22.623, instrução nº. 112 - CLASSE 12ª- Distrito Federal, que dispõe sobre pesquisas eleitorais - Eleições de 2008.)

Desta forma, trata-se apenas de uma análise feita por especialistas e que se encontravam escondidas a sete chaves pela assessoria de Marcio Lacerda.

Neste cenário, Quintão teria algo em torno de 29%, Jô 26% e Lacerda 30%, Sérgio Miranda 8%, Gustavo Valadares 3%, Vanessa Portugal 1.5% e os demais menos de 1% cada.

Como a margem de erro é de 4%, existiria um empate técnico entre os três candidatos com maior percentual na pesquisa.

Agora é esperar para ver o resultado da eleição.

Patrus no interior. Não em BH

Patrus Ananias, em entrevista ao Blog das Eleições do Portal UAI:

O sr. está fora da campanha em Belo Horizonte?
Tenho viajado muito. Passei o fim de semana viajando: Visconde do Rio branco, Ubá, Cataguases, Santos Dumont. Fizemos um belo comício em Juiz de Fora. A campanha da Margarida está lavando a nossa alma petista. E ontem à noite estive com Marília, em Contagem.

Como estão as campanhas do PT no interior?
Comentei isso com Lula: o sentimento que eu tenho nas viagens que fiz por Minas e pelo Brasil - e olha que visitei mais de 50 cidades - é que o PT está vivo e polarizando as eleições. Eu vivi a infância e a adolescência e vi os períodos eleitorais serem polarizados entre o PSD e a UDN, que não colocam no centro a questão dos povos. Ver hoje o PT polarizando e colocando em debate a nossa marca genética, a questão social, é muito bom. A gente soma isso com o momento histórico que o país está vivendo, de redução da pobreza e de redução da desigualdade. Isso também coincide com meus 56 anos, destes a metade dedicada à construção e á consolidação do PT em Minas e no Brasil. Lembro que quando fiz opção pelo PT em 70 não tinha expectativa de que 20 anos depois estaríamos na presidência da república. Estou em paz com a minha alma e certo de que o PT vai continuar cumprindo o seu papel civilizatório.

E a campanha do PT em BH? Qual é a sua avaliação?
Vamos falar de coisas boas. Sobre Belo Horizonte, o que tinha de falar já falei, também nao quero fechar porta para o futuro. Mas neste momento estou me dedicando à campanha onde o PT realmente esteja presente.


"Chora, não vou ligar..."

Pimentel chora e diz que paga "alto custo" por aliança com Aécio

(Folha Online)

O prefeito de Belo Horizonte, Fernando Pimentel (PT), chorou após discurso em que disse estar pagando "alto custo político-pessoal" por sua aliança com o governador tucano Aécio Neves em torno da candidatura de Marcio Lacerda (PSB). Sem citar nomes, disse que alguns não compreenderam o sentido disso.

No discurso feito no lançamento do programa de governo de Lacerda, com cerca de 400 pessoas, ele criticou as pessoas de Brasília e São Paulo que resistiram à aliança.

Ao final, ele não quis dar mais explicações. Foi Aécio quem disse que Pimentel se referia a um "setor da direção nacional [do PT], um pouco mais míope, um pouco mais imediatista".

No discurso, Pimentel disse que Aécio também paga pela aliança, e lhe rendeu homenagem pela "ousadia de caminhar" com ele. O prefeito, que afirmou se orgulhar do PT, disse q
ue a aliança não foi feita "em nome de nenhum dos partidos" que a compõem, mas pela população.
"Foi por isso que caminhamos juntos e pagamos o preço que temos pago, vocês todos sabem", afirmou Pimentel.

Pimentel chorou após o discurso, o que levou Aécio a iniciar o seu dizendo que aquele era um "momento especial" da política e fez uma saudação à "legítima e verdadeira emoção do prefeito". Disse que sua "coragem" ficará registrada na história política de Minas.


Apenas um comentário:

"Você pagou com traição
A quem sempre lhe deu a mão!"
(
Beth Carvalho, Vou Festejar. Nada mais oportuno, né não?)

Sobre Márcio Lacerda, candidato da "Aliança" (parte 3)

Trago a todos e todas que nos acompanham um texto postado no blog do Caio César. A reflexão que ele faz a seguir é bem pertinente com o que defendemos aqui neste diário. Posto alguns excertos. O texto na íntegra pode ser lido neste link.


Eleições Municipais em BH 2008

Estamos a algumas semanas do pleito municipal e o cenário que se desenha é preocupante: um candidato que ninguém conhece está liderando as pesquisas, graças - numa análise bem simplista - a duas coisas: 1) Este candidato tem muito mais tempo na TV e no rádio do que seus oponentes; 2) O candidato recebe o apoio do atual prefeito (que é do PT) e do atual governador (que é do PSDB), numa anomalia que nenhuma liderança nacional dos dois partidos aprovou. Isso só acontece em BH.

Sobre a questão do tempo no rádio, não cabe muito comentário, pois é a lei. E lei se cumpre, mesmo que nosso presidente fale o contrário.

Agora, sobre a questão do apoio e do que parece estar acontecendo com a cidade, não posso deixar de me manifestar para, num esforço quase inútil, tentar evitar que se repita em BH o que aconteceu no Brasil em 1989. Na ocasião, foi eleito um camarada que ninguém conhecia e que foi pintado como a salvação. A realidade e as conseqüências, todos sabemos, foram bem distintas do que as boas intenções dos eleitores imaginavam. Por isso, peço a todos que reflitam um pouco sobre isso antes de votar e tentem fazer esta reflexão propagar para que não fiquemos presos por oito anos a uma situação de desconforto.

Vamos prestar atenção, então, em algumas coisas sobre o Márcio Lacerda:


1. A frase que ilustra este post foi destacada na revista Época da semana passada [29 de agosto de 2008]. O Patrus, todos os belo-horizontinos conhecem e respeitam, mesmo que não sejam partidários do PT (eu não sou). O Patrus é, para BH uma referência - apesar de ter subido em palanque no ano de 2006 ao lado de Newton Cardoso (como bem me lembrou a Cristina por e-mail - obrigado!). Se ele fala uma coisa dessas sobre o candidato, certamente, temos que observar e anotar.

Pense bem. O Márcio Lacerda é descrito como alguém que se envolve há um bom tempo com as questões de interesse da coletividade. Entretanto, ninguém o conhecia em BH (estranho, né?); tanto que seus primeiros programas na TV e no rádio foram dedicados a apresentá-lo. Algo que se fez muito mais necessário com ele do que com o Gustavo Valadares e o Leonardo Quintão - seus adversários - por exemplo. Com estes, esta apresentação foi mais curta pois a população já os conhecia (peguei estes dois como exemplo pois o Sergio Miranda e a Jô Morais todos já conhecem de longa data).

Então, gente. Se o Márcio Lacerda é o arauto da luta pela liberdade como clamam Pimentel e Aécio, por qual motivo ninguém o conhecia até hoje? Por que ele nunca apareceu? Suspeitem disso!


2. O Márcio Lacerda engorda a lista de gente que se beneficiou com o mensalão (procure o número 39 da lista). Isso não pode passar batido! Por mais que ele “tenha sido inocentado” após investigação, vamos nos lembrar da indignação da população com relação a apuração destes fatos! Todos sabemos que houve marmelada e tudo acabou em pizza. Agora este cara, que fez parte de um dos maiores escândalos do país está prestes a ser eleito. Gente do céu. Pensem nisso! Queremos um mensaleiro como prefeito de BH? Mesmo?

Mais uma vez peço a todos que reflitam um pouco: Ele não foi acusado injustamente. Há alguém naquela lista por acaso? Onde há fumaça, há fogo. Uma das estratégias usadas em sua campanha para a prefeitura é falar da trajetória pública no ministério da integração nacional (então pasta do Ciro Gomes) e na secretaria estadual de desenvolvimento econômico do governo Aécio Neves. Pois bem, basta procurar um pouco para ver que ele foi um dos principais doadores da campanha de Ciro para a presidência em 2002. Em 2003 ele foi chamado pelo então ministro Ciro para um cargo bem importante. Coincidência? Claro que não!

Ele foi desligado do ministério em função do escândalo do mensalão. Mas isso ninguém comenta. Depois do desligamento, assumiu a secretaria de desenvolvimento econômico do estado, atendendo chamado do governador Aécio, que já planejava montar um cenário favorável para a prefeitura de BH e precisava de um nome. Márcio se encaixou no perfil como uma luva. Todo cuidado é pouco.


3. Por último, dedico-me a explicar o motivo pelo qual sempre me refiro a um futuro de oito anos de sofrimento em BH se a cidade escolher o Márcio Lacerda como seu prefeito. Embora o mandato seja de quatro anos, se ele for o escolhido, a cidade estará fadada a sofrer por dois mandatos. Explico: a campanha do candidato tem usado como um de seus pilares de sustentação as obras do governo e da prefeitura, sob o argumento de que “se ele não for eleito, isso não vai continuar”. Bem, devo confessar que isso me deixa especialmente chateado. Em primeiro lugar por tratar o eleitor como imbecil (as pesquisas parecem mostrar que eles são mesmo): será que todos os outros candidatos interromperão as obras? Será que o diálogo entre a prefeitura e o governo acabará se o prefeito não for o Márcio? Será mesmo? É lógico que não! Acordem!

Antes de elogiar este candidato, percebam que no último ano, a prefeitura realizou obras de recapeamento de vias na av. Amazonas e Pedro II e vem arrastando as obras da duplicação da Av. Antônio Carlos numa lentidão que só quem passa por lá todo dia sabe. Qual o motivo disso? Bem, parece claro que é mostrar para todo mundo na cidade que a prefeitura trabalha (no Brasil, infelizmente, trabalho do poder público é confundido com obras)…

Outra obra grandiosa que é associada ao Márcio Lacerda é a Linha Verde. Bem, em primeiro lugar, tente achar o cronograma da obra. Eu não consegui. O máximo que pude chegar perto foi este depoimento (que replico aqui - em tempos de censura em Minas (mais), sabe-se lá onde isso vai parar, né?) que relata que a obra estaria pronta em 2006/2007. Já é 2008, pessoal. E a linha verde nunca amadurece.

Enquanto isso, as pessoas sofrem no trânsito diariamente enquanto o canteiro de obras é mostrado amplamente na campanha do Márcio Lacerda. Aí eu pergunto: se estas obras citadas, somadas à “reorganização” do complexo de viadutos da Lagoinha não são eleitoreiras, o que é?
E mais: se isso é prática agora, para eleger um desconhecido mensaleiro, o que este mensaleiro não fará quando for a sua vez de se reeleger? Por isso temo pelos próximos oito anos em BH.

(...)

Mas antes de decidir por anular seu voto, conheça os candidatos (os que eu encontrei site foram referenciados em seus sites de campanha; os outros foram referenciados em seus perfis no site do Uai):
  1. Jô Morais
  2. Sergio Miranda
  3. Leonardo Quintão
  4. Jorge Periquito
  5. Gustavo Valadares
  6. Vanessa Portugal
  7. Pedro Paulo
  8. André Alves
  9. Márcio Lacerda (este clonou seu site do Barack Obama. Nem pra fazer um site honesto ele presta)

Adicionalmente, recomendo a todos acompanhar os portais Transparência Brasil e Excelências (afinal, vários dos candidatos são deputados) e também as informações do TSE a respeito dos candidatos.

Por fim, nunca é demais reforçar: Informe-se! Não faça besteira com seu voto!

Sobre Márcio Lacerda, candidato da "Aliança" (parte 2)

Eu podia tá matando, eu podia tá estuprando, eu podia tá latrocinando, mas eu estou escrevendo. E eu vou pedir cinco minutos da sua atenção.

Como todos sabem, a "Aliança por BH", chapa do Márcio Lacerda, está sendo deveras questionada. Não pela grande imprensa, que está completamente alinhada ao governador Aécio Neves por força de censura remunerada. Mas por nós, cidadãos/internautas, que não sabem de onde vem esse cara - e o pior, ninguém sabe para onde vai.

Bom, saber para onde vai, acho que dá pra saber. Pelo menos depois de ler o texto abaixo, publicado no Vermelho. O texto não é pequeno, mas vale lê-lo. Qualquer semelhança não é mera coincidência.



BH: candidatura de Lacerda faz lembrar dobradinha Maluf-Pitta

A disputa eleitoral pela prefeitura de Belo Horizonte vive uma situação em que um político desconhecido, sacado dos escaninhos da burocracia administrativa, lidera a corrida eleitoral graças ao apoio ostensivo de seus poderosos padrinhos políticos. Esta situação não é uma novidade no histórico das recentes eleições municipais. Em 1996, na capital paulista, um personagem semelhante disputou e ganhou a eleição graças ao apadrinhamento político e uma campanha milionária. O personagem era Celso Pitta e o padrinho político Paulo Maluf. O resultado deste arranjo foi trágico para os paulistanos e Pitta ficou marcado como um dos piores prefeitos que São Paulo já teve.

por Cláudio Gonzalez


O ano de 1996 vai ficar registrado na história das eleições municipais como o ano em que o marketing político conseguiu realmente ''eleger um poste''. O ''poste'', no caso, era o economista carioca Celso Pitta, então secretário de finanças da prefeitura de São Paulo, comandada por Paulo Maluf. Na época, Maluf gozava de grande popularidade. Graças a um ostensivo --e descobriu-se depois, oneroso e cercado de ilegalidades-- programa de grandes obras, seu governo era avaliado com um ótimo índice de aprovação entre mais de 50% dos paulistanos. Mas a reeleição não era permitida e Maluf não poderia ser candidato novamente.

Eis então que surge da cartola do marqueteiro Duda Mendonça a proposta de lançar o desconhecido Celso Pitta como candidato a prefeito pelo PPB (atual PP) --partido de Maluf-- em coligação com o PFL (atual DEM).

Celso Roberto Pitta do Nascimento, na época com 50 anos, era apenas mais um integrante do secretariado de Maluf. Por ser negro e economista com mestrado na universidade de Leeds (Inglaterra) e na de Harvard (EUA), ele concentrava o perfil do homem que ''estudou e venceu na vida''. Era o perfil que Duda Mendonça acreditava ser o ideal para dar continuidade à gestão de Maluf. A crença no cacife político do malufismo e no poder do marketing era tão grande que Duda Mendonça chegou a dizer que conseguiria ''eleger um poste'' e Maluf, por sua vez, botou tanta fé na estratégia que arriscou-se a ir para a TV e dizer: ''votem no Pitta, e se ele não for um bom prefeito, nunca mais votem em mim''.

Assim como está ocorrendo atualmente em Belo Horizonte com a candidatura de Márcio Lacerda, Pitta também viu sua campanha deslanchar com o início da campanha eleitoral no rádio e na TV. Admiravelmente, com menos de quinze dias de veiculação das propagandas dos candidatos, conforme mostra a pesquisa realizada em 14 de agosto de 1996, Pitta já conquistava a liderança das intenções de voto com 28,6%, deixando para trás a ex-prefeita Luiza Erundina e o ex-prefeito Francisco Rossi, que haviam saído na frente da corrida, cada um angariando quase um terço das preferências dos eleitores.

O próprio Duda Mendonça reconhece que a eleição de Pitta foi possível, entre outros fatores, pelo fato do PT ter caído na armadilha de tentar atacar Pitta dizendo que ele era igual ao Maluf. Segundo Duda Mendonça, as pesquisas qualitativas mostravam que era justamente isso que o eleitorado buscava, um ''novo Maluf''. Assim, o PT acabou ajudando a reforçar a campanha de Pitta que, no segundo turno, venceu a eleição com 62,3% dos votos contra 37,7% da petista Luiza Erundina.

Mas a frase de Maluf sobre Pitta acabou sendo usada contra o próprio Maluf em todas as eleições seguintes que disputou. Motivo: Pitta não foi um bom prefeito. Pelo contrário: sua gestão ficou marcada como uma das piores administrações que São Paulo já teve.

O economista formado em Harvard revelou-se um péssimo administrador. Sua principal promessa de campanha, o Fura Fila (uma espécie de trem de superfície) só foi parcialmente finalizado dez anos depois, ao custo total de 1,2 bilhão de reais. Do ''fazedor de obras'' Paulo Maluf, Pitta herdou apenas a prática de mau uso do dinheiro público.

A administração Pitta foi cercada de denúncias de corrupção, entre elas a de que uma máfia de fiscais atuava na prefeitura com a cumplicidade do prefeito e da base governista de vereadores na Câmara Municipal. O escândalo acabou custando o mandato de Pitta, que foi afastado da prefeitura por ordem judicial. Depois Pitta entrou com recurso e recuperou o mandato. Ao terminar seu mandato, o ex-prefeito era réu em treze ações civis públicas, acusando-o de ilegalidades. O valor das denúncias somadas alcançou 3,8 bilhões de reais, equivalente a quase metade do orçamento do município na época. A dívida paulistana passou na sua gestão de 8,6 bilhões de reais em 1997 para 18,1 bilhões de reais. Sua popularidade foi a mais baixa já registrada por institutos de pesquisa: 83% dos paulistanos consideravam a sua gestão ruim ou péssima no fim de 2000. Tendo se candidatado a deputado federal nas eleições de 2002 e nas de 2006, não foi eleito.

Recentemente, Pitta voltou à berlinda após ser preso na Operação Satiagraha da Polícia Federal, junto com o banqueiro Daniel Dantas e o especulador Naji Nahas, sob a a cusação de participar de uma quadrilha que cometia crimes contra o sistema financeiro.


Lacerda: o mais rico
O leitor deve estar se perguntando: o que Márcio Lacerda tem a ver com isso? Como disse Marx, a história pode se repetir duas vezes: na primeira vez em forma de tragédia e na segunda como farsa.

A candidatura de Márcio Lacerda guarda muitas semelhanças com a de Pitta. Além de contar com uma campanha milionária, com os mais modernos truques do marketing eleitoral, Lacerda também foi ungido candidato por padrinhos políticos. Só que desta vez, não foi apenas o prefeito de plantão (o petista Fernando Pimentel) quem deu aval para a candidatura, mas também o governador tucano Aécio Neves. Pimentel e Aécio trocaram juras de apoio para 2010 em troca do certame. Assim como Maluf fez em 1996, Aécio também sacou de sua lista de secretários um nome para ser o candidato da continuidade. O empresário Márcio Lacerda foi secretário de Desenvolvimento Econômico do Estado de Minas Gerais.

Assim como Pitta, Lacerda carrega o perfil do homem que ''venceu na vida''. Tanto que hoje, com um patrimônio declarado de R$ 55 milhões, é o candidato mais rico a disputar a prefeitura de uma capital. Depois dele, vem Maluf com um patrimônio de R$ 39 milhões.

Curiosamente, Lacerda, assim como Maluf, começou a fazer fortuna durante o regime militar. O mesmo regime que Lacerda diz ter combatido. Aliás, esta é justamente a bandeira que Lacerda tem erguido para se apresentar ao eleitorado mais resistente à influência dos padrinhos políticos. Enquanto Pitta brandia a condição de ser um candidato negro para conquistar o voto dos eleitores mais progressistas, Lacerda acena com seu passado de militante de esquerda.

Mas mesmo esta trajetória tem sido questionada. Matéria recente da Folha de S. Paulo diz que ''a vida empresarial de Lacerda é marcada pelo regime militar (1964-1985): inicialmente uma vítima da ditadura, depois passou a receber ajuda dos militares e, em 1973, se tornou empresário do ramo de telecomunicações com a colaboração de oficiais ligados ao Exército''.

Questionamentos surgem também em relação ao comportamento ético de Lacerda. Uma das denúncias dá conta de que o patrimônio de Márcio Lacerda aumentou, e muito, quando era dono das empresas de telecomunicações Batik e Construtel, nos anos 80 e 90.

Lacerda tinha como importante contato o diretor da Telemig na época, Roberto Lamoglia. Em 1998, a Construtel chegou a faturar 255 milhões de dólares! Após a privatização das companhias telefônicas, ambas Construtel e Batik sofreram queda vertiginosa no faturamento. A Batik foi vendida e a Construtel desativada. O site “novojornal” apresentou documentos que comprovavam o superfaturamento de Lacerda no fornecimento de serviços por parte de suas empresas às estatais Telemig e Telebrás. O ''lucro'' era dividido com Roberto Lamoglia, diretor das estatais.

Em 2005, quando era secretário-executivo do Ministério da Integração Nacional, ele apareceu na célebre lista do publicitário Marcos Valério, de sacadores de dinheiro do ''mensalão'', e teve de se demitir por isso.

A imprensa mineira tem praticamente ignorado as denúncias e o passado de Lacerda. Apresenta-o apenas como um empresário bem sucedido, o afilhado político de Aécio e Pimentel e o novo ''fenômeno'' da política mineira. Também dão como certa sua vitória no primeiro turno das eleições. Resta saber se, neste caso, a ''profecia'' de Marx sobre a repetição da história irá se concretizar.

Por via das dúvidas, os eleitores de Belo Horizonte têm nas mãos, literalmente, o poder do voto e, portanto, o poder de impedir que Belo Horizonte passe por uma experiência tão danosa quanto a que São Paulo experimentou com a eleição de Celso Pitta.