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Batalha campal

Os recalcados que me perdoem, mas um "PUTA QUE PARIU!" é fundamental. Ainda mais neste momento.

Hoje é quarta-feira, 22 de outubro. Faltam quatro dias para as eleições municipais beagazenses e o bicho está pegando na cidade da Lagoa da Pampulha. Está se travando uma verdadeira batalha campal entre Leonardo Quintão (PMDB) e Márcio Lacerda (PSB). O coronézinho e o poste estão se batendo forte - calma, Beth, assim você me machuca.


Na segunda da semana passada, Quintão pediu proteção à Polícia Militar após se dizer ameaçado na saída de um debate por apoiadores de Lacerda e acabou registrando queixa na delegacia da Polícia Civil.

Na sexta, o peemedebista reforçou o pedido, desta vez à Polícia Federal. Não demorou para que Lacerda desse o troco: também foi à PF pedir uma investigação sobre a veracidade da ameaça propalada pelo rival.

No fim de semana, a vítima foi Lacerda. O site do candidato de Aécio e Pimentel foi invadido por hackers, que colocaram um link para um "blog anti-Lacerda". A página oficial esteve fora do ar durante todo o domingo, o que fez a coligação registrar uma queixa na Delegacia Especializada de Repressão ao Crime Informático.


O Quindão saiu do armário, e partiu pra luta agora:


O mensalão se transformou nesta terça-feira na principal arma da campanha de Leonardo Quintão (PMDB) na disputa contra Marcio Lacerda (PSB) pela Prefeitura de Belo Horizonte. O peemedebista, pela primeira vez na eleição, decidiu partir para o ataque e acusou o adversário explicitamente de estar envolvido com o esquema de compra de deputados federais e pagamento de dívida de campanha com recursos públicos.
Lacerda, que nega qualquer participação no mensalão, classificou a conduta "demonstração de desespero". Ele anunciou que vai processar Quintão.

Hoje, Leonardo Quintão comparou Lacerda a um "avião do tráfico de drogas", dizendo que o adversário fez "contato com o crime" ao procurar o ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares para saldar dívida de campanha de Ciro Gomes (PSB).

Deputados estaduais do PMDB que têm assessorado Quintão no segundo turno
 incentivam a posição mais agressiva, defendo [sic] reação aos ataques da campanha de Lacerda. O peemedebista também acusou o adversário de "arapongagem" e de "roubar" vídeo de convenção do PMDB em que Quintão diz que vai "chutar a bunda" dos adversários. Há duas semanas o vídeo é usado pela campanha de Lacerda.

A equipe de Quintão estuda ainda colocar nas inserções de rádio e televisão imagens do empresário Marcos Valério dizendo ter relações pessoais com Lacerda bem como ter repassado dinheiro a políticos hoje envolvidos na campanha do socialista. Já estão sendo distribuídos mais de 300 mil panfletos com a foto de Lacerda no centro de um "organograma" do esquema do mensalão.

"A questão do mensalão não está resolvida. Muitos não foram indiciados [pela CPI dos Correios] e estão sendo processados pela Justiça. Delúbio Soares veio a BH apoiar a candidatura de Marcio Lacerda, Virgílio Guimarães [coordenador da campanha de Lacerda] apresentou Marcos Valério em Brasília e Duda Mendonça, agora, está fazendo o marketing do meu adversário. O senhor está muito mal acompanhado", atacou Quintão, em debate marcado por pesadas acusações entre os dois candidatos.


Bom, esperemos o desfecho dessa luta no dia 26. Não tem nada definido, pelo visto... Vai espirrar muito sangue ainda.

EM TEMPO: Hoje tem debate na Tevê Alterosa - às 22h30, após Pantanal. E sexta, o debate é na Rede Glóbulo, logo após a novela A Favorita. Haja gel para este ringue!

Lacerda vai para o tudo ou nada...


Uma pesquisa feita pelo instituto CP2/DataTempo e divulgada na última terça-feira colocou o candidato peemedebista Leonardo Quintão como vencedor do segundo turno das eleições com 64,89% dos votos válidos contra 35,11% obtidos pelo poste. Tal reação do eleitor de BH se deve, provavelmente, à rejeição que possui em relação ao candidato dito socialista Márcio Lacerda e à aliança feita pelos coronéis mineiros Aécio Neves e Pimentel.

Um dos reflexos desse crescimento arrebatador do Quintão é a enxurrada de ataques que tem recebido do rival. Lacerda, que está totalmente atordoado com as críticas relacionadas ao mensalão, agora está usando do mesma arma. Está tentando associar o Quintão à imagem do pai corrupto, da mesma forma em que seus rivais associaram a sua imagem ao mensalão.

Veja como a justça está coibindo os ataques feitos pelo Lacerda:


A Justiça Eleitoral proibiu nesta terça-feira o candidato a prefeito de Belo Horizonte Márcio Lacerda (PSB) de retransmitir a propaganda que mostra seu adversário na disputa, Leonardo Quintão (PMDB), insultando adversários.

A propaganda, veiculada ontem na TV, mostrava imagens da convenção do PMDB realizada em junho em Ipatinga (MG), cidade onde o pai de Quintão, Sebastião Quintão (PMDB), disputava a reeleição.

(...)

Na decisão, o juiz Marcos Flávio Padula suspendeu a retransmissão da propaganda até o julgamento final do processo. Na representação, Quintão também pedia a perda do dobro ou o mesmo tempo utilizado na propaganda, o que ainda não foi avaliado pelo juiz.

Padula ressaltou em sua decisão que as imagens do comercial são gravações externas, o que é proibido por lei. "Vale ressaltar também que estamos a menos de duas semanas do segundo turno e que qualquer propaganda irregular deve ser coibida com ainda mais rapidez, sob pena de desequilibrar o pleito que se avizinha", afirmou.
(Folha)

A Justiça Eleitoral em Belo Horizonte determinou a retirada de panfletos com propaganda considerada difamatória contra o candidato Leonardo Quintão (PMDB). O material, que estava sendo distribuído em bairros da capital, dizia "Fora Sebastião e Leonardo Quintão, Aqui Não", em referência ao peemedebista e ao seu pai, prefeito de Ipatinga (MG).

(...)

Nesta segunda-feira, o juiz Adriano de Mesquita Carneiro deferiu parcialmente a liminar, alegando que o material denegria a imagem do candidato "ao criar, artificialmente, na opinião pública, estados mentais e passionais, em relação ao candidato Quintão". O juiz determinou a busca e a apreensão de todos os panfletos e proibiu a distribuição do material que estiver impresso.
(FOLHA)

FUDEU!

E eis que o meio de campo fica embolado em Belo Horizonte. As pesquisas oficiais, segundo os institutos IBOPE e DATAFOLHA, mostram Lacerda com mais de 40% das intenções de voto. Porém, pesquisando sobre isso e recebendo e-mails, parece que não é beeeeem assim.

Segue uma reportagem do NOVOJORNAL logo abaixo. E o pau quebra, e o circo pega fogo. Só falta o palhaço se f...


A rejeição de Marcio Lacerda, escondida em todas as pesquisas divulgadas, deverá ser o principal fator do segundo turno


Embolou a eleição em BH!
Depois da constatação através do cruzamento de diversas pesquisas encomendadas pela assessoria do candidato a prefeito de Belo Horizonte Marcio Lacerda para orientação na reta final da campanha, o pânico tomou conta de sua candidatura.

Frente a este novo quadro, a três dias da eleição, a estratégia terá que ser modificada, assim como as peças de sua campanha para o dia da eleição.

Tudo porque o percentual de indecisos era bem superior que o apresentado nas pesquisas registradas no TRE-MG. Segundo técnicos da área, os indecisos seriam eleitores que omitiam seu voto com receio de represálias.

Sociólogos consultados pelo Novojornal para explicar este fato informaram que possivelmente quase a totalidade destes “indecisos” seriam funcionários públicos estaduais e municipais. Desta forma, como dito, receosos de declararem seu voto.

O voto em branco, tido como voto de protesto, migrou para Leonardo Quintão através do conhecido voto útil, tendo em vista que seu crescimento nas pesquisas apontaria a possibilidade de segundo turno.

A grande insatisfação entre os que votariam em branco e migraram para Quintão está na participação ostensiva do governador de Minas e do prefeito de Belo Horizonte na campanha de Lacerda, além do enorme gasto financeiro.

A rejeição de Lacerda é enorme e a do governador e do prefeito, embora tida como pequena, existe, afirmam os mesmos.

Depois do cruzamento das pesquisas, constatou-se que mais da metade dos “indecisos” são eleitores de Jô, o restante de Quintão e Sérgio Miranda.

Este cenário, somado a uma queda de quase 11% de Lacerda ocorrida e omitida desde a primeira pesquisa divulgada e um crescimento de 6% de Jô, ocorridos nestas mesmas pesquisas, levaria o candidato apoiado pelo prefeito e pelo governador para o segundo turno.

Estes sociólogos prevêem que a movimentação de votos neste caso chegaria a 30% do total dos votos válidos.

Segundo os mesmos, tudo pode ocorrer diante desta situação.

Importante informar que, nos termos da lei, estas pesquisas não podem ser consideradas oficiais nem eleitorais, uma vez que não foram registradas no TRE-MG. (Em obediência ao Artigo 15, da Resolução nº. 22.623, instrução nº. 112 - CLASSE 12ª- Distrito Federal, que dispõe sobre pesquisas eleitorais - Eleições de 2008.)

Desta forma, trata-se apenas de uma análise feita por especialistas e que se encontravam escondidas a sete chaves pela assessoria de Marcio Lacerda.

Neste cenário, Quintão teria algo em torno de 29%, Jô 26% e Lacerda 30%, Sérgio Miranda 8%, Gustavo Valadares 3%, Vanessa Portugal 1.5% e os demais menos de 1% cada.

Como a margem de erro é de 4%, existiria um empate técnico entre os três candidatos com maior percentual na pesquisa.

Agora é esperar para ver o resultado da eleição.

Sobre Márcio Lacerda, candidato da "Aliança" (parte 7)

Ora, ora, ora... Se há muito sabemos da relação entre Márcio Lacerda e Mensalão, estamos sabendo de mais uma laranjada!

Roberto de Carvalho, o candidato a vice na chapa do Pimentécio, também tem rabo preso. Veja só:

A estar correto o relatório da Polícia Federal, o que impressiona é o ecumenismo. Se vocês abrirem o documento, nas páginas 14 e 15, encontra-se a relação dos candidatos (159) e dos partidos (17) que teriam recebido recursos do grupo. Estampar a imagem do governador Aécio Neves como “envolvido” (palavra amplíssima) no esquema criminoso é forçar a barra. O nome dele nem sequer é citado pelo delegado Zampronha. Está entre os 14 candidatos tucanos que teriam recebido recursos para a campanha: no caso, R$ 110 mil (página 14). Ao todo, 14 candidatos a deputado do PSDB teriam distribuído entre si R$ 647 mil. Outros R$ 75 mil teriam sido divididos entre o PSDB e o PSN. O interessante é que, VEJAM SÓ, OS PETISTAS RECEBERAM AINDA MAIS: 35 pessoas ficaram com R$ 880 mil. Os campeões, no partido de Lula, são Roberto Carvalho (R$ 200 mil), Chico Ferramenta (R$ 145,5 mil), Virgílio Guimarães (R$ 50 mil), Paulo Delgado (R$ 50 mil) e Maria do Carmo (50 mil). Guimarães, dizem os petistas, foi quem apresentou Marcos Valério ao alto comando do partido.

Vide link.


Não acabou não, tem mais:

O nome de Maria do Carmo [Lara, candidata a prefeita de Betim] figura na lista [do mensalão, publicada pelo ISTOÉ semana passada] junto com outros políticos mineiros do PT, tendo sido ela a terceira maior beneficiária do partido. Roberto Carvalho foi o petista com maiores recursos, R$ 200 mil. Chico Ferramenta vem em segundo, com R$ 145 mil e Maria do Carmo, Paulo Delgado e Virgílio Guimarães, os três deputados federais, com R$ 50 mil cada.

A apuração da Polícia Federal se deu a partir de uma lista de Cláudio Mourão, responsável pela distribuição dos recursos e que, na época, respondia pela contabilidade financeira da campanha de Azeredo. A lista foi considerada como autêntica pela Polícia Federal. No total, segundo o relatório da Polícia Federal publicado pela revista, o PT teria recebido R$ 880 mil no esquema de "caixa 2" de Marcos Valério.

A lista mostra que o total dos repasses para a suposta "compra de apoio" à candidatura de Azeredo chegou ao valor de mais de R$ 10 milhões, todos captados de empresas públicas, ligadas ao próprio Governo. Mas pelo relatório da Polícia Federal, divulgado pela revista, o esquema pode ter chegado a R$ 100 milhões, embora oficialmente a campanha de Eduardo Azeredo tenha custado R$ 8,5 milhões.

(OTempo Betim - 25/09/2008. Com certeza, uma tentativa do Vittorio Mediolli de jogar a Maria do Carmo Lara para escanteio. Só que acabou respingando do lado de cá. Nisso que dá jogar merda no ventilador...)

O Lacerda também fez biquinho


Márcio Lacerda (na foto acima) está incomodado com o tema mensalão. A mensagens publicadas na internet estão deixando o mensalei...ops...político irritado.

Em entrevista ao jornal "Hoje em Dia", ao explicar que foi inocentado pela Polícia Federal, Lacerda criticou a imprensa por "acusar, julgar e condenar" e depois "não divulgar" quando alguém é inocentado.


Lacerda prometeu processar quem espalha "acusações malucas" na internet e disse que iria além contra os que espalham "cartazes apócrifos" contra ele. (folha)


O "Pedreira na vidraça" que se cuide. Se o filhote do Aécio com o Pimentel for um bom discípulo, veremos nosso humilde blog fechar as portas nos próximos dias.

Sobre Márcio Lacerda, candidato da "Aliança" (parte 5)

O caldo está ficando cada vez mais grosso. Agora, temos mais gente do nosso lado. Acabo de receber mais um link de contestação à figura do digníssimo elemento. Segue abaixo:



Em tempo: divulgando mais um mail que recebi falando do gajo. "E se o Lacerda tem a TV, nós temos a internet!"


Entrevista desmascara o Lacerda que BH desconhece

A candidatura do empresário Marcio Lacerda surgiu após um acerto entre o prefeito de Belo Horizonte, Fernando Pimentel (PT), e o governador de Minas Gerais, Aécio Neves (PSDB). Segundo informações que circulam nos bastidores da política mineira, Aécio teria prometido a Pimentel apoio político para a eleição ao governo mineiro em 2010 em troca de uma aliança conjunta entre PT e PSDB para a disputa da prefeitura de BH. Para viabilizar a aliança, precisavam de um candidato "neutro", que não fosse tucano nem petista. Assim, chegou-se ao nome de Lacerda, do PSB, então secretário de Desenvolvimento Econômico do governo Aécio.

Mesmo com a suposta "neutralidade", a candidatura foi rechaçada por setores importantes do PT. Lideranças nacionais como os ministros Luiz Dulci e Patrus Ananias reprovaram a aliança e um grupo de petistas lançou um manifesto no qual afirmam que o acordo pessoal de Aécio e Pimentel, "joga com a história do PT, e favorece a curto, médio e longo prazo apenas os interesses da Direita".

Perfil desconhecido
O empresário era, até então, um desconhecido da população de Belo Horizonte. A maioria dos eleitores de BH só tomou conhecimento da existência da candidatura de Lacerda quando começou o horário eleitoral gratuito no rádio e na TV, onde Lacerda ocupa um verdadeiro latifúndio de tempo (11 minutos e 48 segundos). Mesmo assim, nos programas eleitorais, Lacerda é figura secundária, quem aparece mesmo são seus padrinhos políticos: Aécio Neves e Fernando Pimentel. E foi graças a esse compadrio que o nome de Lacerda foi alçado ao primeiro lugar das pesquisas de intenção de voto.

Avesso à participação em debates (ele até o momento não participou de nenhum dos onze debates promovidos na cidade), Lacerda tem exposto suas idéias unicamente nos programas eleitorais de rádio e TV e nas poucas entrevistas que concede à imprensa local.

A última delas, dada ao jornal '"Hoje em Dia" e publicada neste domingo (21) contribui para revelar traços preocupantes do perfil do empresário, sobre quem a cidade ainda sabe pouco.

"Pisar no pescoço"
A entrevista é reveladora já a partir do título, que destaca uma frase de Lacerda na qual ele afirma: "Não vou perder por falta de dinheiro". A afirmação se explica pelo fato de Lacerda ser o mais rico dos candidatos a disputar a prefeitura de uma capital, com um patrimônio declarado de R$ 55 milhões. Mas não foi esta a declaração que realmente revela o caráter do candidato. Em vários pontos da entrevista, Lacerda mostra-se apegado a idéias conservadoras e revela um temperamento pouco equilibrado para quem pretende administrar uma capital-metrópole como Belo Horizonte.

Perguntado sobre as críticas que vem recebendo na campanha, Lacerda foi agressivo na resposta e disse que "queria encontrar um cara que espalha calúnia para pisar no pescoço dele assim, em flagrante." Em outro trecho da entrevista, Lacerda avisa que as pessoas que estão o criticando pela internet vão responder por calúnia e difamação. "Vou até o fim da minha vida fazendo essa pessoa me pagar 200 salários-mínimos de indenização", ameaçou o empresário.

Lacerda também revelou desprezo pelo debate de idéias. Questionado sobre sua ausência nos debates realizados em universidades e escolas, ele disse que nesse tipo de debate "você não ganha nenhum voto e corre o risco, em função de algum tumulto criado, de alguma agressão de claques, você vir a perder votos".

Eugenia
Mas a afirmação mais polêmica é sem dúvida a que relaciona criminalidade com a origem genética dos criminosos. "Crime é como uma carreira. Muita gente vai para o crime para consumir. Agora, tem gente aí nesse bolo que é irrecuperável, seja por genética ou por trauma, alguns vão passar o resto da vida neste caminho", disse Lacerda na entrevista. A declaração faz lembrar as idéias do movimento eugenista.

A eugenia está na base da concepção racista. Defende que há pessoas geneticamente melhores que outras e que as de "sangue ruim" já nascem com desvios de caráter, defeituosas e incapacitadas.

Fonte: Jornal '"Hoje em Dia" publicado domingo, 21 de setembro de 2008 - link aqui.

Sobre Márcio Lacerda, candidato da "Aliança" (parte 3)

Trago a todos e todas que nos acompanham um texto postado no blog do Caio César. A reflexão que ele faz a seguir é bem pertinente com o que defendemos aqui neste diário. Posto alguns excertos. O texto na íntegra pode ser lido neste link.


Eleições Municipais em BH 2008

Estamos a algumas semanas do pleito municipal e o cenário que se desenha é preocupante: um candidato que ninguém conhece está liderando as pesquisas, graças - numa análise bem simplista - a duas coisas: 1) Este candidato tem muito mais tempo na TV e no rádio do que seus oponentes; 2) O candidato recebe o apoio do atual prefeito (que é do PT) e do atual governador (que é do PSDB), numa anomalia que nenhuma liderança nacional dos dois partidos aprovou. Isso só acontece em BH.

Sobre a questão do tempo no rádio, não cabe muito comentário, pois é a lei. E lei se cumpre, mesmo que nosso presidente fale o contrário.

Agora, sobre a questão do apoio e do que parece estar acontecendo com a cidade, não posso deixar de me manifestar para, num esforço quase inútil, tentar evitar que se repita em BH o que aconteceu no Brasil em 1989. Na ocasião, foi eleito um camarada que ninguém conhecia e que foi pintado como a salvação. A realidade e as conseqüências, todos sabemos, foram bem distintas do que as boas intenções dos eleitores imaginavam. Por isso, peço a todos que reflitam um pouco sobre isso antes de votar e tentem fazer esta reflexão propagar para que não fiquemos presos por oito anos a uma situação de desconforto.

Vamos prestar atenção, então, em algumas coisas sobre o Márcio Lacerda:


1. A frase que ilustra este post foi destacada na revista Época da semana passada [29 de agosto de 2008]. O Patrus, todos os belo-horizontinos conhecem e respeitam, mesmo que não sejam partidários do PT (eu não sou). O Patrus é, para BH uma referência - apesar de ter subido em palanque no ano de 2006 ao lado de Newton Cardoso (como bem me lembrou a Cristina por e-mail - obrigado!). Se ele fala uma coisa dessas sobre o candidato, certamente, temos que observar e anotar.

Pense bem. O Márcio Lacerda é descrito como alguém que se envolve há um bom tempo com as questões de interesse da coletividade. Entretanto, ninguém o conhecia em BH (estranho, né?); tanto que seus primeiros programas na TV e no rádio foram dedicados a apresentá-lo. Algo que se fez muito mais necessário com ele do que com o Gustavo Valadares e o Leonardo Quintão - seus adversários - por exemplo. Com estes, esta apresentação foi mais curta pois a população já os conhecia (peguei estes dois como exemplo pois o Sergio Miranda e a Jô Morais todos já conhecem de longa data).

Então, gente. Se o Márcio Lacerda é o arauto da luta pela liberdade como clamam Pimentel e Aécio, por qual motivo ninguém o conhecia até hoje? Por que ele nunca apareceu? Suspeitem disso!


2. O Márcio Lacerda engorda a lista de gente que se beneficiou com o mensalão (procure o número 39 da lista). Isso não pode passar batido! Por mais que ele “tenha sido inocentado” após investigação, vamos nos lembrar da indignação da população com relação a apuração destes fatos! Todos sabemos que houve marmelada e tudo acabou em pizza. Agora este cara, que fez parte de um dos maiores escândalos do país está prestes a ser eleito. Gente do céu. Pensem nisso! Queremos um mensaleiro como prefeito de BH? Mesmo?

Mais uma vez peço a todos que reflitam um pouco: Ele não foi acusado injustamente. Há alguém naquela lista por acaso? Onde há fumaça, há fogo. Uma das estratégias usadas em sua campanha para a prefeitura é falar da trajetória pública no ministério da integração nacional (então pasta do Ciro Gomes) e na secretaria estadual de desenvolvimento econômico do governo Aécio Neves. Pois bem, basta procurar um pouco para ver que ele foi um dos principais doadores da campanha de Ciro para a presidência em 2002. Em 2003 ele foi chamado pelo então ministro Ciro para um cargo bem importante. Coincidência? Claro que não!

Ele foi desligado do ministério em função do escândalo do mensalão. Mas isso ninguém comenta. Depois do desligamento, assumiu a secretaria de desenvolvimento econômico do estado, atendendo chamado do governador Aécio, que já planejava montar um cenário favorável para a prefeitura de BH e precisava de um nome. Márcio se encaixou no perfil como uma luva. Todo cuidado é pouco.


3. Por último, dedico-me a explicar o motivo pelo qual sempre me refiro a um futuro de oito anos de sofrimento em BH se a cidade escolher o Márcio Lacerda como seu prefeito. Embora o mandato seja de quatro anos, se ele for o escolhido, a cidade estará fadada a sofrer por dois mandatos. Explico: a campanha do candidato tem usado como um de seus pilares de sustentação as obras do governo e da prefeitura, sob o argumento de que “se ele não for eleito, isso não vai continuar”. Bem, devo confessar que isso me deixa especialmente chateado. Em primeiro lugar por tratar o eleitor como imbecil (as pesquisas parecem mostrar que eles são mesmo): será que todos os outros candidatos interromperão as obras? Será que o diálogo entre a prefeitura e o governo acabará se o prefeito não for o Márcio? Será mesmo? É lógico que não! Acordem!

Antes de elogiar este candidato, percebam que no último ano, a prefeitura realizou obras de recapeamento de vias na av. Amazonas e Pedro II e vem arrastando as obras da duplicação da Av. Antônio Carlos numa lentidão que só quem passa por lá todo dia sabe. Qual o motivo disso? Bem, parece claro que é mostrar para todo mundo na cidade que a prefeitura trabalha (no Brasil, infelizmente, trabalho do poder público é confundido com obras)…

Outra obra grandiosa que é associada ao Márcio Lacerda é a Linha Verde. Bem, em primeiro lugar, tente achar o cronograma da obra. Eu não consegui. O máximo que pude chegar perto foi este depoimento (que replico aqui - em tempos de censura em Minas (mais), sabe-se lá onde isso vai parar, né?) que relata que a obra estaria pronta em 2006/2007. Já é 2008, pessoal. E a linha verde nunca amadurece.

Enquanto isso, as pessoas sofrem no trânsito diariamente enquanto o canteiro de obras é mostrado amplamente na campanha do Márcio Lacerda. Aí eu pergunto: se estas obras citadas, somadas à “reorganização” do complexo de viadutos da Lagoinha não são eleitoreiras, o que é?
E mais: se isso é prática agora, para eleger um desconhecido mensaleiro, o que este mensaleiro não fará quando for a sua vez de se reeleger? Por isso temo pelos próximos oito anos em BH.

(...)

Mas antes de decidir por anular seu voto, conheça os candidatos (os que eu encontrei site foram referenciados em seus sites de campanha; os outros foram referenciados em seus perfis no site do Uai):
  1. Jô Morais
  2. Sergio Miranda
  3. Leonardo Quintão
  4. Jorge Periquito
  5. Gustavo Valadares
  6. Vanessa Portugal
  7. Pedro Paulo
  8. André Alves
  9. Márcio Lacerda (este clonou seu site do Barack Obama. Nem pra fazer um site honesto ele presta)

Adicionalmente, recomendo a todos acompanhar os portais Transparência Brasil e Excelências (afinal, vários dos candidatos são deputados) e também as informações do TSE a respeito dos candidatos.

Por fim, nunca é demais reforçar: Informe-se! Não faça besteira com seu voto!

Sobre Márcio Lacerda, candidato da "Aliança" (parte 2)

Eu podia tá matando, eu podia tá estuprando, eu podia tá latrocinando, mas eu estou escrevendo. E eu vou pedir cinco minutos da sua atenção.

Como todos sabem, a "Aliança por BH", chapa do Márcio Lacerda, está sendo deveras questionada. Não pela grande imprensa, que está completamente alinhada ao governador Aécio Neves por força de censura remunerada. Mas por nós, cidadãos/internautas, que não sabem de onde vem esse cara - e o pior, ninguém sabe para onde vai.

Bom, saber para onde vai, acho que dá pra saber. Pelo menos depois de ler o texto abaixo, publicado no Vermelho. O texto não é pequeno, mas vale lê-lo. Qualquer semelhança não é mera coincidência.



BH: candidatura de Lacerda faz lembrar dobradinha Maluf-Pitta

A disputa eleitoral pela prefeitura de Belo Horizonte vive uma situação em que um político desconhecido, sacado dos escaninhos da burocracia administrativa, lidera a corrida eleitoral graças ao apoio ostensivo de seus poderosos padrinhos políticos. Esta situação não é uma novidade no histórico das recentes eleições municipais. Em 1996, na capital paulista, um personagem semelhante disputou e ganhou a eleição graças ao apadrinhamento político e uma campanha milionária. O personagem era Celso Pitta e o padrinho político Paulo Maluf. O resultado deste arranjo foi trágico para os paulistanos e Pitta ficou marcado como um dos piores prefeitos que São Paulo já teve.

por Cláudio Gonzalez


O ano de 1996 vai ficar registrado na história das eleições municipais como o ano em que o marketing político conseguiu realmente ''eleger um poste''. O ''poste'', no caso, era o economista carioca Celso Pitta, então secretário de finanças da prefeitura de São Paulo, comandada por Paulo Maluf. Na época, Maluf gozava de grande popularidade. Graças a um ostensivo --e descobriu-se depois, oneroso e cercado de ilegalidades-- programa de grandes obras, seu governo era avaliado com um ótimo índice de aprovação entre mais de 50% dos paulistanos. Mas a reeleição não era permitida e Maluf não poderia ser candidato novamente.

Eis então que surge da cartola do marqueteiro Duda Mendonça a proposta de lançar o desconhecido Celso Pitta como candidato a prefeito pelo PPB (atual PP) --partido de Maluf-- em coligação com o PFL (atual DEM).

Celso Roberto Pitta do Nascimento, na época com 50 anos, era apenas mais um integrante do secretariado de Maluf. Por ser negro e economista com mestrado na universidade de Leeds (Inglaterra) e na de Harvard (EUA), ele concentrava o perfil do homem que ''estudou e venceu na vida''. Era o perfil que Duda Mendonça acreditava ser o ideal para dar continuidade à gestão de Maluf. A crença no cacife político do malufismo e no poder do marketing era tão grande que Duda Mendonça chegou a dizer que conseguiria ''eleger um poste'' e Maluf, por sua vez, botou tanta fé na estratégia que arriscou-se a ir para a TV e dizer: ''votem no Pitta, e se ele não for um bom prefeito, nunca mais votem em mim''.

Assim como está ocorrendo atualmente em Belo Horizonte com a candidatura de Márcio Lacerda, Pitta também viu sua campanha deslanchar com o início da campanha eleitoral no rádio e na TV. Admiravelmente, com menos de quinze dias de veiculação das propagandas dos candidatos, conforme mostra a pesquisa realizada em 14 de agosto de 1996, Pitta já conquistava a liderança das intenções de voto com 28,6%, deixando para trás a ex-prefeita Luiza Erundina e o ex-prefeito Francisco Rossi, que haviam saído na frente da corrida, cada um angariando quase um terço das preferências dos eleitores.

O próprio Duda Mendonça reconhece que a eleição de Pitta foi possível, entre outros fatores, pelo fato do PT ter caído na armadilha de tentar atacar Pitta dizendo que ele era igual ao Maluf. Segundo Duda Mendonça, as pesquisas qualitativas mostravam que era justamente isso que o eleitorado buscava, um ''novo Maluf''. Assim, o PT acabou ajudando a reforçar a campanha de Pitta que, no segundo turno, venceu a eleição com 62,3% dos votos contra 37,7% da petista Luiza Erundina.

Mas a frase de Maluf sobre Pitta acabou sendo usada contra o próprio Maluf em todas as eleições seguintes que disputou. Motivo: Pitta não foi um bom prefeito. Pelo contrário: sua gestão ficou marcada como uma das piores administrações que São Paulo já teve.

O economista formado em Harvard revelou-se um péssimo administrador. Sua principal promessa de campanha, o Fura Fila (uma espécie de trem de superfície) só foi parcialmente finalizado dez anos depois, ao custo total de 1,2 bilhão de reais. Do ''fazedor de obras'' Paulo Maluf, Pitta herdou apenas a prática de mau uso do dinheiro público.

A administração Pitta foi cercada de denúncias de corrupção, entre elas a de que uma máfia de fiscais atuava na prefeitura com a cumplicidade do prefeito e da base governista de vereadores na Câmara Municipal. O escândalo acabou custando o mandato de Pitta, que foi afastado da prefeitura por ordem judicial. Depois Pitta entrou com recurso e recuperou o mandato. Ao terminar seu mandato, o ex-prefeito era réu em treze ações civis públicas, acusando-o de ilegalidades. O valor das denúncias somadas alcançou 3,8 bilhões de reais, equivalente a quase metade do orçamento do município na época. A dívida paulistana passou na sua gestão de 8,6 bilhões de reais em 1997 para 18,1 bilhões de reais. Sua popularidade foi a mais baixa já registrada por institutos de pesquisa: 83% dos paulistanos consideravam a sua gestão ruim ou péssima no fim de 2000. Tendo se candidatado a deputado federal nas eleições de 2002 e nas de 2006, não foi eleito.

Recentemente, Pitta voltou à berlinda após ser preso na Operação Satiagraha da Polícia Federal, junto com o banqueiro Daniel Dantas e o especulador Naji Nahas, sob a a cusação de participar de uma quadrilha que cometia crimes contra o sistema financeiro.


Lacerda: o mais rico
O leitor deve estar se perguntando: o que Márcio Lacerda tem a ver com isso? Como disse Marx, a história pode se repetir duas vezes: na primeira vez em forma de tragédia e na segunda como farsa.

A candidatura de Márcio Lacerda guarda muitas semelhanças com a de Pitta. Além de contar com uma campanha milionária, com os mais modernos truques do marketing eleitoral, Lacerda também foi ungido candidato por padrinhos políticos. Só que desta vez, não foi apenas o prefeito de plantão (o petista Fernando Pimentel) quem deu aval para a candidatura, mas também o governador tucano Aécio Neves. Pimentel e Aécio trocaram juras de apoio para 2010 em troca do certame. Assim como Maluf fez em 1996, Aécio também sacou de sua lista de secretários um nome para ser o candidato da continuidade. O empresário Márcio Lacerda foi secretário de Desenvolvimento Econômico do Estado de Minas Gerais.

Assim como Pitta, Lacerda carrega o perfil do homem que ''venceu na vida''. Tanto que hoje, com um patrimônio declarado de R$ 55 milhões, é o candidato mais rico a disputar a prefeitura de uma capital. Depois dele, vem Maluf com um patrimônio de R$ 39 milhões.

Curiosamente, Lacerda, assim como Maluf, começou a fazer fortuna durante o regime militar. O mesmo regime que Lacerda diz ter combatido. Aliás, esta é justamente a bandeira que Lacerda tem erguido para se apresentar ao eleitorado mais resistente à influência dos padrinhos políticos. Enquanto Pitta brandia a condição de ser um candidato negro para conquistar o voto dos eleitores mais progressistas, Lacerda acena com seu passado de militante de esquerda.

Mas mesmo esta trajetória tem sido questionada. Matéria recente da Folha de S. Paulo diz que ''a vida empresarial de Lacerda é marcada pelo regime militar (1964-1985): inicialmente uma vítima da ditadura, depois passou a receber ajuda dos militares e, em 1973, se tornou empresário do ramo de telecomunicações com a colaboração de oficiais ligados ao Exército''.

Questionamentos surgem também em relação ao comportamento ético de Lacerda. Uma das denúncias dá conta de que o patrimônio de Márcio Lacerda aumentou, e muito, quando era dono das empresas de telecomunicações Batik e Construtel, nos anos 80 e 90.

Lacerda tinha como importante contato o diretor da Telemig na época, Roberto Lamoglia. Em 1998, a Construtel chegou a faturar 255 milhões de dólares! Após a privatização das companhias telefônicas, ambas Construtel e Batik sofreram queda vertiginosa no faturamento. A Batik foi vendida e a Construtel desativada. O site “novojornal” apresentou documentos que comprovavam o superfaturamento de Lacerda no fornecimento de serviços por parte de suas empresas às estatais Telemig e Telebrás. O ''lucro'' era dividido com Roberto Lamoglia, diretor das estatais.

Em 2005, quando era secretário-executivo do Ministério da Integração Nacional, ele apareceu na célebre lista do publicitário Marcos Valério, de sacadores de dinheiro do ''mensalão'', e teve de se demitir por isso.

A imprensa mineira tem praticamente ignorado as denúncias e o passado de Lacerda. Apresenta-o apenas como um empresário bem sucedido, o afilhado político de Aécio e Pimentel e o novo ''fenômeno'' da política mineira. Também dão como certa sua vitória no primeiro turno das eleições. Resta saber se, neste caso, a ''profecia'' de Marx sobre a repetição da história irá se concretizar.

Por via das dúvidas, os eleitores de Belo Horizonte têm nas mãos, literalmente, o poder do voto e, portanto, o poder de impedir que Belo Horizonte passe por uma experiência tão danosa quanto a que São Paulo experimentou com a eleição de Celso Pitta.