"Chora, não vou ligar..." (parte 2)

Tudo bem. Eu bem que não quis mencionar novamente esse título no post, visto que já o usei uma vez, quando Fernando Pimentel chorou, em 2008, dizendo que pagou "alto custo" pela aliança com Aécio para a Prefeitura de Belo Horizonte. Creio que, nos seus horizontes, ele vislumbrava um apoio recíproco para 2010, quando ele se candidataria Governador.

Só que não.

Ao se aliar com Aécio Neves, Pimentel traiu a confiança dos cidadãos de Belo Horizonte, que se viram num mato sem cachorro no segundo turno das eleições municipais de 2008. 

Deu as costas a Patrus Ananias, liderança petista histórica e deveras importante para o partido e para a capital. Foi ficar de fofoquinha com o neto do Tancredo.

E, recentemente, pediu arrego ao PT de Minas, entregando a sua provável disputa ao Palácio Tiradentes ao boneco global do Hélio Costa.
Agora, Fernando Damatta Pimentel recebe o que merece. Tudo é vai e volta.



Antes de começar a campanha eleitoral, o ex-prefeito de Belo Horizonte Fernando Pimentel (PT) andava nas nuvens:

  • Era o amigo predileto da candidata à Presidência por seu partido, Dilma Rousseff;
  • O todo-poderoso da campanha presidencial;
  • E pule de dez na corrida pelas vagas ao Senado por Minas Gerais.

Agora em plena campanha, com as pesquisas apontando Aécio Neves (PSDB) e Itamar Franco (PPS) nas primeiras colocações para o Senado por Minas Gerais, Pimentel vive um inferno astral:

  • Terá que fazer campanha mesmo, que era o que menos queria;
  • Perdeu influência sobre a equipe de Dilma Rousseff;
  • E corre sério risco de se ver derrotado as eleições.


É. O Pimentel está com medo. #ReginaDuarteFeelings.

É o Fernando Pimentel, que tinha TUDO para governar este Estado de Minas Gerais, deixando-se quedar pelo ostracismo e decadência política. Tudo, por ter se aliado em 2008 com Aécio Neves. Tudo, por um deslumbre de curto prazo.

Tudo é vai e volta. Pimentel pagou com traição a quem sempre lhe deu a mão. Então chora...



A Cultura que exala

Uma coisa que muito me incomoda nessa gestão municipal é a capacidade de a Prefeitura se apropriar de algo como se fosse dela. Isso ocorre, principalmente, no campo cultural. Se não, vejamos:

Antigos projetos que eram executados à época de Patrus e Célio de Castro, como a Arena de Cultura, simplesmente não existem mais. Ou, se existem, eu não vejo falar deles - é a máxima da Publicidade: um produto só existe quando é conhecido ou falado sobre. E eu não ouço falar.


Mas o que eu quero falar é mais exatamente sobre o texto que li hoje, a partir de um tweet da Fundação Municipal de Cultura: http://fr.pbh.gov.br/?q=node/158 (Cliquem e leiam, por favor. Eu não vou reproduzi-lo aqui.)

É inegável que a FMC tem a sua cota de participação, que ajuda a difundir a cultura etc. Mas, pelo menos para mim, o fatídico episódio do FIT, no começo do ano, e da Praça da Estação - que parece se desenrolar por um bom tempo ainda - foram o estopim para se crer que em Belo Horizonte a cultura vive à sombra, à margem do que deveria ser.

Isso, claro, sem falar no Carnaval da cidade. Conversava eu, uns dias aí para trás, com pessoas do cenário do samba de BH. E, inevitavelmente, caímos no tema da expulsão (essa é a palavra mais adequada) da GRES Cidade Jardim da sua quadra para o provimento de uma creche. A principal alegação era de que a área é invadida. Acho que alegações do tipo "é o melhor local para a creche" devem ter sido ditas.

Para quem não conhece, a Escola fica em um barranco, no Conjunto Santa Maria, zona oeste, bem próximo à Av. Raja Gabáglia. Para quem é de fora de BH, a Raja é uma avenida que só passa por lugare$ bacana$ - Gutierrez, Luxemburgo, Estoril, São Bento, Santa Lúcia e, em um trecho pequeno, corta o Aglomerado Morro das Pedras. Logo abaixo, encontram-se casas luxuosas e mansões ostentosas do high society bairro Luxemburgo, já na zona sul. Eu disse que a alegação da expulsão era a invasão do terreno, certo? Pois bem. Dois pesos e duas medidas: o Luxemburgo também é área de terras devolutas (leia-se invasão). Não sou eu quem disse, foi a pessoa com quem conversei. E eu não duvido nem um pouco dessa situação.

E como é que se estimula uma Cultura de Culturas expulsando escolas de samba e as deixando sem local para ensaiar? E como é que se estimula a diversidade cultural jogando o Carnaval para a putaquiupariu da Via 240? E como é que se estimula a Cultura fechando a Praça da Estação aos grupos culturais e abrindo à Coca Cola? E o fracasso e desespero que foi a Parada Disney, que simplesmente devastou a Pampulha para um evento da Nestlé (aí, mais um evento pago!), deixou muita gente frustrada e os moradores emputecidos? E os teatros municipais, que estão aos cacarecos? Chico Nunes já está fechado, de tão precário que se encontra. O Marília vai indo pelo mesmo caminho.

Estímulo à cultura. Cadê? Ela não pode ser feita em apenas um sentido.

Responda-me, Thaís Pimentel, por favor. Se quiser, te deixo um espaço para seu Direito de Resposta. Só não me deixe falando sozinho, como faz o Sr. "Prefeito" Márcio Lacerda.

Propaganda antecipada

Eita! Mal acabo de chegar e já recebo uma notícia totalmente excelente.

Via site do Estadão:





A ministra Nancy Andrighi do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) multou em R$ 7 mil o jornal Estado de Minas por ter publicado, no dia 10 de abril, matéria relativa ao lançamento da pré-candidatura de José Serra (PSDB) à presidência da República.

Em representação, o Ministério Público Eleitoral (MPE) pediu a pena máxima de R$ 25 mil prevista na Lei das Eleições para quem fizer propaganda eleitoral antes do dia 5 de julho do ano das eleições.

De acordo com o MPE, o jornal, além de fazer referência ao conteúdo do material publicitário confeccionado para o lançamento da pré-candidatura de Serra, publicou no centro da página fotografias dos banners, em cores e formato próprios de propaganda paga.

Além dos banners, com a sigla do PSDB, a página questionada pelo MPE continha frases de apoio à candidatura de José Serra e sua imagem ao lado do ex-governador mineiro Aécio Neves. Em sua defesa, o jornal sustentou que a matéria veiculada é de cunho informativo, amparada no direito de liberdade de informação e comunicação, garantido pela Constituição Federal.


Bem... Digamos que, para os mineiros, isso não é novidade. O jornalão supracitado já é deveras conhecido por suas atitudes típicas de revista Veja.



Vedações em período eleitoral

Pessoal que nos lê neste blogue,

Passada a Copa do Mundo, hora de focar nas Eleições 2010. Só que tem um pequeno grande porém. O TSE soltou algumas normas para as mídias/redes sociais. Blogs se incluem. 

Como eu e meus compadres não queremos ver nosso pescoço pisado e nem a nossa bunda chutada, eu deliberadamente me resguardarei, seguindo as normas do Tribunal.

É vedado o anonimato. Além disso, os textos por mim postados e os comentários têm o mesmo peso na consideração do teor ofensivo. Quer dizer, se um anônimo vem e ofende o candidato A em prol do B, o candidato A pode processar o blog por causa do comentário anônimo, mesmo eu não tendo nada a ver com isso. O dono do blog será considerado como responsável solidário pelo conteúdo publicado na página. Quero dizer que, até outubro, a moderação de comentários estará ligada. Infelizmente. A contragosto. Muito contragosto.

O que não quer dizer que serei um censor chinês totalitário. Somente vetarei o que for expressamente ofensivo a algum candidato ou a alguma facção que se considere partido político.

Eu ainda acho que muita coisa deverá serdiscutida sobre direito e internet. Ainda nos é uma coisa recente, sem muita definição... Mas enfim, sigamos as ordens. Tá, né...

Leia mais sobre as vedações, proibições e não-permissões no texto abaixo, disponível neste link.Via @criticarbh.


Blogs

  • Está proibido o anonimato;
  • Quem criar uma página para apoiar algum candidato nas eleições deverá ter sua identificação claramente exposta no blog, responderá por qualquer excesso que ocorra no site e será denunciado por qualquer desvio destas condições;
  • Os textos postados pelo dono do blog quanto os comentários que são feitos na página têm o mesmo peso na consideração do teor ofensivo. Ou seja, o dono do blog será considerado como responsável solidário pelo conteúdo publicado na página, já que ele exerce a moderação;
  • Todo e qualquer tipo de site, seja blog ou não, que não o do partido, está proibido de inserir qualquer tipo de propaganda política – como, por exemplo, banners.


Twitter e outras redes sociais

As regras válidas para os blogs são válidas também para outras ferramentas de comunicação, como o Twitter e também redes sociais. Ou seja, o autor de uma comunidade no Facebook ou no Orkut será responsável pelos textos publicados naquele espaço e também em moderar os comentários emitidos.


E-mails
  • As eleições de 2010 no Brasil contam com uma lei específica de combate ao spam. A lei diz diz que os partidos podem criar um e-mail marketing, desde que qualquer mensagem eletrônica permita ao destinatário solicitar o seu descadastramento. E isso tem de ser cumprido em até 48 horas do recebimento da solicitação;
  • A venda de mailing aos partidos está proibida.

Direito de Resposta

O TSE implementará o direito de resposta a um candidato que se sinta prejudicado nos meios virtuais.


Provedores

Os provedores poderão ser acionados pelo TSE como responsáveis solidários. Ou seja, os provedores, de alguma forma, terão de ser ágeis e se preocupar mais em monitorar os blogs. No caso de algum problema, eles terão que ter rapidez para retirar o conteúdo considerado ofensivo pelo TSE.


Impedimento claro

Em época de Copa do Mundo, o que mais tem é gol anulado por causa de impedimento...


Não entendeu? Clique aqui.

Questão de Senhorio

E não é que ainda vivemos como se estivéssemos divididos em Casa Grande e em Senzala?

Nota que saiu ontem no Portal UAI e estampa a capa do Jornal O TEMPO de hoje:

A festa dos torcedores no Bairro São Bento, Região Centro-Sul, na tarde desta sexta-feira, depois do jogo do Brasil, não estava tão animada quanto nos últimos jogos. A Polícia Militar, a Prefeitura de Belo Horizonte e a BHTrans foram rigorosos com os mais empolgados nesta Copa do Mundo.

Os bares fecharam as portas às 13h e ninguém mais entrou. Apenas os clientes que já estavam dentro dos estabelecimentos é que puderam consumir bebida alcoólica e festejar. Uma grande concentração de policiais fiscalizou a Avenida Cônsul Antônio Cadar entre as ruas Coronel Antônio Garcia e Professor José Renault, local de grande concentração de bares. Domingo passado, no jogo do Brasil contra a Costa do Marfim, a PM informou que mais de 10 mil torcedores se juntaram neste quarteirão para comemorar teriam provocado desordem. Todas as avenidas de acesso ao Bairro São Bento foram cercadas de militares fazendo blitzes, abordando motoristas e aplicando testes do bafômetro.

(...)

A orientação do comandante do policiamento da capital, Coronel Cícero, era para que as pessoas não ficassem aglomeradas, porque a PM estava desfazendo estes grupos para evitar problemas. Além disso, motoristas que dirigiam com o som do carro muito alto foram orientados a reduzir o volume. O coronel ainda pediu para a população não se deslocar para o bairro na tentativa de festejar a Copa do Mundo.

A PM e a Secretaria de Defesa Social ressaltaram que a ação teve caráter preventivo e em resposta à solicitação de associação de moradores do bairro. Asseguraram ainda que o intuito da operação foi o de garantir tranquilidade e segurança para torcedores e moradores.


Belo lobby o dessa associação. Se o Santa Cruz (na Nordeste) pede algo do tipo, capaz de o Cel. Cícero achar engraçado e não levar a sério... Mas se for o Palmares ou o Cidade Nova, aí a coisa muda toda de figura...

Engraçado como é a atuação da PMMG. Vou contar um caso.

Há alguns dias, eu retornava do meu horário de almoço, e ia calmo e tranquilo para o serviço. Eu trabalho no São Pedro, perto do Pátio Savassi - ou seja, na Sul. Atravessando a Lavras, passei na frente de uma blazer da ROTAM. E, ao acabar de atravessar, a ROTAM parou ao meu lado, como se eu estivesse em atitude suspeita. (Sim, eles talvez pudessem me fichar por eu ter peidado na rua... Mas enfim...) Fiquei encafifado com aquilo. Eles pararam na esquina da rua do meu trabalho e ficaram me olhando entrar. Não desceram da viatura, mas ficaram me olhando como se eu, pretin do jeito que sou (e com muito prazer, obrigado), fosse algum tipo de marginal fugindo dos caras. 

E daí que eu trabalho perto do Morro do Papagaio? Isso se chama generalização. E pode gerar injúria - vide art. 140 do Penal:

Injúria

Art. 140 - Injuriar alguém, ofendendo-lhe a dignidade ou o decoro:

Pena - detenção, de um a seis meses, ou multa.

(...)

§ 3o Se a injúria consiste na utilização de elementos referentes a raça, cor, etnia, religião, origem ou a condição de pessoa idosa ou portadora de deficiência: (Redação dada pela Lei nº 10.741, de 2003)

Pena - reclusão de um a três anos e multa. (Incluído pela Lei nº 9.459, de 1997)


Sei que, para policial, que tem o referendo do status quo, não adianta a aplicabilidade dessa lei. Se eles quiserem me dar geral por suspeita, eu não posso piar - se chiar, levo uns tabefes e ainda sou processado por... DESACATO!

No S. Bento, a atuação da PM é mais presente. Não pode ter bagunça para incomodar os senhores do dito bairro "nobre". Agora, se é no São Gabriel, Nazaré, Barreiro, Vista Alegre, Venda Nova... Ah, deixa esse povo si fudê, né não? Não estamos falando de Santa Lúcia, Anchieta ou Estoril - aí, a PM tá em peso, vigilando a morada dos nossos senhores.

Daí neguin não acreditar na PM, e a PM dar uma de Lula e dizer que "não sabe de nada".

O José Serra foi um dos principais mentores da privatização da Vale.

FHC não foi responsável pelo Plano Real, de acordo com o Itamar Franco.

Não estou afirmando nada. Só recebi esse vídeo e estou repassando para vocês. É realmente muito curioso ouvir algo tão sério assim:

Meu mundo caiu...



O ex-ministro Patrus Ananias (PT) atendeu aos apelos da militância e de líderes petistas e sinalizou que vai aceitar ser o candidato a vice na chapa com o peemedebista Hélio Costa. Ao final do encontro estadual do Partido dos Trabalhadores, em Contagem, ele disse que antes de oficializar o “sim”, quer ouvir algumas pessoas, entre eles os seus familiares, na sua cidade natal, Bocaiúva.

Antes do início do encontro Patrus havia dito que, em uma escala de zero a 10, a chance de ele aceitar a ser vice era de 8 pontos. Após ouvir os apelos de lideranças e ser ovacionado pela militância, ele corrigiu o número dizendo que a chance “consolidou no nove”.

“Só não quero formalizar essa questão porque ainda faltam algumas pessoas que eu quero ouvir. São pessoas com presença muito forte na minha vida, na minha trajetória existencial, política e social. A minha mãe é uma dessas pessoas, certamente a mais importante”, disse o ex-ministro.

Patrus Ananias irá a sua cidade natal, Bocaiúva, no Norte de Minas, na próxima quarta-feira, para ouvir a sua mãe, Ana Maria Tereza, e os amigos.


Pronto. Está tudo acabado.

Pimentel, o flanelinha.

Um plus para um ideal

Depois de ver esse vídeo, percebi uma coisa:

O Socialismo, para durar mais tempo e dar mais certo, precisava apenas de um fundo musical. Massa.


Humoristas de Israel Fazem piadas sobre o Acordo Brasil - Turquia - Irã


Eu achei que eles não tinham bom humor. Odeiam piadas sobre judeus, adoram jogar bombas em Palestinos, roubar territórios estrangeiros, construir bombas atômicas e outras armas de destruição em massa. Eu acho que para eles a diplomacia deve ser uma grande piada e a guerra e matança um grande lazer.

O Lacerdinha não brinca em serviço.

Reitor da UFMG é designado para cargo em órgão do governo

Ontem eu estava acompanhando o twitter e uma notícia exibida pelo @ufmgbr me chamou a atenção: “Campolina é designado para Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social da Presidência da República http://bit.ly/dqcI9N.” Sim, meus amigos, o Reitor Clélio Campolina agora tem um cargo em um órgão do governo, de assessoramento imediato ao presidente da República.

A competência do Reitor na área de ciências econômicas é inquestionável, mas será que esse cargo não é fruto de a universidade ceder às vontades do governo? Será que isso não é um agrado ao fato de, por exemplo, subitamente a UFMG adotar o ENEM em parte de seu processo seletivo?

Acho que morreremos com esta dúvida: politicagem ou competência?

Talvez ambos...

#PorraLacerda: Praça da Estação

Vejam só se eu estava errado ou não em dizer que a eleição desse "prefeito" foi uma lástima para Beagá. Isso, eu disse em 2008!

Confiram essa matéria do Jornal O TEMPO, sobre a questão da Praça da Estação. Atentem-se para a fala do secretário Fernando Cabral. Simplesmente afirma que praça não é lugar de teatro. WTF? E o que o FIT tava fazendo lá esses tempos todos?

Degustem, repassem e se indignem.

Mario



Quando o público se torna privado
Douglas Resende e Julia Guimarães


Na trajetória do Grupo Galpão, por diversas vezes a praça da Estação serviu de palco aberto para seus espetáculos. Essencialmente um grupo de teatro de rua, eles apresentaram lá "Romeu e Julieta" e "Um Molière Imaginário", alcançando um contato delicado e mais direto com o público, que estaria ali numa comunicação olho no olho, trazendo belos e raros momentos de poesia para o centro da cidade.

Esses momentos, no entanto, correm o risco de não voltar a acontecer, depois da decisão imposta pela Prefeitura de Belo Horizonte, no início do mês passado, estabelecendo valores entre R$ 9 mil e R$ 19 mil para a realização de eventos no local.

"Com uma taxa dessas torna-se completamente inviável fazer eventos delicados como teatro", diz Inês Peixoto, atriz do Galpão. "Mesmo para nós, que somos um grupo com patrocínio da Petrobras, é completamente inviável".

O Galpão é tomado aqui apenas como um exemplo de como a restrição ao uso da praça da Estação tem gerado preocupação. Nos últimos meses, muitos protestos têm sido feitos na própria praça, no que foi chamado de "Praia da Estação". Um deles, no dia 9 de maio, foi impedido pela polícia e fiscais da prefeitura. "Nos disseram que poderíamos fazer um evento quando quiséssemos, desde que fosse paga a taxa da licença. Isso é uma proibição velada", comenta Guto Borges, músico do Dead Lover’s Twisted Heart, grupo que tocaria naquele dia.

Antes disso, uma audiência pública havia sido convocada na Câmara Municipal pelo vereador Arnaldo Godoy na tentativa de ampliar o debate com a prefeitura, já que a decisão havia sido tomada de "forma arbitrária", como diz Godoy. "Achamos que os critérios são muito rigorosos", continua ele, referindo-se ao cercamento do espaço para limitar o número de pessoas.

Se, mesmo com patrocínio da Petrobras, o Galpão não teria condições de realizar um evento na praça, pressupõe-se que apenas grandes corporações poderiam - por exemplo, a Coca-Cola, que organiza, junto com a prefeitura, grandes eventos na praça da Estação durante a Copa do Mundo.

"O que é espaço público livre acaba. Vira um espaço público como lugar de marketing", diz a historiadora e urbanista Myriam Bahia Lopes, professora da Escola de Arquitetura e Urbanismo (EAU) da UFMG, acrescentando que se trata de um movimento mais amplo da sociedade atual. "É uma grande briga por ocupação total do espaço público como espaço de marketing. E não sobre espaço como uma questão da vida da cidade", continua Myriam: "O prefeito diz que a população não pode, mas tal empresa pode. Porque quem paga pode", avalia a pesquisadora.

As transformações pelas quais a praça da Estação está passando têm a ver, portanto, com a forma como a cidade e seus espaços são olhados politicamente. "Faz parte de uma mentalidade que identifica o espaço público não como um espaço público livre, mas como ‘cidade espetáculo’. A cidade se torna mera tela de projeção para a vida", diz a professora. "São opções políticas. Outras cidades tomam outras opções e resistem a essa pressão".

O resultado, continua ela, é a formação de uma população feita de consumidores e "não de pessoas que possam ter uma relação criativa com a cidade".


Retrospecto dos principais fatos

9 de dezembro de 2009. É publicado decreto, assinado pelo prefeito Marcio Lacerda, proibindo a ‘realização de eventos de qualquer natureza na praça da Estação’

4 de maio de 2010. Depois de uma audiência pública na Câmara, o prefeito assina um novo decreto, revogando o primeiro e estabelecendo valores entre R$ 9 mil e R$ 19 mil para a realização de eventos no local.

8 de maio. A praça tem a sua primeira manifestação reprimida com base no novo decreto, o Eventão, organizado pelo Coletivo "Praia da Estação".




Na praça. Abertura do Festival Internacional de Teatro de Palco e Rua (FIT-BH) de 2006, na praça da Estação

FOTO: Guto Muniz/divulgação


"Para que praça sem festa?"
Qual o sentido de uma praça para uma cidade? Mais especificamente, qual o sentido da praça da Estação para Belo Horizonte? Essas perguntas vêm à tona diante da necessidade de debate que criam as decisões tomadas pela prefeitura.

A praça da Estação tem um papel histórico importante para a fundação de Belo Horizonte. "A estação era por onde as pessoas chegavam, a porta de entrada da cidade", comenta a historiadora e urbanista Myriam Bahia Lopes. Segundo ela, a construção do Boulevard Arrudas já se constitui uma "redução do verde" e uma "expulsão e segregação" da população naquele espaço. "O interessante hoje é que existem mobilizações populares, com a criatividade. Você dizer ‘Praia da Estação’ é exatamente voltar à função original da praça, que era ligar o interior com o exterior. Você faz essa ficção, mas que remete à questão original", comenta Myriam.

Para a atriz Inês Peixoto, do Grupo Galpão, é contraditório o fato de que a praça da Estação tenha sido reformada em 2003 justamente para receber manifestações culturais e agora haja uma cobrança pelo seu uso. "Acho que existe um equívoco muito grande ao haver cobrança para manifestações artísticas numa praça. Desde os tempos remotos, a praça é do povo, um espaço onde a população aprende a exercer sua cidadania. E as pessoas já estão ficando tão presas em shoppings e condomínios que perder um espaço central e democrático como a praça da Estação é ainda mais grave", observa.

Quando Inês diz que "a praça é do povo desde os tempos remotos" ela está evocando o significado original - algumas vezes esquecido - de uma praça. Na cultura grega antiga, em muitos sentidos ainda a base de nossa cultura, a praça - ou a ágora - era "o local onde se realizavam assembleias que marcam a criação do conceito e da prática de democracia", como define Jacyntho Lins Brandão, professor de grego na Faculdade de Letras (Fale) da UFMG. "Assim como o palácio está para a realeza, a praça aberta está para a democracia".

A relação da praça com as festividades e a consequente comunhão entre pessoas nesse tipo de evento é lembrada pelo professor. "Isso tudo leva a pensar por que, no nosso imaginário, pensamos que cidades têm de ter praças. Em primeiro lugar, saliente-se que temos aí uma espécie de necessidade humana em nível geral, pelo menos se pensamos que os problemas de uma sociedade podem ser resolvidos através do encontro das pessoas - basta pensar numa aldeia indígena típica, que se organiza como uma ferradura em volta de um espaço aberto, onde a comunidade se encontra de modo intenso. Em sociedades mais complexas e maiores, esse encontro constante é mais difícil, por isso há um relacionamento da praça com festividades, momentos em que a comunidade pode suspender a rotina diária dedicada ao trabalho, para entregar-se a uma atividade mais imprescindível, que é o convívio com os pares", comenta, finalizando: "Enfim, pensando no nosso assunto: para que ter praça se não for para fazer festa?"


Sem palco e som, uso é gratuito
Um dos pontos ressaltados pelo secretário da Regional Centro-Sul, Fernando Cabral, no que se refere à cobrança pelo uso da praça da Estação é que ela não se aplica a manifestações culturais que não utilizem instalação de palco e/ou sistema de sonorização.

Segundo o decreto, instituições que queiram usar esses equipamentos só poderão realizar eventos na praça uma vez por mês, cuja escolha será feita por sorteio. “Embora haja a previsão do sorteio, acredito que a comissão terá o discernimento para definir o que é mais importante para a cidade. Creio que o sorteio só será feito quando houver dois eventos semelhantes”, diz. (JG)



Minientrevista
Fernando Cabral Secretário municipal da Regional Centro-Sul, responsável da Prefeitura de Belo Horizonte pela região da praça da Estação

O que levou a Comissão Especial de Regulamentação de Eventos na Praça da Estação a adotar a medida que cobra para o uso da praça? Percebemos que várias instituições que antes utilizavam espaços privados para a realização de eventos começaram a migrar para a praça da Estação porque o custo lá era nenhum. E a finalidade da praça da Estação, no caso de um espaço público, não é para isso. Com a cobrança, nosso intuito não é penalizar, mas tirar esse incentivo para quem vinha utilizando o espaço privado e preferiu passar para público.

Esses valores estipulados pela prefeitura não excluem artistas que querem se apresentar na praça, mas não têm condições de pagar? Nós temos na cidade os projetos Quarteirão do Soul e o Hip Hop. Eles fazem eventos toda semana e eu os isento de taxas, mas nunca pleitearam a praça da Estação. Agora, é claro que não tem sentido a gente tomar uma praça para um grupo de teatro, lá não é um local adequado a isso. Porque no teatro as pessoas têm que escutar o que está sendo dito.

Mas já aconteceram várias apresentações de teatro lá... Cada caso é um caso. Aquilo que o grupo gestor achar conveniente para a cultura da cidade terá tratamento específico. Nosso objetivo não é proibir manifestação cultural, muito pelo contrário, até se for o caso, a praça está mais reservada para isso.

Embora tenha ocorrido uma audiência pública, o novo decreto não levou em conta as reivindicações levantadas pela sociedade civil. Por que ela foi excluída desse processo? Primeiro, temos que definir qual é o papel do governo. Nós temos aí um prefeito legitimamente eleito, então não podemos abrir mão do papel de governar. Aqui não é uma democracia grega de criar assembleia em praça pública e decidir os destinos da cidade. Temos obrigação de zelar pelo patrimônio público, um espaço tombado que vinha sendo depredado. Então, criamos um arcabouço que garanta a sobrevivência daquele local.


Publicado em: 06/06/2010 - Jornal O TEMPO, caderno Magazine.


Hélio Costa, goela abaixo

Sim, caríssimos leitores. O PT finalmente mostrou a que veio. À venda, mas tinha que ser por um preço altíssimo. Senhoras e senhores, o pré-candidato da base aliada do Governo Lula é o senhor Hélio Calixto da Costa, 70 anos, natural de Barbacena, ex-Ministro das Comunicações e eterno pupilo da Rede Glóbulo.

Depois de muito bate-boca na mídia, entrevista na Itatiaia de cá, falação na Band News de lá, parecia ontem que Fernando Pimentel seria mesmo o candidato da base aliada. Ou que haveria palanque duplo - como haverá na Bahia. Mas nem tudo que parece é. Hoje, às 15h30, pelo Twitter já fiquei sabendo da imposição de Costa à chapa apoiadora de Dilma. E foi estarrecido que li o Portal Uai dizer que "presidentes nacionais do PT e PMDB vão anunciar o nome às 17h, em Brasília, passando por cima da decisão dos petistas mineiros".

Passou por cima, mesmo? Será que não era só maquiagem? Bom, las brujas...

Uma das alegações para a desistência do Pimentel, segundo o Jornal da Band de hoje e que pude confirmar nesta matéria do O Globo:

O afastamento do jornalista Luiz Lanzetta não será a única baixa no comando da campanha da pré-candidata petista Dilma Rousseff. Considerado um homem-problema não só por causa do episódio dos supostos dossiês contra o tucano José Serra e a vinculação com Lanzetta, mas também devido ao impasse na aliança com o PMDB mineiro, o ex-prefeito de Belo Horizonte Fernando Pimentel será isolado do núcleo duro da campanha. Com isso, se fortalecem no comando o presidente do PT, José Eduardo Dutra, e o deputado Antonio Palocci (SP), que desistiram de disputar a eleição para ter exclusividade na coordenação.

E tudo começou com o racha, quando da eleição municipal, que acabou elegendo o Márcio Lacerda, cria do Aécio Neves. Depois de 16 anos, o PT perde a prefeitura da quarta maior capital do país. (Não me venha com essa de que, sendo o vice Roberto de Carvalho petista, que o PT continua na liderança; ganhou Lacerda, ganhou o Aécio, ganhou o PSDB.)

É o PT mineiro cavando sua sepultura. Na verdade já cavou, só estão enterrando os defuntos. Um deles, o Patrus Ananias.

E Israel, hein?

Turquia diz que Israel enfrentará 'consequências' por ataque à frota

 O ministério de Assuntos Exteriores da Turquia reagiu duramente ao ataque de Israel aos navios turcos da frota internacional com destino a Gaza, que causou pelo menos 10 mortos nesta segunda-feira (31), segundo a televisão israelense.

No comunicado, o ministério afirma que o governo israelense terá que enfrentar as consequências por seu comportamento. Foi estabelecido um centro de crise para acompanhar o desenvolvimento dos eventos.

O embaixador israelense em Ancara, Gaby Levy, foi convocado ao citado ministério para pedir-lhe explicações e receber o protesto turco.

O comunicado diz que o exército israelense usou a força contra um grupo de ajuda humanitária, que inclui "idosos, mulheres e crianças" que viajam nos navios, o que considerou "inaceitável".

"Tomando como alvo civis inocentes, Israel mostrou mais uma vez que não se preocupa com a vida humana, nem com as iniciativas pacíficas. Condenamos fortemente esta prática desumana de Israel", acrescentou a nota.

"Este incidente, que aconteceu em águas internacionais abusando da lei internacional, terá consequências impossíveis de compensar", avisou o ministério turco.

"Não importa qual seja a razão, esta ação contra civis que atuam com propósito humanitário é impossível de aceitar. Israel terá que enfrentar as consequências de seu comportamento e da violação das leis internacionais", conclui o comunicado.


Que bela cagada. Ao melhor estilo judeu.

Estão abertas as apostas. Para quem espera que haja um terceiro conflito mundial para liquidar com esse estorvo espacial chamado Planeta Terra, eis que pode estar se aproximando.

Eu juro que não acreditei quando ouvi que Israel atacara uma missão humanitária de ajuda a Gaza. O argumento israelense foi pífio, sem consistência, diante de tanta repercussão negativa. Porra, uma missão humanitária?

É a mesma pergunta que hoje todos se fazem: WHAT THA FUCK, ISRAEL? Casa de ferreiro, espeto de pau. Para os outros, nomenclatura de ato terrorista; para os próprios, defesa de território? Ah, vá...

Lula inaugura a diplomacia da nova era - Leonardo Boff

O acordo alcançado por Lula e pelo primeiro ministro turco com o Irã a respeito da produção de urânio enriquecido para fins pacíficos possui uma singularidade que convém enfatizar. Foi alcançado mediante o diálogo, a mútua confiança que nasce do olho no olho e a negociação na lógica do ganha-ganha. Nada de intimidações, de imposições, de ameaças, de pressões de toda ordem e de satanização do outro. 
 
Essa era e continua a sendo a estratégia das potências militaristas e imperiais que não se dão conta de que o mundo mudou. Elas estão encalacrados no velho paradigma do big stick, da negociação com o porrete na mão ou da pura e simples intervenção para a qual tudo vale, a mentira deslavada como no caso da guerra injusta contra o Iraque, a violência militar mais sofisticada contra um dos países mais pobres do mundo como o Afeganistão ou os conhecidos golpes armados pela CIA em vários países, nomeadamente na América Latina.

Curiosamente, esta estratégia nunca deu fruto nenhum em nenhum lugar. Os USA estão perdendo todas as guerras, porque ninguém vence um povo disposto a dar a sua vida e até suscitar "homens-bomba" para enfrentar um inimigo armando até os dentes mas cheio de medo e exposto à vergonha e à irrisão mundial. O que conseguiram foi alimentar raiva, rancor e espírito de vingança, fermento de todo o terrorismo.
 
A maior ameaça para estabilidade mundial hoje são os EUA pois a ilusão de serem "o novo povo eleito" - pois assim reza o "destino manifesto" que os neocons, muito fortes, como Bush, acreditam piamente - faz com que se sintam no direito de intervir em todo o mundo. Pretendem levar os direitos humanos quando os violam vergonhosamente, querem impor a democracia quando, na verdade, criam uma farsa, visam abrir o livre mercado para suas multinacionais para que livremente possam explorar a riqueza do pais, seu petróleo e seu gás.

A diplomacia de Lula se contrapõe diretamente àquela do Conselho de Segurança e a de Barack Obama. A de Lula olha para frente e se adequa ao novo. A de Barack Obama olha para traz e quer reproduzir o velho.

O paradigma velho supõe que haja uma nação hegemônica e imperial, no caso o USA. Esta se rege pelo paradigma do inimigo, bem na linha do teórico da filosofia política que fundamentou os regimes de força como fez com o nazismo, Carl Schmitt (+1985). Em seu livro O Conceito do Político claramente diz: "a existência política de um povo depende de sua capacidade de definir quem é amigo e quem é inimigo. O inimigo deve ser combatido e psicologicamente deve ser desqualificado como mau e feio". Não fez exatamente isso Bush chamando os países donde vinham os terroristas de "países canalhas" contra quem se deve fazer uma "guerra infinita"? Essa argumentação é sistêmica e funciona ainda hoje na cabeça dos dirigentes norteamericanos. Políticas inspiradas nesse paradigma ultrapassado podem levar a cenários dramáticos com o sério risco de destruir o projeto planetário humano. Esse paradigma é belicista, reducionista e míope pois não percebe as mudanças históricas que estão ocorrendo na linha da fase planetária da história que exige estratégias de cooperação visando proteger a Terra e cuidar da vida.

O paradigma novo, representado por Lula, assume a singularidade do atual momento histórico. Mudou nossa percepção de fundo: somos todos interdependentes, habitando juntos na mesma Casa Comum, a Terra. Ninguém tem um futuro particular e próprio. Surge um destino comum globalizado: ou cuidamos da humanidade para que não se bifurque entre os que comem e os que não comem e protegemos o planeta Terra para que não seja dizimado pelo aquecimento global ou então não teremos futuro algum. Estamos vinculados definitivamente uns aos outros.

Lula, em sua fina percepção pelo novo, agiu coerentemente: não se pode isolar e castigar o Irã. Importa trazê-lo à mesa de negociação, com confiança e sem preconceitos. Essa atitude de respeito trará bons frutos. E é a única sensata nesta nova fase da história humana. Lula aponta e inaugura o futuro da nova diplomacia, a única que nos garantirá a paz.


* Teólogo, filósofo e escritor

Jogos da Copa na Praça da Estação.



Parabéns, Márcio Lacerda! Nos que ficamos lutando o ano inteiro por eventos culturais na Praça da Estação, agora vamos poder assistir a Copa do Mundo no local. E o melhor: tal evento será patrocinado pela Coca Cola. Maravilha! Agora sim o uso da Praça será sustentável! Nada de milhares de pessoas depredando, distribuindo gordura, quebrando os milhares de jardins que embelezam a nossa florida praça. Sou totalmente favorável à criação de outro monumento histórico na região: uma estátua do nosso imortal Lacerda.


Gostaria de agradecer à excelente obra de estruturação da praça idealizada pelo senhor. Basta passarmos pelas proximidades para vermos como nossa praça será bem protegida de agora em diante.




Espero que o senhor consiga se eleger para governador nas eleições de 2014. Com tanta grandiosidade, inteligência, "eficiência, respeito, compromisso social", o senhor merece algo muito maior em sua vida.

A Dilma empata com o Serra pela primeira vez no Data Folha.