Política do Obama para a America Latina

Finalmente saiu o programa do candidato democrata Barack Obama para a América Latina. Muito se falava em tais propostas, uma vez que os votos dos latinos americanos serão fundamentais na escolha do presidente americano. Tal documento também trouxe muita euforia já que o governo Bush teve uma política muito ofensiva em relação a alguns países latinos. Ao mesmo tempo em que se mostrou conservador em alguns pontos, o democrata foi bem moderno em outros.
Ele falou sobre liberdade. Ao escrever o capítulo sobre o tema, defendeu uma política visando eliminar as incoerências do seu próprio país, para que, depois disso, possa cobrar compromissos com a liberdade em relação a outros países. Ele quer acabar com as torturas, prisões clandestinas no exterior e detenções indefinidas. Propôs o restabelecimento do Habeas Corpus e o fechamento de Guantánamo.
Obama mostrou suas duas faces em relação a Cuba e à Colômbia. Foi contrário a um acordo de livre comércio entre Washington e Bogotá, apesar de ter defendido o controverso Plano Colômbia. Sobre Havana, propôs a eliminação das restrições de viagens à ilha e a liberação de remessas monetárias, ao mesmo tempo em que utilizou a flexibilização no embargo econômico como uma arma política. Uma promessa interessante do candidato foi a de convidar o presidente venezuelano Hugo Chávez para uma reunião, a fim de resolver as divergências entre os países.
O democrata estabeleceu metas para a educação latina, prometendo colocar em prática os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ONU). Também citou a intenção de anular totalmente as dívidas que a Bolívia, Guiana, Haiti, Honduras, Paraguai, e Santa Lúcia possuem com o país.
Foram feitas propostas sobre parcerias energéticas. Elas irão promover novos mercados para as tecnologias verdes nos EUA. Obama se mostrou favorável ao comércio de carbono, mas não entrou na questão das indústrias limpas e nem na possibilidade de se mudar o padrão de consumo do país. Não foi falado sobre uma regulação internacional ambiental e tampouco sobre o papel fundamental das indústrias americanas na poluição mundial. O candidato fez uma reflexão bastante interessante sobre a utilização de bicombustíveis de forma a não prejudicar a produção de alimentos.
Um dos pontos mais importantes encontrados nas propostas sobre a America Latina é a imigração. Obama afirmou que vai encontrar uma forma de reconhecer a cidadania adquirida, enfrentando a burocracia existente. Ele é favorável à criação de empregos e desenvolvimento econômico nos países responsáveis pela grande imigração nos EUA, com o intuito de diminuir o fluxo populacional. Ele defende uma maior proteção aos trabalhadores imigrantes em detrimento a uma política segregacionista, que dificulta a emissão de cidadania americana.
Rererências: Diplomatic
A ponte sem rio
O Desenvolvimento
A ponte sem rio.
Altas fachadas de edifício sem nada atrás.
O jardineiro água a grama de plástico.
Escada rolante não conduz a parte alguma.
A autopista nos permite conhecer os lugares que a autopista devastou.
A tela do televisor nos mostra um televisor que contém outro televisor, dentro do qual há um televisor.
Eduardo Galeano
As vítimas da Big Pharma

“As populações do Sul, em especial as africanas, são cobaias dos testes clínicos de grandes laboratórios que testam ali, à guisa de princípios éticos, medicamentos que servem aos mercados do Norte.”(Jean-Philippe Chippaux- Le Monde Diplomatique)
Jean-Philippe Chippaux escreveu um artigo no Le Monde Diplomatique a respeito de testes clínicos feitos em pessoas de países subdesenvolvidos. Esses testes são feitos sem uma informação sumária, consentimento dos sujeitos, respeito à ética médica, controle terapêutico suficiente e segurança do paciente. As pessoas são tratadas como verdadeiras cobaias humanas. É um bom exemplo de desrespeito aos Direitos Humanos, tão difundidos por países sedes dessas indústrias farmacêuticas. Apesar de existirem leis internacionais que condenam os testes, elas não possuem sequer algum tipo de sanção.
Chippaux afirma que o antibiótico Tenofovir, do laboratório norte americano Gilead Sciences, teve seu teste suspenso na Nigéria, por “motivos de problemas éticos graves”. Também foram suspensos os testes em Camarões e Camboja. Todavia, continuaram ocorrendo na Tailândia, em Botsuana, Malavi, Gana e nos EUA (provavelmente entre a população negra e latino americana). Problema semelhante aconteceu com a Pfizzer. Ela foi acusada por trinta famílias nigerianas, visto que seu medicamento para meningite matou onze crianças e outras ficaram com graves seqüelas. Ocorreram escândalos também com o anti-séptico Stalinom, que motou 102 pessoas na França e com o talco Morghange, que intoxicou 145 bebês e matou 36.
“Na África, as possíveis regulamentações médicas e farmacêuticas datam da época colonial e parecem obsoletas e inadequadas. Os riscos de falta de ética são ainda maiores porque os laboratórios fazem cada vez mais seus testes no continente negro. Na verdade, ali, seu custo é até cinco vezes menor do que nos países desenvolvidos. Além disso, as condições epidemiológicas na África se revelam constantemente mais propícias à realização de testes: freqüência elevada de doenças, sobretudo infecciosas, e existência de sintomas não atenuados por tratamentos reiterados e intensivos. Enfim, o caráter dócil dos pacientes, em grande miséria, dada à pobreza das estruturas sanitárias locais, facilita as operações.”
“Esse cenário ajuda a contornar os princípios éticos. Foi assim que, durante o teste clínico do Trovan®, nem as autoridades nigerianas, nem o comitê ético foram consultados, pelo menos formalmente, sobre a informação dada às famílias e os arquivos de seu consentimento. Da mesma maneira, os testes do antivirótico Tenofovir® em 400 prostitutas de Camarões, de julho de 2004 a janeiro de 2005, não cumpriram as exigências éticas. Essa molécula reduz a transmissão do VIS, o equivalente ao HIV no macaco. O fabricante queria verificar essa propriedade no ser humano e escolheu uma população de risco, as trabalhadoras do sexo de um país com grande número de casos de HIV, devido a seu elevado risco de contrair o vírus.”
Visando enganar as pessoas, as indústrias passam informações em inglês sobre os testes. Além disso, tais pessoas são, na maioria dos casos, analfabetas. Muitas acreditam que estão sendo vacinadas. Outro grave problema é o fato desses pacientes serem infectados pelas doenças. Eles sequer sabem que podem nunca mais serem curados.
“No final da década de 1990, a cifra dos negócios mundiais da indústria farmacêutica (380 bilhões de euros) era superior ao produto interno bruto dos países da África Subsaariana (300 bilhões de euros).” Os africanos sofrem até hoje com o imperialismo dos países do norte. São ainda tratados como coisas. Quando representam um lucro em potencial, recebem maciços investimentos, como na indústria do petróleo, das pedras preciosas e farmacêuticas. Não são vistos nem como mercado consumidor. São considerados como mão-de-obra barata. A ONU e os países taxados como defensores da liberdade não se preocupam em denunciar os abusos cometidos por ditadores em grande parte dos países africanos, com exceção, claro, dos países economicamente estratégicos. E quando esses ditadores se “comportam bem”, recebem investimentos militares. Essa é a lógica capitalista.
Fonte:
http://diplo.uol.com.br/2005-06,a1117
a opressão da fé
“A religião (cristã) é ópio do povo”. Ela desvaloriza o mundo terreno, colocando a vida eterna como a principal busca do ser humano. Essa desvalorização terrena faz com que os homens se tornem passivos, aceitem mais a situação de exploração a que são submetidos. Já que a miséria, a desigualdade social e a “mais valia” são coisas desse mundo, devemos deixá-los nele. O mais importante para os cristãos é uma mudança interna, é uma vida de acordo com os dogmas religiosos. Eles crêem que a fé pode mover montanhas, por isso, uma vida pode ser modificada por orações. As ações, embora não sejam negadas pela bíblia, são colocadas em segundo plano por doutrinadores religiosos.
A religião consegue preencher um vazio existente no homem. Esse é o maior trunfo do cristianismo. Ele consegue alienar seus devotos atingindo suas fraquezas. Suas dúvidas existenciais, suas dificuldades financeiras e outras carências que não são preenchidas de imediato, são maquiadas pela fé num Deus onipresente que os defenderão no chamado juízo final.
E a liberdade de imprensa?
Primeira parte do vídeo "Liberdade- essa palavra", feito por um estudante de comunicação da UFMG sobre a falta de liberdade de imprensa no governo Aécio Neves. O vídeo mostra como o candidato tucano faz para dominar a opinião pública. São entrevistadas pessoas que sofreram com a repressão dos canais de televisão pró-Aécio. Veja as outras partes do vídeo e a patética resposta do governo de Minas sobre o filme no Youtube.
Outro filme que fala sobre a manipulação da imprensa em Minas Gerais praticada pelo governador Aécio Neves. O documentário, feito pela Current TV e exibido nos EUA e Inglaterra, mostra o envolvimento do governador com a Rede Globo e com o Jornal Estado de Minas.
a vitória da esquerda no paraguai.

Fernando Lugo Méndez assumiu presidência do Paraguai nesta sexta-feira (15), para um mandato de cinco anos, trajando um traje simples e com um discurso direto: "Hoje começa a história de um Paraguai em que as autoridades serão implacáveis com os ladrões do povo". Com a posse, o Paraguai passa a integrar a maioria política progressista que se fortalece na América Latina. (Portal Vermelho)
Seguindo a nova tendência latino-americana, o Paraguai elegeu um candidato de esquerda para a presidência da República. Utilizando um discurso semelhante ao do Hugo Chavez e do Evo Morales, o novo presidente vai lutar contra os abusos do neoliberalismo e de uma política histórica exclusivamente elitista. Ele também vai defender seus recursos naturais da ganância dos países ricos, como acontece na partilha da energia elétrica da Usina De Itaipu e no domínio dos brasiguaios nas terras paraguaias. O presidente e bispo católico defende também a integração latino americana.
Os desafios a serem enfrentados pelo bispo serão a governabilidade, visto que o parlamento é composto por maioria do partido mais conservador, o Colorado, a pressão exercida pelo próprio partido, a possibilidade de uma grande greve planejada pelo MST local, e uma herança de crescimento econômico sem distribuição de renda. O grande trunfo do presidente é possuir a confiança de 93% da população, de acordo com o jornal ABC Color.
A REVOLUÇÃO NÃO SERÁ TELEVISIONADA.

"O documentário "The revolution will not be televised" (A revolução não será televisionada), filmado e dirigido pelos irlandeses Kim Bartley e Donnacha O'Briain, apresenta os acontecimentos do golpe contra o governo do presidente Hugo Chávez, em abril de 2002, na Venezuela. Os dois cineastas estavam na Venezuela realizando, desde setembro de 2001, um documentário sobre o presidente Hugo Chavez e o governo bolivariano quando, surpreendidos pelos momentos de preparação e desencadeamento do golpe, puderam registrar, inclusive no interior do Palácio Miraflores, seus instantes decisivos, respondido e esmagado pela espetacular reação do povo." (Legenda do Google Vídeos).
Não devemos tomar o documentário como uma verdade absoluta. Contudo, devemos admitir o quanto recebemos as notícias de forma deturpada. A mídia neoliberal nos passa a imagem de um Chavez louco, sem programa de governo, ditador e repressor. O documentário relativiza a imagem que recebemos do presidente. Não acho que devemos transforma-lo num mártir. Não quero de maneira alguma fazer apologia ao seu governo, porém, devemos perceber que ele está incomodando, e muito, os países do eixo do norte. Não acredito que os neoliberais o vejam realmente como um louco, e sim, como uma uma grande ameaça.
Veja o vídeo completo neste link.
Ou assista parte do documentário abaixo:
Salva-vidas de chumbo, artigo de Eduardo Galeano
MONTEVIDEO, 16 de agosto de 2006. Texto enviado por Eduardo Galeano à Via Campesina Brasil em homenagem às mulheres camponesas.
Pelo que diz a voz de comando, nossos países devem acreditar na liberdade do comércio (embora ela não exista), honrar os compromissos (embora eles sejam desonrosos), atrair investimentos (embora eles sejam indignos) e ingressar no cenário internacional (embora pela porta dos fundos).
Ingressar no cenário internacional: o cenário internacional é o mercado. O mercado mundial, onde compram-se países. Nada de novo. A América Latina nasceu para obedecê-lo, quando o mercado mundial nem era chamado assim, e de um jeito ou de outro continuamos atados ao dever de obediência.
Esta triste rotina dos séculos começou com o ouro e a prata, e continuou com o açúcar, o tabaco, o guano, o salitre, o cobre, o estanho, a borracha, o cacau, a banana, o café, o petróleo... O que esses esplendores nos deixaram? Nos deixaram sem herança nem bonança. Jardins transformados em desertos, campos abandonados, montanhas esburacadas, águas apodrecidas, longas caravanas de infelizes condenados à morte antecipada, palácios vazios onde perambulam fantasmas...
Agora, chegou a vez da soja transgênica e da celulose. E outra vez repete-se a história das glórias fugazes, que ao som de seus clarins nos anunciam longas tristezas.
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Será que o passado ficou mudo?
Nós nos negamos a escutar as vozes que nos alertam: os sonhos do mercado mundial são os pesadelos dos países que se submetem aos seus caprichos. Continuamos aplaudindo o seqüestro dos bens naturais que Deus, ou o Diabo, nos deu, e assim trabalhamos pela nossa própria perdição e contribuímos para o extermínio da pouca natureza que nos resta neste mundo.
Argentina, Brasil e outros países latino-americanos estão vivendo a febre da soja transgênica. Preços tentadores, rendimentos multiplicados. A Argentina é, e já faz tempo, o segundo maior produtor mundial de transgênicos, depois dos Estados Unidos. No Brasil, o governo de Lula executou uma dessas piruetas que pouco favor fazem à democracia, e disse sim à soja transgênica, embora seu partido tenha dito não durante toda a campanha eleitoral.
Isso é pão hoje e fome amanhã, como denunciam alguns sindicatos rurais e organizações ecologistas. Mas já sabemos que os peões ignorantes se negam a entender as vantagens do pasto de plástico e da vaca a motor, e que os ecologistas são uns estraga-prazeres que não dizem coisa-com-coisa.
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Os advogados dos transgênicos afirmam que não está provado que prejudiquem a saúde humana. Em todo caso, também não está provado que não a prejudiquem. E já que são assim tão inofensivos, por que os fabricantes de soja transgênica se negam a esclarecer, nas embalagens, que vendem o que vendem? A etiqueta de soja transgênica não seria sua melhor publicidade?
Acontece que existem evidências de que estas invenções do Doutor Frankenstein fazem mal à saúde do solo e reduzem a soberania nacional. Exportamos soja ou exportamos solo? Estamos ou não estamos presos nas gaiolas da Monsanto e de outras grandes empresas de cujas sementes, herbicidas e pesticidas passamos a depender?
Terras que produziam de tudo para o mercado local agora se consagram a um único produto para a demanda estrangeira. Nós nos desenvolvemos para fora e nos esquecemos de dentro. O mono-cultivo é uma prisão, sempre foi, e agora, com os transgênicos, é muito mais. A diversidade, por sua vez, liberta. A independência se reduz ao hino e à bandeira, se a soberania alimentar não é assentada. A autodeterminação começa pela boca. Só a diversidade produtiva pode nos defender das súbitas despencadas de preços que são costume, mortífero costume, do mercado mundial.
As imensas extensões destinadas à soja transgênica estão arrasando os bosques nativos e expulsando os camponeses pobres. Poucos braços ocupam essas explorações altamente mecanizadas, que ao mesmo tempo exterminam as plantações pequenas e as hortas familiares com os venenos que fumigam. Multiplica-se o êxodo rural às grandes cidades, onde se supõe que os expulsos vão consumir, se tiverem sorte, o que antes produziam. É a agrária reforma: a reforma agrária pelo avesso.
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A celulose também está na moda, em vários países.
Agora, o Uruguai está querendo se transformar num centro mundial de produção de celulose para abastecer de matéria prima barata as longínquas fábricas de papel.
Trata-se de monocultivos para a exportação, na mais pura tradição colonial: imensas plantações artificiais que dizem ser bosques e se convertem em celulose num processo industrial que arroja detritos químicos nos rios e torna o ar irrespirável.
No Uruguai, começaram por duas fábricas enormes, uma das quais já está a meio construir. Depois surgiu outro projeto, e já se fala de outro, e outro mais, enquanto mais e mais hectares estão sendo destinados à fabricação de eucaliptos em série. As grandes empresas internacionais nos descobriram no mapa do mundo, e caíram de súbito amor por este Uruguai onde não há tecnologia capaz de controlá-las, o estado outorga subsídios e evita impostos, os salários são raquíticos e as árvores brotam num piscar de olhos.
Tudo indica que nosso país, pequenino, não irá agüentar o asfixiante abraço desses grandalhões. Como costuma acontecer, as bênçãos da natureza se transformam em maldições da história. Nossos eucaliptos crescem dez vezes mais depressa que os da Finlândia, e isso se traduz assim: as plantações industriais serão dez vezes mais devastadoras. No ritmo de produção previsto, boa parte do território nacional está sendo espremida até a última gota de água. Os gigantes sedentos vão secar nosso solo e nosso subsolo.
Trágico paradoxo: este país foi o único lugar do mundo em que a propriedade da água foi submetida a plebiscito popular. Por esmagadora maioria, os uruguaios decidiram, em 2004, que a água seria propriedade pública. Não haverá maneira de evitar o seqüestro dessa vontade popular?
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A celulose, é preciso reconhecer, transformou-se em algo assim como uma causa patriótica, e a defesa da natureza não desperta entusiasmo. Pior: em nosso país, algumas palavras que não eram palavrões, como ecologista e ambientalista, estão se transformando em insultos que crucificam os inimigos do progresso e os sabotadores do trabalho.
Celebra-se a desgraça como se fosse boa notícia. Mais vale morrer de contaminação do que morrer de fome: muitos desempregados acreditam que não existe outro remédio além de escolher entre duas calamidades, e os mercadores de ilusões desembarcam oferecendo milhares e milhares de empregos. Acontece que uma coisa é a publicidade, e outra é a realidade. O MST, movimento dos camponeses sem terra, divulgou dados eloqüentes, e que não valem apenas para o Brasil: a celulose gera um emprego a cada 185 hectares, e a agricultura familiar cria cinco empregos a cada dez hectares.
As empresas prometem o melhor. Trabalho a rodo, investimentos milionários, controles rígidos, ar puro, água limpa, terra intacta. E eu me pergunto: já que é assim, por que não instalam essas maravilhas em Punta del Este, para melhorar a qualidade de vida e estimular o turismo em nosso balneário principal?
Tradução: Eric Nepomuceno, Rio de Janeiro
Distribuição IPS- Inter-press-service, Italia. Dia 16 de agosto de 2006.
Fonte: http://www.aspta.org.br/por-um-brasil-livre-de-transgenicos/artigos/salva-vidas-de-chumbo-artigo-de-eduardo-galeano/
Dúvida cruel
Lula diz que vai participar de comícios de candidatos do PT
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou hoje (2), que vai participar da campanha de candidatos do PT para as eleições municipais de outubro. Lula fez as declarações durante a posse da nova diretoria do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, mas disse que não estava ali "fazendo ato político".
A dúvida que fica é se o senhor presidente vai subir no palanque com a Jô Moraes, candidata do PC do B, aliada histórica do Lula e que está sendo apoiada pela “ala de esquerda” do PT, ou se vai prestigiar seu antigo secretário-executivo do Ministério da Integração Nacional, Márcio Lacerda, que é apoiado pela aliança histórica do PT e PSDB, legitimada pelo governador Aécio Neves e pelo prefeito Pimentel.
Não sei se devemos esperar coerência por parte do Lula, uma vez que já deixou de lado o seu discurso sindicalista e está defendendo uma política mais próxima do neo-liberalismo. O Lula dos anos 80, sem dúvida alguma, iria levantar a bandeira do PC do B em Belo Horizonte, porém, o Lula em sua versão capitalista, provavelmente se sentirá melhor defendendo a candidatura do Lacerda. A minha aposta é que o Lula irá utilizar a sua máscara de conciliador, tentado agradar tanto aos petistas mais socialistas quanto aos mais liberais.
Neoliberalismo e Eufemismo: Irmãos de sangue
E enquanto isso, na festa do neoliberalismo ... A UNICEF tenta argumentar a importância de se investir na alimentação das crianças pobres, e o único argumento que pareceu crível à ordem mundial, é que se os países não o fizerem, terão aproximadamente 5% do PIB de gastos com a saúde em decorrência da desnutrição que se torna uma conseqüência de uma alimentação pobre
Enquanto isso, nas ruas da Argentina, uma mão solitária pixa um muro branco com os dizeres: “Combata a pobreza, coma um pobre!”. Isso remete em muito o pensamento dos defensores do sistema economia de mercado, nome artístico o qual se dá ao capitalismo. Aliás, nomes artísticos na sociedade capitalista neoliberal estão em alta, o mercado os criou para esconder a realidade, que embora exista, ninguém quer ver. De fato ela incomoda nossos olhos burgueses acostumados a nunca serem contrariados.
Vejamos, multinacionais é nome que se dá às empresas que atuam em muitos países, mas pertencem a poucos que monopolizam o dinheiro e a alta tecnologia. Ajuda externa, é nome que se dá ao impostinho que o vício paga à virtude, que os países pobres pagam aos países ricos. O que se sabe, todavia, segundo as Nações Unidas, é que os países pobres pagaram 10 vezes mais em montante de dinheiro, do que o valor que receberam dos países ricos. E a festa continua, pois em 1995, os dados levantados foram que nesse ano, a África concentrava cerca de 75% dos casos de AIDS do mundo, mas só receberam cerca de 3 % da ajuda externa para o controle da peste. Ademais subdesenvolvido é o nome que se dá aos países que possuem seu crescimento subordinado ao crescimento de outros mais ricos.
E por fim, Cleptomaníaco são os ladrões de boa família. O curioso, de fato, é como o eufemismo existe em abundância no império capitalista. Os EUA, representante legal da “economia de mercado” e supra sumo no que tange à população carcerária (a maior do mundo), construíram um muro entre a divisa com o México para impedir a entrada de mexicanos pobres no tio sam. Isso para deixar bem claro que o privilégio de trocar de país é só para quem tem dinheiro. Para não parecer muito violento, o presidente Bush declarou que o muro seria pintado de salmon, e nele se colocariam azulejos com arte infanto-juvenil e buraquinhos para que se possa enxergar do outro lado.
Ah sim! Quase me esqueci, latino-americano é a classificação atribuída aos habitantes da América que são descartáveis. Isso porque são pobres, e burros. Mas não são burros porque são pobres, mas são pobres porque são burros, uma vez que a pobreza não é mais fruto da injustiça, mas sim o justo castigo que a ineficiência merece. A injustiça é cada dia mais um conceito longínquo e vago, mas ela provavelmente deve ser culpa da pobreza que produz mão de obra barata em excesso, e o Liberalismo, essa beleza idealizada por Smith? Ia perder essa bocada?
Fonte de inspiração: "De Pernas pro Ar: A Escola do Mundo ao Avesso". De Eduardo Galeano
Sete anos depois...
No tão falado processo de globalização, países desenvolvidos estão conseguindo manter seus privilégios econômicos e políticos por meio da usurpação das riquezas dos povos periféricos. Com o decorrer do tempo, os países do norte vão acumulando suas riquezas e os do sul vão sendo esmagados. A globalização prega o livre comércio e o livre fluxo de capitais, mas não aceita a livre migração de pessoas. Não se pode esperar mais do que o aumento das desigualdades entre ricos e pobres e o aumento do domínio político e econômico dos chamados desenvolvidos em relação aos não desenvolvidos.
Mais uma vez os países pobres perderam na queda de braço para os poderosos. A rodada de Doha, que já dura sete anos, foi fracassada. O maior desafio para os países do eixo do sul é conseguir acabar ou diminuir com os subsídios agrícolas praticados pelos países ricos, uma vez que tais subsídios faz com que a concorrência nesse setor se torne desleal, prejudicando, principalmente, países africanos que possuem a agricultura como principal fonte de riqueza.
"É lamentável para a economia mundial nesse momento e é muito ruim para os países mais pobres, principalmente para aqueles mais pobres dentre os pobres, porque eles receberiam maiores benefícios", afirmou Celso Amorim.
O ministro do Comércio da Nova Zelândia, Phil Goff, disse ser improvável que um novo encontro de ministros aconteça antes do segundo semestre de 2009. "Vai ser muito difícil conseguir realizar quaisquer discussões significativas antes que ocorra a mudança na Casa Branca e haja eleição na Índia", afirmou.
O que se espera é que nas próximas reuniões países como China, Índia, EUA e UE, a exemplo do Brasil, comecem a ceder nas negociações, pensando mais no âmbito global e menos em suas próprias economias.
Infelizmente, sabemos que não será possível chegar a um acordo que beneficie os países pobres. Desde a época da colonização se vê grande ganância e uma falta de solidariedade dos países ricos em relação aos outros países, considerados como "o resto do mundo". Não devemos esperar mais do que um "acordo de comadres" na rodada de Doha.
Fonte:
http://www1.folha.uol.com.br/folha/dinheiro/ult91u427504.shtml
http://www1.folha.uol.com.br/folha/bbc/ult272u427579.shtml
Vantagem para Obama
Barack Obama , candidato a presidência dos EUA pelo partido Democrata, lidera a pesquisa do instituto Gallup contra o seu principal rival, o republicano John McCain, por um diferença de 9% (49% contra 40%). Tal diferença é a maior registrada desde o início da campanha eleitoral. A entrevista foi realizada entre 24 e 26 de julho e possui uma margem de erro de 2 pontos percentuais. A tendência é que essa diferença aumente, visto que os índices econômicos dos EUA e a política externa do atual presidente republicano estão desagradando grande parcela da população. "O que nos preocupa em todo o país agora é a sua incapacidade de pagar o combustível e a comida porque os preços estão subindo de maneira vertiginosa", afirmou Obama, numa entrevista à rede NBC.
Não devemos nos iludir quanto a mudanças substancias na política externa americana, seja qual for o candidato eleito. O governo americano vai continuar com sua política agressiva de intervenção nos países pobres, colocando seus interesses econômicos acima de qualquer coisa. O próprio Obama afirmou que se houvesse provas da atual localização do Osama Bin Laden no Paquistão, ele invadiria o país. Ele também afirmou que, se eleito, vai aumentar o número de tropas americanas no Afeganistão. Independente disso, uma vitória do democrata poderá possibilitar um maior diálogo dos EUA com os países taxados como “Eixo do Mal” e com países latinos considerados inimigos. Já vai ser um grande avanço para a diplomacia mundial.
Leia mais em:
http://www1.folha.uol.com.br/folha/mundo/ult94u426965.shtml
http://www1.folha.uol.com.br/folha/mundo/ult94u426822.shtml
