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a vitória da esquerda no paraguai.


Fernando Lugo Méndez assumiu presidência do Paraguai nesta sexta-feira (15), para um mandato de cinco anos, trajando um traje simples e com um discurso direto: "Hoje começa a história de um Paraguai em que as autoridades serão implacáveis com os ladrões do povo". Com a posse, o Paraguai passa a integrar a maioria política progressista que se fortalece na América Latina. (Portal Vermelho)

Seguindo a nova tendência latino-americana, o Paraguai elegeu um candidato de esquerda para a presidência da República. Utilizando um discurso semelhante ao do Hugo Chavez e do Evo Morales, o novo presidente vai lutar contra os abusos do neoliberalismo e de uma política histórica exclusivamente elitista. Ele também vai defender seus recursos naturais da ganância dos países ricos, como acontece na partilha da energia elétrica da Usina De Itaipu e no domínio dos brasiguaios nas terras paraguaias. O presidente e bispo católico defende também a integração latino americana.

Os desafios a serem enfrentados pelo bispo serão a governabilidade, visto que o parlamento é composto por maioria do partido mais conservador, o Colorado, a pressão exercida pelo próprio partido, a possibilidade de uma grande greve planejada pelo MST local, e uma herança de crescimento econômico sem distribuição de renda. O grande trunfo do presidente é possuir a confiança de 93% da população, de acordo com o jornal ABC Color.

A REVOLUÇÃO NÃO SERÁ TELEVISIONADA.


"O documentário "The revolution will not be televised" (A revolução não será televisionada), filmado e dirigido pelos irlandeses Kim Bartley e Donnacha O'Briain, apresenta os acontecimentos do golpe contra o governo do presidente Hugo Chávez, em abril de 2002, na Venezuela. Os dois cineastas estavam na Venezuela realizando, desde setembro de 2001, um documentário sobre o presidente Hugo Chavez e o governo bolivariano quando, surpreendidos pelos momentos de preparação e desencadeamento do golpe, puderam registrar, inclusive no interior do Palácio Miraflores, seus instantes decisivos, respondido e esmagado pela espetacular reação do povo." (Legenda do Google Vídeos).

Não devemos tomar o documentário como uma verdade absoluta. Contudo, devemos admitir o quanto recebemos as notícias de forma deturpada. A mídia neoliberal nos passa a imagem de um Chavez louco, sem programa de governo, ditador e repressor. O documentário relativiza a imagem que recebemos do presidente. Não acho que devemos transforma-lo num mártir. Não quero de maneira alguma fazer apologia ao seu governo, porém, devemos perceber que ele está incomodando, e muito, os países do eixo do norte. Não acredito que os neoliberais o vejam realmente como um louco, e sim, como uma uma grande ameaça.

Veja o vídeo completo neste link.

Ou assista parte do documentário abaixo:

Salva-vidas de chumbo, artigo de Eduardo Galeano

MONTEVIDEO, 16 de agosto de 2006. Texto enviado por Eduardo Galeano à Via Campesina Brasil em homenagem às mulheres camponesas.

Pelo que diz a voz de comando, nossos países devem acreditar na liberdade do comércio (embora ela não exista), honrar os compromissos (embora eles sejam desonrosos), atrair investimentos (embora eles sejam indignos) e ingressar no cenário internacional (embora pela porta dos fundos).

Ingressar no cenário internacional: o cenário internacional é o mercado. O mercado mundial, onde compram-se países. Nada de novo. A América Latina nasceu para obedecê-lo, quando o mercado mundial nem era chamado assim, e de um jeito ou de outro continuamos atados ao dever de obediência.

Esta triste rotina dos séculos começou com o ouro e a prata, e continuou com o açúcar, o tabaco, o guano, o salitre, o cobre, o estanho, a borracha, o cacau, a banana, o café, o petróleo... O que esses esplendores nos deixaram? Nos deixaram sem herança nem bonança. Jardins transformados em desertos, campos abandonados, montanhas esburacadas, águas apodrecidas, longas caravanas de infelizes condenados à morte antecipada, palácios vazios onde perambulam fantasmas...

Agora, chegou a vez da soja transgênica e da celulose. E outra vez repete-se a história das glórias fugazes, que ao som de seus clarins nos anunciam longas tristezas.


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Será que o passado ficou mudo?

Nós nos negamos a escutar as vozes que nos alertam: os sonhos do mercado mundial são os pesadelos dos países que se submetem aos seus caprichos. Continuamos aplaudindo o seqüestro dos bens naturais que Deus, ou o Diabo, nos deu, e assim trabalhamos pela nossa própria perdição e contribuímos para o extermínio da pouca natureza que nos resta neste mundo.

Argentina, Brasil e outros países latino-americanos estão vivendo a febre da soja transgênica. Preços tentadores, rendimentos multiplicados. A Argentina é, e já faz tempo, o segundo maior produtor mundial de transgênicos, depois dos Estados Unidos. No Brasil, o governo de Lula executou uma dessas piruetas que pouco favor fazem à democracia, e disse sim à soja transgênica, embora seu partido tenha dito não durante toda a campanha eleitoral.

Isso é pão hoje e fome amanhã, como denunciam alguns sindicatos rurais e organizações ecologistas. Mas já sabemos que os peões ignorantes se negam a entender as vantagens do pasto de plástico e da vaca a motor, e que os ecologistas são uns estraga-prazeres que não dizem coisa-com-coisa.


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Os advogados dos transgênicos afirmam que não está provado que prejudiquem a saúde humana. Em todo caso, também não está provado que não a prejudiquem. E já que são assim tão inofensivos, por que os fabricantes de soja transgênica se negam a esclarecer, nas embalagens, que vendem o que vendem? A etiqueta de soja transgênica não seria sua melhor publicidade?

Acontece que existem evidências de que estas invenções do Doutor Frankenstein fazem mal à saúde do solo e reduzem a soberania nacional. Exportamos soja ou exportamos solo? Estamos ou não estamos presos nas gaiolas da Monsanto e de outras grandes empresas de cujas sementes, herbicidas e pesticidas passamos a depender?

Terras que produziam de tudo para o mercado local agora se consagram a um único produto para a demanda estrangeira. Nós nos desenvolvemos para fora e nos esquecemos de dentro. O mono-cultivo é uma prisão, sempre foi, e agora, com os transgênicos, é muito mais. A diversidade, por sua vez, liberta. A independência se reduz ao hino e à bandeira, se a soberania alimentar não é assentada. A autodeterminação começa pela boca. Só a diversidade produtiva pode nos defender das súbitas despencadas de preços que são costume, mortífero costume, do mercado mundial.

As imensas extensões destinadas à soja transgênica estão arrasando os bosques nativos e expulsando os camponeses pobres. Poucos braços ocupam essas explorações altamente mecanizadas, que ao mesmo tempo exterminam as plantações pequenas e as hortas familiares com os venenos que fumigam. Multiplica-se o êxodo rural às grandes cidades, onde se supõe que os expulsos vão consumir, se tiverem sorte, o que antes produziam. É a agrária reforma: a reforma agrária pelo avesso.


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A celulose também está na moda, em vários países.

Agora, o Uruguai está querendo se transformar num centro mundial de produção de celulose para abastecer de matéria prima barata as longínquas fábricas de papel.

Trata-se de monocultivos para a exportação, na mais pura tradição colonial: imensas plantações artificiais que dizem ser bosques e se convertem em celulose num processo industrial que arroja detritos químicos nos rios e torna o ar irrespirável.

No Uruguai, começaram por duas fábricas enormes, uma das quais já está a meio construir. Depois surgiu outro projeto, e já se fala de outro, e outro mais, enquanto mais e mais hectares estão sendo destinados à fabricação de eucaliptos em série. As grandes empresas internacionais nos descobriram no mapa do mundo, e caíram de súbito amor por este Uruguai onde não há tecnologia capaz de controlá-las, o estado outorga subsídios e evita impostos, os salários são raquíticos e as árvores brotam num piscar de olhos.

Tudo indica que nosso país, pequenino, não irá agüentar o asfixiante abraço desses grandalhões. Como costuma acontecer, as bênçãos da natureza se transformam em maldições da história. Nossos eucaliptos crescem dez vezes mais depressa que os da Finlândia, e isso se traduz assim: as plantações industriais serão dez vezes mais devastadoras. No ritmo de produção previsto, boa parte do território nacional está sendo espremida até a última gota de água. Os gigantes sedentos vão secar nosso solo e nosso subsolo.

Trágico paradoxo: este país foi o único lugar do mundo em que a propriedade da água foi submetida a plebiscito popular. Por esmagadora maioria, os uruguaios decidiram, em 2004, que a água seria propriedade pública. Não haverá maneira de evitar o seqüestro dessa vontade popular?


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A celulose, é preciso reconhecer, transformou-se em algo assim como uma causa patriótica, e a defesa da natureza não desperta entusiasmo. Pior: em nosso país, algumas palavras que não eram palavrões, como ecologista e ambientalista, estão se transformando em insultos que crucificam os inimigos do progresso e os sabotadores do trabalho.

Celebra-se a desgraça como se fosse boa notícia. Mais vale morrer de contaminação do que morrer de fome: muitos desempregados acreditam que não existe outro remédio além de escolher entre duas calamidades, e os mercadores de ilusões desembarcam oferecendo milhares e milhares de empregos. Acontece que uma coisa é a publicidade, e outra é a realidade. O MST, movimento dos camponeses sem terra, divulgou dados eloqüentes, e que não valem apenas para o Brasil: a celulose gera um emprego a cada 185 hectares, e a agricultura familiar cria cinco empregos a cada dez hectares.

As empresas prometem o melhor. Trabalho a rodo, investimentos milionários, controles rígidos, ar puro, água limpa, terra intacta. E eu me pergunto: já que é assim, por que não instalam essas maravilhas em Punta del Este, para melhorar a qualidade de vida e estimular o turismo em nosso balneário principal?


Tradução: Eric Nepomuceno, Rio de Janeiro

Distribuição IPS- Inter-press-service, Italia. Dia 16 de agosto de 2006.



Fonte: http://www.aspta.org.br/por-um-brasil-livre-de-transgenicos/artigos/salva-vidas-de-chumbo-artigo-de-eduardo-galeano/

Sete anos depois...

No tão falado processo de globalização, países desenvolvidos estão conseguindo manter seus privilégios econômicos e políticos por meio da usurpação das riquezas dos povos periféricos. Com o decorrer do tempo, os países do norte vão acumulando suas riquezas e os do sul vão sendo esmagados. A globalização prega o livre comércio e o livre fluxo de capitais, mas não aceita a livre migração de pessoas. Não se pode esperar mais do que o aumento das desigualdades entre ricos e pobres e o aumento do domínio político e econômico dos chamados desenvolvidos em relação aos não desenvolvidos.

Mais uma vez os países pobres perderam na queda de braço para os poderosos. A rodada de Doha, que já dura sete anos, foi fracassada. O maior desafio para os países do eixo do sul é conseguir acabar ou diminuir com os subsídios agrícolas praticados pelos países ricos, uma vez que tais subsídios faz com que a concorrência nesse setor se torne desleal, prejudicando, principalmente, países africanos que possuem a agricultura como principal fonte de riqueza.


"É lamentável para a economia mundial nesse momento e é muito ruim para os países mais pobres, principalmente para aqueles mais pobres dentre os pobres, porque eles receberiam maiores benefícios", afirmou Celso Amorim.


O ministro do Comércio da Nova Zelândia, Phil Goff, disse ser improvável que um novo encontro de ministros aconteça antes do segundo semestre de 2009. "Vai ser muito difícil conseguir realizar quaisquer discussões significativas antes que ocorra a mudança na Casa Branca e haja eleição na Índia", afirmou.


O que se espera é que nas próximas reuniões países como China, Índia, EUA e UE, a exemplo do Brasil, comecem a ceder nas negociações, pensando mais no âmbito global e menos em suas próprias economias.

Infelizmente, sabemos que não será possível chegar a um acordo que beneficie os países pobres. Desde a época da colonização se vê grande ganância e uma falta de solidariedade dos países ricos em relação aos outros países, considerados como "o resto do mundo". Não devemos esperar mais do que um "acordo de comadres" na rodada de Doha.


Fonte:

http://www1.folha.uol.com.br/folha/dinheiro/ult91u427504.shtml

http://www1.folha.uol.com.br/folha/bbc/ult272u427579.shtml

Vantagem para Obama


Barack Obama , candidato a presidência dos EUA pelo partido Democrata, lidera a pesquisa do instituto Gallup contra o seu principal rival, o republicano John McCain, por um diferença de 9% (49% contra 40%). Tal diferença é a maior registrada desde o início da campanha eleitoral. A entrevista foi realizada entre 24 e 26 de julho e possui uma margem de erro de 2 pontos percentuais. A tendência é que essa diferença aumente, visto que os índices econômicos dos EUA e a política externa do atual presidente republicano estão desagradando grande parcela da população. "O que nos preocupa em todo o país agora é a sua incapacidade de pagar o combustível e a comida porque os preços estão subindo de maneira vertiginosa", afirmou Obama, numa entrevista à rede NBC.

Não devemos nos iludir quanto a mudanças substancias na política externa americana, seja qual for o candidato eleito. O governo americano vai continuar com sua política agressiva de intervenção nos países pobres, colocando seus interesses econômicos acima de qualquer coisa. O próprio Obama afirmou que se houvesse provas da atual localização do Osama Bin Laden no Paquistão, ele invadiria o país. Ele também afirmou que, se eleito, vai aumentar o número de tropas americanas no Afeganistão. Independente disso, uma vitória do democrata poderá possibilitar um maior diálogo dos EUA com os países taxados como “Eixo do Mal” e com países latinos considerados inimigos. Já vai ser um grande avanço para a diplomacia mundial.

Leia mais em:

http://www1.folha.uol.com.br/folha/mundo/ult94u426965.shtml

http://www1.folha.uol.com.br/folha/mundo/ult94u426822.shtml