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Mais uma demissão em jornal de Minas Gerais

Caiu como uma bomba no meio jornalístico a demissão do editor de Política do Hoje em Dia, Orion Teixeira. O jornal havia sofrido uma reformulação em sua linha editorial e vinha produzindo várias matérias investigativas e de denúncias.

Curiosamente, após a vista de
Andréia Neves na semana passada, o jornal voltou a fazer matérias de apoio a Anastasia e Aécio. Agora esta novidade: a demissão de um jornalista que estava há mais de 20 anos trabalhando no veículo.

Vamos aguardar mais notícias e ver a repercussão desta demissão.



Dona Andréia ronda as redações assim como pitbulls fazem a guarda dos seus donos. Desde que o irmão Aécio foi eleito. Mais uma cabeça que é cortada por simplesmente criticar. Onde está a democracia, Governadora?

Informações do Blog do Nilmário.

Hugo Neves. Ou Aécio Chávez.

Se vocês, estimados leitores, estão preocupados com a situação da Venezuela - de uma poda explícita às críticas do governo Chávez -, dá um minutão e olha esse post aqui.

Seu nome é Aécio Neves. Sua função é Governador do Estado (ou Capitania, depende...) de Minas Gerais. Sua principal qualidade: conseguir uma bela, boa e límpida imagem de si mesmo, desde que ascendeu ao governo, em 2003. E, de certa forma, é uma pessoa competente. Seu principal defeito: calar a boca da imprensa mineira para conseguir essa imagem de bom-moço.

O que há de semelhante entre Hugo Chávez e Aécio Neves? Uma coisa: o desejo de esconderem as críticas que lhes assombram a aura.


Para o lado de Chávez, a bomba vem estourando há mais tempo. Isso não são indícios de má governança, mas de um desejo puro e simples: calar os críticos. E, como é o Chávez, notícias acerca disso espalham-se feito rastro de pólvora. Vejam essa manchete:

A Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP) condenou ontem o fechamento da Rádio Caracas Televisão (RCTV) e de outros canais a cabo na Venezuela. O presidente da organização, Alejandro Aguirre, questionou a "intolerância" do governo de Hugo Chávez com a liberdade de imprensa no país. "A SIP continuará criticando e condenando as ações de um governo que há muitos anos está se apoiando em leis intolerantes para atacar a liberdade de imprensa e fechar meios de comunicação independentes", disse. Os Estados Unidos também manifestaram preocupação com o fechamento dos canais. (Fonte: Estadão)

Sim, o Chávez fechou mais tevês pela Venezuela. Uma atitude abominável, diria eu. Até porque as críticas servem para o crescimento pessoal e profissional, certo? Bom, não é isso que vejo que o Chávez vê. Pode até ser que o fechamento teve motivos aparentemente razoáveis: a ocorrência da injúria, da calúnia e da difamação ao presidente venezuelano nos canais supracitados.

Isso justificaria o fechamento cru de uma emissora? No Brasil não, até porque no nosso país a gente sempre dá um... "jeitinho". E aqui, pelas montanhas mineiras, o que mais se tem é jeito. Para tudo, para todos.

Aqui, Aécio é ídolo. É rei. É lindo. É gato. É pop. É tudo, menos condenscendente com críticas.



Lembram-se que o Mineirão há alguns anos sediou um Brasil e Argentina? Jorge Kajuru, na época, trabalhava para a TV Bandeirantes e veio cobrir o "evento". Pois bem: após fazer uma severa (porém deveras verdadeira) crítica ao governador Aécio Neves, em 2 de junho de 2004, ao vivo, o cabra foi sumariamente retirado do ar. (Se não se lembra, clique aqui e leia. É bom que você fique sabendo disso.) Em seguida, foi demitido. Sumariamente, sem quaisquer direitos de resposta.

Em seguida, outro episódio:

Em setembro de 2003, o editor de economia do Estado de Minas, Ugo Braga – também profissional com longa trajetória no jornalismo – publicou uma minúscula nota que informava que a popularidade de Aécio, naquele momento, era a terceira pior entre os governadores do país e só ganhava dos de Sergipe e de Roraima. Também depois de pressão do governo do estado, foi chamado por seu superior e convidado a aceitar ser realocado. Aceitou, mas logo depois foi convocado a uma segunda reunião e informado que nem mesmo a solução da realocação era mais possível, pois “a pressão era muito forte.” Ugo Braga foi demitido do Estado de Minas ali mesmo.

(...)

Em todos esses casos, as vítimas testemunharam que seus veículos de comunicação sofreram intensa pressão do governo do estado, especialmente na pessoa da capanga-mor Andréia Neves [irmã de Aécio]. Também testemunharam que depois de suas demissões ninguém em Minas Gerais aceitava dar-lhes emprego, nem mesmo, como disse um deles, de “jornalista de sindicato do interior.” (Fonte)

Não posso me esquecer do caso do professor Massote. Toda a vida, desde quando o neto do Tancredo era deputado, Massote o criticava. Fernando Massote foi demitido por escrever um artigo no Estrago Estado de Minas por dizer coisas que desagradavam o já governador, sabe? Não pode falar mal, tem sempre que apoiar quem tá no turno. E isso, o Estrago Estado de Minas sabe fazer bem. Vejam o caso, clicando aqui.





E aí, o que é pior? Fechar uma TV por criticar o seu governo ou aplicar um cala-a-boca subvencionado pelas excessivas propagandas do governo? Sério que um tá mais certo que o outro?

Bom, pelo menos ficamos sabendo das mazelas do Chávez.

Dá um minutão e pensa aí.

Novo Jornal e a censura à imprensa em Minas

Muito se tem discutido nos bastidores da imprensa sob o fechamento do site Novo Jornal pela Justiça mineira no último dia 14 de setembro. De um lado, está Marco Aurélio Carone, o proprietário do site e figurinha política mineira há longa data (segundo o próprio, ele mesmo foi quem iniciou Aécio Neves na juventude do PMDB graças à boa amizade que mantinha com o avô) e simpatizantes. Do outro, meia dúzias de jornalistas que insistem em dizer que Carone não passa de um charlatão, e que o Novo Jornal nunca foi de fato jornalismo sério.


Pra quem tá por fora, vou esboçar um relato resumido do ocorrido. O Novo Jornal, de acordo com Carone, era o único veículo em Minas Gerais que publicava denúncias de corrupção envolvendo membros e empresas do Governo e de capital privado (inclusive relacionadas a telecomunicações, como no bizarríssimo caso da Rede Globo e da CEMIG). O site já havia sido processado algumas vezes por alguns dos denunciados, mas – também de acordo com a versão do proprietário – mostrou provas e evidências relacionadas às matérias publicadas e conseguiu ser absolvido de todos os processos nos quais havia sido acusado.


Mas as coisas mudaram a partir do momento em que o jornal endereçou o tema da campanha do Ministério Público "O que você tem a ver com a corrupção?" ao procurador-geral de Justiça do estado Jarbas Soares. Jarbas, segundo Carone, andava travando várias investigações sobre casos de corrupção nos três poderes e em grandes empresas, privadas e públicas. Mas o procurador levou a ironia a sério; abriu um inquérito contra o Novo Jornal que foi rapidamente acatado por um juiz, que sentenciou uma decisão favorável à retirada do site do ar indefinidamente, “enquanto durarem as investigações”. E assim está até hoje.


O outro lado argumenta que, na verdade, o Novo Jornal publicava denúncias sem pé nem cabeça só para favorecer amigos e parentes de Carone, mas de maneira alguma esse raciocínio justifica a retirada do site do ar. É como se um homem fosse acusado de assassinato e preso antes do julgamento só porque alguém disse que ele era de má índole. E aonde fica a presunção da inocência, direito garantido pela Constituição?


O que aconteceu com o Novo Jornal só pode ser chamado de censura prévia, já que o direito de liberdade de expressão – também presente em nossa carta magna – foi completamente ignorado pelo MP e pelo juiz que expediu a sentença de retirada do site do ar. Além do mais, se denúncias sem pé nem cabeça fossem motivos pra fechar um veículo de comunicação, todos hão de convir que Veja já teria sido fechada há muito tempo.


Fica assim registrado então mais um caso de censura à imprensa em Minas Gerais, prática que, após a demissão do Cajuru e a divulgação dos vídeos no Youtube que tratam do assunto, já está claro que virou praxe.


E depois ainda perguntam ao Massote porque o Aécio foi reeleito com 70% dos votos. Isso e todo o resto ficam meio óbvios agora, né?